Capítulo 5

Percorro o corredor da Casa da Alcateia por mais uma noite. A insônia virou a parte mais constante da minha rotina. Quase cansativa — seria, se eu realmente conseguisse pregar o olho. Os pesadelos que tomaram meus sonhos são o que me impedem de descansar. Comecei a ter medo de dormir. As visões daquela noite se repetem sem parar — os renegados invadindo nossas terras, o caos escapando do nosso controle, e eles machucando minha preciosa Isla. Minha linda Isla.

O destino mal tinha nos unido antes de nos separar. A vida podia ser cruel — e me obrigava a reviver aquela noite, repetidas vezes nos sonhos. A dor enquanto sua vida se esvaía. A incapacidade de salvá-la. A dor nos olhos dela. O medo. Me fazia odiar a vida, odiar o destino. E agora me faz temer o sono. O que me faz percorrer esses corredores toda noite.

"Tudo bem, Beta!" Marc, um dos nossos jovens guerreiros, me cumprimentou com entusiasmo — pelo entusiasmo, claramente vindo de uma noite com amigos. Especialmente alguém voltando para o quarto nessa hora da madrugada.

"Oi, Marc." Acenei com a cabeça, erguendo as sobrancelhas de forma questionadora enquanto ele tropeçava em direção às escadas. Mal conseguia andar em linha reta.

"Não tava bebendo não, juro chefe," ele murmurou com uma risadinha.

Esses caras me fazem sorrir. Como não poderiam? Mal tinham passado da idade de transformação, guerreiros recém-treinados que claramente tinham decidido beber até cair. O que, considerando que somos lobisomens e o álcool tem pouco efeito em doses normais, significa que devem ter bebido quantidades absurdas. Provavelmente se desafiando a ver quem bebia mais — era o que costumavam fazer com tanta frequência.

Mas não posso dizer que nunca fiz o mesmo, já tendo ajudado muitos guerreiros bêbados a chegar em casa. Fazia parte do crescimento para muitos, não era? Tenho certeza de que tiveram uma boa noite e muitas memórias para olhar para trás — se conseguissem se lembrar de alguma coisa no dia seguinte, é claro.

"Não disse nada, Marc." Acenei enquanto ele tropeçava escada acima.

Continuei percorrendo o corredor, só para ouvir mais algumas vozes bêbadas se aproximando — provavelmente os amigos de Marc. Sem disposição para lidar com mais ninguém naquela noite, entrei pelo corredor lateral que saía do hall principal da Casa da Alcateia. Ele levava ao meu escritório. Podia ficar ali até eles passarem, trabalhar um pouco, e então voltar para o meu quarto — torcendo para conseguir pelo menos algumas horas de sono, para estar ao menos parcialmente funcional no dia seguinte.

"O que você está fazendo aqui?"

Uma voz me arrancou do sono de repente. O corpo inteiro doía. O pescoço parecia ter sido preso num torno. Só então percebi que havia adormecido debruçado sobre a mesa. Devia ter adormecido nas primeiras horas da manhã, depois de entrar no escritório para trabalhar.

Levantei os olhos com sono, só para ver meu melhor amigo e Alfa da alcateia parado ao lado da mesa com uma expressão carregada de preocupação, me encarando de cima. "Asher?" Ele questionou. "Por que você está dormindo aqui embaixo? Essa deve ser a terceira ou quarta vez em questão de semanas. E nem me fale em tudo antes disso."

Suspirei. Era só o que me faltava — ele na minha cola de novo. O mesmo interrogatório de sempre. 'Você está bem? Precisa de ajuda? De apoio?' Era quase certo que Caleb começaria com aquilo, como sempre fazia. Ele nunca conseguia se conter. E eu não queria parecer ingrato — afinal, era meu melhor amigo e só estava preocupado. Mas às vezes a gente precisa de espaço. Ele não tinha como parar meu sofrimento, e aquilo já se arrastava por tempo demais.

"Estava com dificuldade para dormir, então desci para trabalhar. Acho que acabei batendo o sono," disse. Não era bem a verdade, mas servia.

Caleb não precisava saber que meu sono andava tão perturbado que eu travava uma verdadeira batalha toda noite. Que minha paz tinha acabado e eu não pregava o olho direito desde que Isla se foi.

"Está tudo bem, Asher?" Caleb perguntou, a preocupação transbordando na voz dele, como vinha acontecendo cada vez mais. "Eden disse que estava preocupada com você. Que você não parece mais o mesmo desde que os ataques dos renegados começaram. Disse que você anda muito distante. Muito fechado."

Revirei os olhos. Então andavam falando de mim pelas costas? Achavam que isso era aceitável? Sim, Eden podia ser a companheira dele, a Luna da alcateia e minha amiga — mas eu não precisava virar o "coitadinho" da vez, pauta do jantar deles. Eu estava bem. Era o Beta da alcateia, pelo amor da Lua. Encarei meu amigo com um olhar que esperava dizer tudo.

"Caleb, você é meu amigo, mas por favor me deixa em paz. Eu estou bem. Cansado? Sim. Estressado? Com certeza. Estamos lidando com ataques de renegados constantemente. Nosso foco é fortalecer a alcateia, e é nisso que estamos trabalhando. Não é fácil. Exige tempo, energia e esforço. Então, sim, estou estressado e exausto. Não é esse o meu trabalho?" disparei, a voz mais ríspida do que eu pretendia, sabendo que estava passando dos limites. Ele sabia muito bem o que eu perdi por causa desses ataques. O mínimo que eu esperava era um pouco de compreensão. Mas eu precisava seguir em frente — continuar funcionando, senão não restaria mais nada de mim.

Caleb apenas me olhou e balançou a cabeça. "Tudo bem. Vai tomar um banho. Você está um trapo. Temos uma reunião em meia hora."

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