Capítulo 4

Ponto de vista de Emily Windsor

Fiquei encarando a fotografia, e minha mente rodopiou como se eu tivesse levado uma marretada.

A foto escorregou dos meus dedos, pousando de leve no carpete grosso — mas parecia pesar uma tonelada, esmagando o ar para fora dos meus pulmões.

Como aquilo poderia ser coincidência?

O emblema no peito daquele homem ontem à noite — duro, frio, com sua textura metálica gravada na minha memória — combinava perfeitamente com a imagem desta fotografia.

A família Victor... a Máfia...

Essas palavras giravam na minha cabeça como uma maldição, fazendo um pavor gelado subir rastejando dos meus pés até o crânio, congelando cada membro.

Eu tinha dormido com um mafioso.

A “presa” que eu escolhi ao acaso no bar para provocar Jacob. O homem que me fez sentir totalmente sem controle, completamente à beira do desvario — ele pertencia justamente ao grupo que eu mais odiava e temia neste mundo.

Tapei a boca, com a náusea se revirando violentamente no meu estômago.

A imagem da minha avó deitada numa poça de sangue lampejou diante dos meus olhos. O olhar sem vida. As últimas palavras, agarrando a minha mão, implorando para eu ficar longe daquelas pessoas.

E o que eu tinha feito? Eu não só me aproximei de um deles por vontade própria — eu tinha...

Não. Não podia ser.

Forcei-me a respirar, embora meu peito se erguesse com esforço.

“Emily, você é advogada. Você trabalha com provas.”

Abaixei-me e peguei a fotografia, com as pontas dos dedos brancas de tanto apertá-la.

Havia milhares de emblemas no mundo. Símbolos parecidos não eram incomuns.

E, além disso, um acompanhante masculino de luxo podia replicar a insígnia de uma família da Máfia para cultivar uma aura de perigo. Afinal, esse toque proibido atraía certas mulheres em busca de adrenalina.

Sim. Tinha que ser isso.

Tudo nele gritava produto cuidadosamente embalado. Aqueles olhos azul-gelo. Aquele terno caro. Até a arma enfiada na cintura — eram todos adereços para inflar o preço dele.

Eu me agarrei a essa lógica, tentando desesperadamente separar a imprudência da noite passada da realidade de hoje.

Mas, por mais que eu tentasse me convencer, a verdade sussurrava de volta no olhar glacialmente frio dele, na autoridade esmagadora que irradiava dele com naturalidade. Ele não era um simples acompanhante.

Aquele tipo de domínio não dava para fingir.

Inquieta e exausta, saí do trabalho mais cedo e dirigi até em casa.

O apartamento que Jacob e eu tínhamos decorado juntos um dia agora parecia insuportavelmente vazio.

Chutei os saltos para longe e desabei no sofá, fechando os olhos contra a dor de cabeça latejante.

As dores físicas e o turbilhão emocional se embolavam, ameaçando rachar meu crânio ao meio.

Eu me arrastei até o banheiro e abri o chuveiro, deixando a água quente cair em cascata sobre a minha pele. Eu queria lavar o cheiro dele, os hematomas que ele tinha deixado, a lembrança de ter perdido o controle.

Mas cada músculo do meu corpo gritava com as lembranças da noite anterior. O jeito como ele me controlou. Me tocou. Me possuiu.

Então meu celular tocou.

Peguei-o do balcão, esperando uma ligação de trabalho. A tela mostrava um número desconhecido.

— Alô, Emily Windsor falando — atendi, forçando minha voz a soar profissional e calma.

Silêncio.

Então uma voz baixa, preguiçosa e devastadoramente familiar veio pela linha.

— Sou eu.

Duas palavras. Meu coração parou no meio da batida. Meu sangue virou gelo.

Ele.

Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar.

Apertei o telefone com tanta força que meus nós dos dedos ficaram brancos, e o fio fino da minha compostura se rompeu.

Como ele conseguiu meu número?

— O que você quer? — consegui perguntar, embora minha voz traísse um leve tremor.

Uma risada baixa atravessou a linha — divertida, consciente. — Srta. Windsor, você parece... nervosa.

— Se você ligou só para criticar meu tom de voz, não temos nada para discutir. — Mantive a voz fria e estendi a mão para desligar.

— Você deixou seu brinco.

Minha mão congelou.

Por instinto, toquei o lóbulo da minha orelha esquerda. Vazio.

Meus brincos de safira. O último presente da minha avó.

— É só um brinco — eu disse, rígida, embora meu coração afundasse. — Não vale muito. Jogue fora.

— É mesmo? — O tom dele escorria divertimento. — Eu acharia que a safira Ocean Heart significaria alguma coisa para você.

Ele sabia até o nome da pedra.

Todas as desculpas frágeis que eu tinha construído se despedaçaram naquele instante.

Nenhum acompanhante teria esse tipo de conhecimento.

Medo e impotência me inundaram como uma onda gigantesca.

— O que você quer? — Minha voz falhou, traindo o terror que eu já não conseguia esconder.

— Nada — ele disse, fazendo uma pausa deliberada. — Só devolver o que é seu. Amanhã. Ao meio-dia. Vou mandar alguém buscá-la no seu escritório.

Não era um pedido. Era uma ordem.

Antes que eu pudesse protestar, a ligação caiu.

Escorreguei pela parede fria do banheiro, agarrada ao celular, com a água pingando do meu cabelo e se misturando às lágrimas que escorriam pelo meu rosto.

Toda racionalização desesperada à qual eu tinha me agarrado foi obliterada por aquele único telefonema.

O homem com quem eu tinha passado a noite — aquele dos olhos azul-gelo e do aperto de ferro — se chamava Luke Reed.

E ele não era um acompanhante.

Eu tinha me metido em algo perigoso.

Algo em que eu nunca deveria ter tocado.

Um membro da família Victor.

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