Capítulo 3 Negado

Caiden

Estou andando de um lado para o outro no pátio dos fundos da casa da alcateia, enquanto a maioria dos membros está ocupada comendo e assistindo aos filhotes brincarem. Deusa, a vida é tão simples para os membros comuns da alcateia. Todos parecem tão felizes e relaxados com seus companheiros e suas famílias. Isso me faz ansiar pela minha companheira e pela minha família.

Na minha quinta volta ao redor do pátio, vejo meu irmão se aproximar com o mensageiro que ele enviou para a Blood Moon.

Vou até os dois e os encaro, expectante.

— Então, o que ele disse?

— Ele disse, e eu cito: “Venha sozinho ou não venha. Não tô nem aí pra companheira do Alfa Caiden.” — diz o mensageiro.

Meu irmão me lança um olhar duro, e eu praticamente consigo ouvi-lo dizendo: eu avisei.

— Ele te disse isso diretamente? Como ele é? — pergunto.

— Não. Ele respondeu por vínculo mental ao guerreiro no portão. Eu nem pisei nas terras da alcateia — ele responde.

— Quem esse Alfa acha que é, porra?! Isso é motivo pra guerra. Impedir um Alfa de ficar com a própria Luna é ilegal! Eu poderia levar isso ao conselho. Ele quer guerra? Vai ter. — rosno, tomado de ódio.

Minha raiva vem à tona, borbulhando, e meu lobo quer o sangue do desgraçado que o mantém longe da companheira.

— Primeiro, irmão, eu duvido que você consiga trazer guerreiros suficientes pra cá voando. O que significa que você precisaria dos meus. Ou seja: você quer que eu declare guerra ao meu vizinho, com quem eu estou tentando negociar paz? — diz Gregor.

— Eu não tô nem aí pra tratado de paz, eu quero a minha companheira! Quem é esse Alfa, afinal? Você nem disse o nome. E por que você quer tanto um tratado oficial? Eles têm atacado você? — retruco.

Gregor fecha os olhos e suspira, frustrado.

— Eu não sei. Ninguém nunca se encontrou com esse Alfa. Ele é fechado. Eles estão focados em reconstruir, então ele nunca saiu das fronteiras desde que assumiu.

— O conselho conhece ele? — pergunto.

— Tenho certeza de que sim, mas eles também estão fazendo segredo. Muita coisa precisou ser decidida depois do desastre aqui. A Blood Moon foi praticamente destruída junto com a Full Moon. Nem eu tenho acesso a todos os detalhes. Eles tentaram manter muita coisa em sigilo pra não passar vergonha. Nosso primo se safou de muita coisa, mais do que qualquer um poderia imaginar. Eles não queriam dar ideias pra mais ninguém — explica meu irmão.

— Certo. E por que você está tão obcecado com esse tratado de paz? — pergunto de novo.

— O conselho insinuou que esse Alfa tem algumas disputas de terra. Diz que metade das minhas terras é dele. De novo: foram vagos. Eu não quero ataques agora que nós dois reconstruímos, então preciso de uma audiência pra sentir qual é a dele — responde.

Eu o encaro, pensativo. Faz sentido, e é uma boa liderança tentar se antecipar a qualquer disputa territorial.

— Pelo ódio na resposta dele ao nosso pedido, vou chutar que você não vai sair de lá amanhã com um tratado de paz — digo.

— Não, provavelmente não. Eu só espero conseguir evitar uma guerra — ele diz, passando as mãos pelo rosto.

— Irmão, nós temos muitos aliados. Não vamos deixar nada acontecer com a sua alcateia — digo, colocando a mão no ombro dele.

— Obrigado, irmão. Amanhã eu vou tentar sentir o clima da alcateia e ver se consigo descobrir alguma fêmea poderosa o bastante pra ser sua companheira — ele me tranquiliza.

— Eu não gosto da ideia de a minha companheira estar numa alcateia à beira de uma guerra — digo, soltando um suspiro pesado.

Meu estômago se revira em nós quando penso na minha preciosa Luna lutando… especialmente lutando contra a minha família.

— Sua companheira deve ser forte. Tenho certeza de que ela vai ficar bem, mesmo se chegar a esse ponto. O que eu espero que não chegue. Pra ser sincero, eu me preocuparia mais se ela fosse de alta patente e estivesse contra nós — diz Gregor.

— Eu nunca tinha pensado por esse lado. Mesmo que ela seja de alta patente, as fêmeas normalmente não se envolvem na política da alcateia, e tenho certeza de que a família ficaria do nosso lado sabendo que isso os tornaria mais fortes — argumento.

Gregor apenas dá de ombros e se afasta, claramente discordando, mas sem querer discutir mais.

Suspiro e vou para o meu quarto, torcendo para conseguir dormir. A lembrança do cheiro dela ainda está rodopiando na minha cabeça. O aroma é tão delicioso que me faz pensar em como ela teria gosto. Chocolate e cítrico não podem ser por acaso, certo? Eu praticamente sinto a boca encher d’água, imaginando a excitação dela na minha língua. Corto o pensamento na hora e vou direto para um banho frio.

Meu lobo está inquieto dentro da minha mente; normalmente tão calmo e centrado, agora está tenso, sem foco. Porra. Eu não posso liderar a alcateia assim. O que eu vou fazer se esse Alfa babaca realmente começar uma guerra com a minha companheira na alcateia dele? Se eu for lutar contra ele, eu coloco a vida da minha companheira em risco.

Minha cabeça é um emaranhado, e eu solto um grunhido frustrado. Uma coisa é certa: eu não vou embora sem a minha companheira.

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