Capítulo 4 CAPÍTULO 4 ENCONTRO SAMANTHA

Naquela noite, Cristopher chegou em casa e, para minha surpresa, estava muito feliz. Trouxe-me um buquê gigante de flores frescas e lindas que exalavam um aroma delicioso. Ele entrou assobiando e sorrindo, dançando no ritmo da melodia que cantarolava.

— Olá, família! Ah, minha esposa, como você está linda hoje, mulher! Vem cá e me dá um beijo. — Ele me deu um beijo molhado na boca enquanto me entregava o buquê.

— E qual é o motivo de tanta felicidade, querido? — Perguntei com um tom um tanto sarcástico, mas sutil o suficiente para parecer real, enquanto estendia os braços para receber as flores. — São muito lindas, muito obrigada, Cris. — Devolvi um beijo em seu rosto.

Meu marido não jantava conosco havia muito tempo, mas naquela noite ele se sentou à mesa na sala de jantar. Meus filhos e eu ficamos felizes por um momento. Mesmo sabendo que o que ele fazia não era genuíno, os falsos minutos de felicidade fortaleceram minha família. Ele nunca fora muito próximo de Camille, mas hoje conversava com ela como se fosse seu verdadeiro pai. No final do jantar, ele ainda ajudou a empregada a limpar a mesa e levou Santiago para a cama.

— Mãe, o seu marido está muito estranho. Acredite, se a gente não soubesse da Samantha, eu juraria que ele está mudando e que nos ama. — Minha filha comentou, ironicamente.

— Filha, não sei, mas os planos dele não são bons. Ele e a Samantha planejam me deixar na rua, tenho certeza, e devo evitar isso a todo custo.

— Aliás, mamãe, amanhã eu convidei a Samantha para sair. Falei que você ia fazer compras com a gente e depois iríamos comer. Ela é tão básica que adora essas coisas, então você vai ter a oportunidade de conhecê-la melhor.

— Obrigada, filha. Sei que isso é difícil para você, mas não vai demorar muito.

— Na verdade, mãe, se ela não fosse amante do meu padrasto, eu juro que ela seria uma excelente amiga. Ela pode ser superficial, mas é uma ótima pessoa como colega.

— A única coisa que me faltava era você se tornar a melhor amiga da amante do Cristopher. — Falei de forma bem-humorada.

O que ela tinha acabado de me dizer me causou uma sensação engraçada. Como podia ser boa uma mulher que só buscava o dinheiro de um homem e agia como uma acompanhante de luxo? Revirei os olhos e balancei a cabeça. O que essa Samantha poderia ter para que todos gostassem dela?

Fui para o quarto e vi que meu marido estava lendo um livro. Ele parecia muito atraente com os óculos; era um homem maduro espetacular. Assim que me viu entrar, fechou o livro e direcionou o olhar para onde eu estava.

— Estive à sua espera, meu amor. — Disse Cristopher com um sorriso enorme.

— A minha espera? — Perguntei ironicamente.

— Sim, minha preciosa, preciso de você. Venha deitar aqui ao meu lado, fique confortável. — Com a mão, ele bateu no lado da cama que me correspondia, chamando-me para que eu me deitasse mais perto dele.

Fico nervosa. Toda vez que eu o flagrava sendo infiel, ele se comportava de maneira carinhosa e tentava me fazer esquecer de tudo com falsas demonstrações de afeto. Dessa vez, ele fazia a mesma coisa, mas de forma tão natural que parecia querer tornar seu plano perfeito, garantindo que eu não suspeitasse de nada.

— Pare, vou vestir meu pijama.

Vou até a cômoda procurar algo para vestir e me dirijo ao banheiro.

— Você não precisa ir ao banheiro. Vista-se na minha frente; para mim, é um prazer ver seu corpo delicioso.

Cristopher se senta mais ereto na cama com um olhar travesso. Vejo-o morder o lábio inferior, o que me faz estremecer. Por dentro, pergunto-me: meu marido ainda me quer?

Faço o que ele pede e sinto como ele devora cada centímetro do meu corpo com os olhos. Estou totalmente nua na frente dele. Ele sai da cama, levanta-se e caminha em minha direção. Fazia muito tempo que eu não via meu marido nu com a luz acesa; seu corpo musculoso parecia espetacular, e sua virilidade sob a cueca boxer se destacava a cada passo.

Olho-o de cima a baixo, observando o quanto ele me deseja. Minha intimidade começa a sucumbir aos seus encantos, meus seios ficam rígidos e minha respiração acelera. Ele percebe o ritmo arfante do meu peito.

— Está nervosa, querida? — Ele pergunta, afastando uma mecha de cabelo para trás da minha orelha.

— Não, claro que não. Deveria estar? — Digo com a voz quase trêmula. Embora tentasse fixar na mente que tudo aquilo era uma mentira e que eu estava prestes a cair em sua armadilha, o amor que eu sentia por ele falava mais alto.

— Quero que você seja minha. Afinal, nossa certidão diz que é até que a morte nos separe.

