Capítulo 5 Preparação para a reunião 2

Caiden

O sono não veio fácil enquanto eu me revirava a noite inteira. Por fim, virei de lado e chequei o celular. Cinco da manhã. Ótimo. Melhor levantar logo. Saio da cama e tomo um banho rápido — gelado, é claro. O cheiro dela ainda está preso na minha cabeça. Depois disso, visto roupas de treino e vou embora para descer a porrada em alguém ou em alguma coisa. É o único jeito de eu aguentar agora.

Quando chego, encontro Gregor num estado de nervos parecido com o meu. Embora eu saiba que os motivos não são os mesmos.

— O que está te incomodando, irmão? — pergunto.

— Estou com um pressentimento ruim sobre esse Alfa e essa reunião. Não acho que vai dar certo — ele diz.

— Por quê? Aconteceu alguma coisa? — indago.

— Não, mas por que um Alfa ficaria tão secreto? Tão isolado? Está na nossa natureza exibir força. Essa força silenciosa… é mais perigosa, é desconhecida. Eu não conheço o Alfa, nem o Beta, nem o Gama. Não conheço nenhuma fêmea de alta patente que possa ser a sua companheira. Droga, eu nem tenho um número aproximado de membros ou guerreiros. Eu posso estar entrando numa emboscada pra me assassinar e nem saber! — ele exclama.

Droga, ele está muito estressado. Meço bem as palavras e respondo:

— Você não está totalmente errado, mas um ataque descarado a um Alfa pacífico teria consequências. Esse Alfa parece teimoso, mas não impulsivo. Duvido que ele te machuque. Eu posso ficar perto das fronteiras com alguns guerreiros, se isso te deixar mais tranquilo.

Ele me olha com tanta gratidão que parece que eu acabei de me oferecer para sacrificar a minha vida pela dele.

— Acho que seria uma boa ideia. Além disso, se eu encontrar a sua companheira de algum jeito, você vai estar por perto — ele responde.

— Não me dá esperança — digo, desanimado.

— Você não vai conseguir voltar sem ela, vai? — ele pergunta.

— Talvez eu não tenha escolha. E se ela só estivesse de passagem? Se não houver fêmeas de alta patente lá, ela pode já ter ido embora. Só a Deusa sabe se eu vou encontrá-la de novo.

— A Deusa sempre tem um plano. Tenha fé. Agora chega de conversa deprimente e vamos descer a porrada um no outro — ele diz, com um sorriso.

— Você não vai conseguir encostar um dedo em mim, irmãozinho — provoco.

Ele assume a postura de luta e faz sinal para eu atacar. Eu junto toda a raiva que tenho daquele Alfa filho da puta e canalizo tudo nele. Finjo um gancho de direita e balanço a perna esquerda para acertar o estômago. Ele cambaleia para trás. Continuo atacando o corpo dele com os punhos, sem querer que ele fique com marcas visíveis depois. Ele cai no chão, e eu o prendo pela garganta.

— Merda… faz tempo demais que eu não luto contra outro Alfa — ele diz.

Eu apenas concordo com a cabeça e digo:

— De novo.

Depois de duas horas em que eu literalmente acabo com a cara do meu irmão, temos que parar e nos preparar para a reunião. Volto para o meu quarto para mais um banho gelado. Enquanto a água despenca sobre mim, o cheiro dela ainda gira na minha mente. Vou enlouquecer se o Gregor não a encontrar hoje.

Na frustração, puxo com força a alavanca do chuveiro e ela se quebra, soltando. — PORRA! — grito, batendo no azulejo ao meu lado e rachando-o. Merda, vou ficar devendo uns consertos ao Gregor por causa disso.

Depois do meu ataque de raiva, me visto com equipamento furtivo e encontro Gregor e três guerreiros na cozinha.

— Certo, vamos revisar o plano — começa Gregor, enquanto todos nós olhamos para ele, esperando. Ele continua: — Num SUV, Caiden e vocês três vão me seguir até duas milhas dos portões. Vocês ficam lá, a menos que eu sinalize para vocês avançarem e ficarem do lado de fora dos portões. Se por algum motivo vocês precisarem invadir, Caiden lidera. Vocês vão segui-lo como se ele fosse eu — diz ele, com firmeza.

— Sim, Alfa — respondem os três guerreiros.

— Me conecta pelo vínculo e me mantém atualizado o tempo todo, Gregor — digo.

— Pode deixar. Vamos — ele diz, enfiando um mini croissant na boca.

Saímos para a frente da casa da alcateia e entramos no SUV preto com vidros escurecidos que já nos esperava. Eu deslizo para o banco do motorista e piso fundo. Estou indo atrás de você, minha companheira.

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