Capítulo 8

Ponto de vista de Emily Windsor

Depois de apagar o contato do Luke, desabei sobre o volante, ofegando. Levou só um segundo para apagar um número de telefone, mas me livrar do medo e da marca que Luke havia gravado em mim parecia algo que me custaria uma vida inteira de coragem.

Forcei-me a me acalmar e reavaliar a armadilha que se fechava ao meu redor. Os homens de Luke tinham me salvado, não por bondade, mas como um aviso. Uma demonstração silenciosa de controle.

Ele era como uma teia de aranha se apertando lentamente ao meu redor, tentando me prender por completo no mundo dele.

E só havia um motivo para ele se dar a tanto trabalho: o caso de lavagem de dinheiro da família Victor.

Aquele caso era meu limite, minha única tábua de salvação.

Se eu não podia evitá-lo, então teria de encará-lo de frente e retomar o controle.

Liguei o carro de novo e dirigi direto de volta para o escritório de advocacia.

Nos dias seguintes, mergulhei de cabeça nos arquivos do caso.

A rede de lavagem dos Victor era um labirinto. O dinheiro passava por dezenas de empresas de fachada e contas offshore antes de convergir para um único destino, que por acaso era um clube privado de alto padrão chamado Nightingale.

O clube era famoso entre a elite de Manhattan por sua discrição extrema e seus serviços luxuosos. Sua lista de membros parecia uma chamada dos que tinham riqueza e poder — um ambiente perfeito para acordos escusos e dinheiro sujo.

Mas minha investigação esbarrava num muro a cada passo.

Todos os registros públicos sobre o Nightingale eram suspeitamente impecáveis. Todos os investigadores particulares que contratei voltaram de mãos vazias. Ou eram barrados nas portas, ou recebiam migalhas inúteis de informação. Era como se uma mão invisível tivesse apagado toda e qualquer pista possível.

Eu sabia que métodos convencionais não funcionariam.

Se eu quisesse abrir essa fortaleza, teria de ir até lá pessoalmente.

Na noite de sexta-feira, troquei meu terno profissional engomado por um vestido preto de seda, elegante. O corte era simples, mas sensual, moldando minhas curvas e deixando meus tornozelos finos à mostra. Fiz uma maquiagem mais marcante do que de costume — lábios vermelho-carmesim como fogo, escondendo o cansaço e a palidez por baixo.

A mulher que me encarava no espelho tinha um olhar afiado e frio, irradiando uma elegância inacessível.

O Nightingale ficava escondido no distrito mais exclusivo de Manhattan. Sua entrada era enganosamente modesta. Apenas uma única porta pesada de ébano, ladeada por dois seguranças enormes.

Respirei fundo, avancei de salto alto e entreguei meu cartão de visitas.

"Senhorita Windsor?" O segurança olhou para ele, um lampejo de escrutínio passando por seu rosto. "Desculpe. O clube opera com um sistema de reservas exclusivo para membros. Sem agendamento, não posso deixar a senhorita entrar."

"Não estou aqui por entretenimento", eu disse friamente, sustentando seu olhar. "Estou aqui em nome do caso dos Victor. Preciso falar com o gerente de vocês."

Mencionar o nome Victor foi calculado — ao mesmo tempo uma chave e um teste.

A expressão do segurança mudou de leve, mas ele não cedeu. "Peço desculpas, senhorita Windsor. Não recebi nenhum aviso."

Estávamos num impasse quando uma voz melosa e debochada cortou o ar atrás de mim.

"Ora, ora, se não é a Emily. O que é isso? O Jacob te deu um fora, e agora você está rondando lugares como este em busca de um novo papai de açúcar?"

Eu não precisava me virar para saber que era Julie. Ela estava num vestido de coquetel rosa, decotado, pendurada no braço de algum playboyzinho engomado sustentado por fundo fiduciário, com o rosto carregado de uma satisfação presunçosa e silenciosa.

— Senhorita Perez — respondi friamente, sem nem me dar ao trabalho de olhar para ela. — Você parece ter tempo demais para se interessar tanto assim pela minha vida pessoal.

O sorriso de Julie vacilou por meio segundo antes que ela se recompusesse, erguendo ainda mais o queixo. Ela acenou com um cartão de associado em relevo dourado na cara do segurança.

— Sou membro daqui. Tenho uma reserva para esta noite.

O segurança imediatamente adotou um tom deferente e abriu a porta para ela.

Julie entrou desfilando e depois se virou para olhar para mim de cima, com o deboche praticamente escorrendo dos lábios.

— Emily, você devia simplesmente desistir. O Nightingale não é para qualquer um. E o dono? Não é alguém que você pode ver só porque está com vontade. — Ela fez uma pausa, com a voz cortante. — Você nem conseguiu segurar Jacob. E realmente acha que vai conseguir se agarrar a alguém aqui? Patético.

Ignorei o teatrinho dela, mantendo o olhar fixo naquela porta pesada. Minha paciência estava se esgotando, uma mistura volátil de frustração e fúria fervendo sob meu exterior controlado.

— Senhorita Windsor?

Um homem num elegante terno preto surgiu do lado de dentro — claramente o gerente —, passou direto por Julie e parou na minha frente, com uma postura respeitosa, porém distante.

— Nosso chefe gostaria de vê-la.

O sorriso de Julie congelou. Ela ficou encarando, atônita.

— Seu chefe? — arqueei uma sobrancelha, instantaneamente em alerta.

— Sim. Por favor, siga-me. — Ele fez um gesto em direção à entrada.

Lancei para Julie um sorriso frio e fugaz antes de passar por ela e seguir o gerente através da porta pesada.

Julie e seu acompanhante ficaram parados no saguão dos elevadores, com os seguranças bloqueando seu caminho, obrigados a assistir enquanto eu entrava no elevador privativo reservado para o último andar — um que simbolizava poder absoluto.

O interior espelhado do elevador refletia meu rosto calmo, mas os nós dos meus dedos, apertando minha clutch, estavam brancos como osso.

Eu não sabia quem era o dono do Nightingale. Mas, se sabiam quem eu era e pediram para me ver pelo nome, então tinham de estar ligados aos Victor.

O elevador parou numa cobertura. As portas se abriram.

À minha frente se estendia um amplo sky lounge. Janelas do chão ao teto emolduravam o horizonte cintilante de Manhattan. O ar estava impregnado com o cheiro frio e familiar de charutos e madeira de cedro — o mesmo cheiro que tinha enchido meu carro naquela noite.

Meu coração afundou como uma pedra.

No centro do ambiente, um homem estava sentado de costas para mim. Vestia um robe escuro de seda, o corpo alto largado displicentemente no sofá. Na mão, girava lentamente um copo de uísque, com o gelo tilintando no cristal.

Ao som dos meus passos, ele se virou.

Era um rosto que eu tentara desesperadamente esquecer — mas que assombrava meus sonhos.

Bonito como um deus. Perigoso como o diabo.

Luke estava reclinado no sofá, com as pernas cruzadas, o olhar deslizando por mim da cabeça aos pés — uma avaliação descarada, carregada de dominância. Seus olhos azul-gelo brilhavam sob o lustre de cristal como um abismo congelado, ameaçando me engolir por inteiro.

— Senhorita Windsor — murmurou ele, em voz baixa, com um timbre magnetizante e um leve traço de diversão curvando seus lábios. — Nos encontramos de novo.

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