Cristopher começa a beijar meu pescoço, fazendo-me emitir um gemido suave. De repente, o telefone dele começa a tocar na mesinha de cabeceira. Ele continua a trilhar beijos pelo meu pescoço, sem dar importância ao aparelho, e seu corpo roça no meu, mas o clima muda quando o telefone insiste em tocar de forma obstinada. Cristopher caminha até a mesa e o atende. Seu rosto se transforma em um poema; vejo-o digitando mensagens e ele me olha com um sorriso contido.

— Aconteceu alguma coisa? — Pergunto, frustrada.

— Sim, é uma emergência na empresa. Preciso dar uma passada rápida lá, mas volto em algumas horas.

Ele começa a vestir a mesma roupa que usara durante o dia, passa um pouco de perfume e se aproxima. Visto meu pijama rapidamente para não continuar nua diante daquela humilhação.

— Me dá um beijo, querida, eu já volto.

Ele tenta beijar minha boca, mas eu viro o rosto imediatamente, oferecendo-lhe a bochecha, e ele sai.

Sento-me na cama sem entender por que Cristopher não me pedia o divórcio para chegarmos a um acordo. Não havia necessidade de me fazer acreditar que estava mudando apenas para me machucar mais. Um turbilhão de sentimentos mistos congestionava meu peito.

Naquela noite ele não voltou. Simplesmente me mandou uma mensagem dizendo: "As coisas se complicaram na companhia, querida. Até amanhã, beijos com amor".

Acordei de mau humor depois de uma noite terrível. Não conseguia parar de pensar no meu marido e na tarde de compras que teria na companhia da minha filha e de Samantha.

Busco as duas na universidade no horário da saída. Samantha vestia um top e uma calça jeans justa; seus cabelos estavam cacheados e, embora seu rosto continuasse bonito, ela exibia profundas olheiras.

— Olá, meninas, vamos? — Digo às duas, sem conseguir desviar os olhos da suposta amante do meu marido.

— Olá, mamãe.

— Olá, dona Amanda! Estou morrendo de fome, não consegui comer quase nada hoje de manhã. Poderia nos levar para comer primeiro? — Samantha me pergunta com um jeito quase infantil.

— Claro, vamos comer algo.

Dirijo até um lugar que serve fast-food. Ela parece uma garota legal; conversamos por todo o caminho, ela sorria e demonstrava muita cordialidade. Quando chegamos ao local, nós três nos sentamos à mesa: minha filha na frente dela, e eu ao seu lado. Samantha mexia no celular enquanto esperávamos a comida.

— Diga-me algo sobre você, Sami. Posso chamá-la assim se não a incomodar?

— Pode me chamar como quiser, dona Amanda! — Ela estende a mão, toca a minha com um carinho suave e pisca para mim.

Aproveito essa abertura para investigar um pouco mais.

— Sami, quantos anos você tem? — Pergunto diretamente.

— Tenho vinte e dois anos. Sei que sou um pouco mais velha que a Camille, mas nós nos damos super bem. Ela é muito madura para a idade, e fico feliz em fazer parte do círculo social dela. Até porque não tenho muitos amigos; as garotas do meu semestre me odeiam. — Ela solta uma risada debochada.

— Entendo, imagino. Pobre de você. — Digo ironicamente, pensando comigo mesma que não seria difícil odiá-la caso fosse mesmo uma jovem interesseira.

— Mas olha, dona Amanda, isso não me afeta. Sempre fui uma garota muito solitária, e como tenho meu namorado e a Camille, está tudo bem. Eles me complementam. — Ela me olha sorrindo.

— Claro, seu namorado. Ele é muito bom para você? — Tento sondar, mas minha filha faz uma careta e eu me contenho.

— Sim, bastante, ele me ama muito. — Ela dá um gole na bebida.

Ela era realmente mimada e falava de um jeito dengoso, embora não fosse desagradável conversar com ela. Samantha tinha um charme, mas era com esse charme que estava se apropriando da minha família.

— E quem é seu namorado? Podemos saber? — Pergunto com entusiasmo fingido.

— Claro que sim! O nome dele é Zach Holmes. Olhem aqui a foto dele.

Ela nos mostra o telefone, exibindo a foto dela com um rapaz jovem de sua idade. Na imagem, eles parecem muito felizes e estão se beijando.

Minha filha e eu nos entreolhamos. Camille se engasgou com a bebida e a cuspiu na minha frente. Não consegui conter uma risada nervosa, sentindo-me ainda mais confusa. Se Samantha tinha um namorado chamado Zach, o que ela estava fazendo na caminhonete do meu marido naquele dia? Eu já não entendia mais nada.

— Amiga! O que aconteceu? Você está bem? — Pergunta Samantha para minha filha, sorrindo e estendendo-lhe um guardanapo. Camille tampa a boca, achando a situação engraçada, e as duas começam a brincar.

Sinto um alívio imenso ao saber que ela não é amante do meu marido; era apenas uma jovem doce. Senti-me ridícula na hora, mas ainda precisava descobrir o motivo de ela ter saído do veículo de Cristopher naquele dia, e, acima de tudo, por que ele havia lhe dado dinheiro. Um dilema permanecia: quem era a verdadeira amante do meu marido?

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