Capítulo 4: Estou pronto para satisfazer você
(Ponto de vista de Daniel)
Quem ela pensa que é, indo embora daquele jeito?
Foi ela quem, naquela época, queria desesperadamente se casar comigo, e agora quer fugir? O que ela pensa que eu sou, o Daniel, afinal?
Sentei no sofá, apertando aquela carta de oferta, e a sensação indescritível no meu peito foi ficando cada vez mais pesada. Eu estava irritado pra caramba, puxando a gravata, os olhos fixos na direção da porta.
“Clique” — a fechadura girou.
Sophia entrou da rua. Parecia calma e, quando me viu sentado na sala, só me lançou um olhar rápido — como quem olha para um móvel.
Aquela sensação de ser completamente ignorado fez a raiva no meu peito explodir na hora.
Levantei num salto e fui até ela em poucas passadas, batendo o documento com força na mesa de centro.
— O que é isso? — perguntei entre dentes, a voz assustadoramente fria. — Sophia, que joguinho você está fazendo agora?
Ela olhou para o documento, num tom casual como se estivesse comentando o tempo:
— Só uma oferta de emprego encaminhada por um caça-talentos. Eu tinha até esquecido. O quê, o Sr. Cooper também precisa controlar até eu procurar trabalho?
— Você! — Eu fiquei completamente furioso com a indiferença dela. — Não se faça de boba comigo! Eldoria? Você estava planejando isso desde o começo, esperando os três anos acabarem pra fazer as malas e ir embora?
Sophia ergueu o olhar, os olhos frios encontrando os meus, cheios de raiva.
— O Sr. Cooper não esteve torcendo para eu desaparecer esse tempo todo? Agora que eu estou pronta pra te fazer esse favor, de repente você ficou insatisfeito?
As palavras dela foram como uma agulha, me atingindo bem no peito.
É, eu devia estar feliz. Essa mulher que eu odiava havia três anos finalmente ia embora. Eu devia estar estourando champanhe. Mas por que eu só sentia essa pressão inexplicável no peito?
Meu olhar caiu no rosto calmo dela, e a minha raiva cresceu ainda mais. Sem pensar, gritei:
— Sophia, não esqueça como você entrou na família Cooper! Agora que você tem alguma habilidade, acha que pode simplesmente descartar as pessoas?
Ela baixou os olhos, e o olhar foi parar na mão machucada.
Eu acompanhei o olhar dela — aquela marca roxa-azulada se destacava de forma gritante na pele.
Congelei por um instante. Quando foi que ela se machucou?
Mas eu não podia me preocupar com isso agora.
Minha cabeça estava cheia daquela oferta e das palavras dela sobre “me fazer um favor”.
Respirei fundo, reprimindo a turbulência por dentro, e disse friamente:
— A gente conversa sobre isso depois. Agora, você precisa ir ao hospital e pedir desculpas para a Ella.
Sophia ergueu a cabeça devagar, me encarando, e um sorriso debochado foi se formando nos lábios.
— Pedir desculpas? — repetiu, como se tivesse ouvido uma piada.
— Isso mesmo. — Minha paciência estava no limite. — Você a empurrou e fez com que ela torcesse o pulso. Não devia pedir desculpas?
— Eu não empurrei ela. — Ela pronunciou cada palavra com clareza; a voz não era alta, mas era muito nítida.
— Eu vi com meus próprios olhos. Ainda vai negar? — Minha paciência acabou de vez. — Sophia, eu nunca tinha percebido como você é cruel. A Ella é pintora — você não sabe o quanto as mãos são importantes pra ela? Você está com tanta inveja dela assim?
Eu fui despejando acusação atrás de acusação.
No passado, ela talvez tivesse os olhos marejados, talvez tivesse retrucado, magoada.
Mas não dessa vez.
Ela só me olhou, com alguma coisa nos olhos que me deixou muito desconfortável.
— Daniel, com qual olho seu você me viu empurrar ela? — A voz dela subiu de repente. — Só porque é a Ella, você acredita em tudo o que ela diz? Ela derrama uma lágrima e você fica morrendo de pena... e eu?
De repente, ela ergueu a mão machucada e a enfiou bem na minha frente.
Os olhos dela ficaram vermelhos, mas a voz continuou fria:
— Eu fiquei assim tentando segurar ela quando caiu! Você não está vendo? Ou é que, além da sua querida Ella, você não consegue enxergar mais ninguém?
Eu encarei o machucado na mão dela, as minhas pupilas se contraindo. Eu... eu realmente não tinha percebido.
Vendo que eu estava sem palavras, ela deu uma risada de deboche de si mesma e puxou a mão de volta.
— Eu não vou pedir desculpas. Eu não fiz nada de errado.
Foi a primeira vez em três anos que ela me recusou com tanta firmeza.
Meu rosto escureceu na hora. Meu orgulho de homem não suportava esse tipo de desafio.
— Ótimo, muito ótimo! — eu ri, amargo, apontando para ela. — Sophia, não se arrependa disso! Por causa de uma estranha, você está disposta a levar as coisas a esse ponto comigo?
— Estranha? — ela repetiu a palavra, rindo com uma ironia ainda mais cortante. — No seu coração, quem exatamente é a estranha?
Dito isso, ela não olhou para mim de novo e se virou para subir.
Eu fiquei sozinho na sala de estar vazia, o peito subindo e descendo com força.
A última pergunta dela ficou girando na minha cabeça — quem exatamente é a estranha?
Uma irritação e um pânico que eu nunca tinha sentido antes apertaram meu coração.
De repente, eu chutei a mesa de centro e peguei o celular para ligar para Ella.
No hospital, Ella atendeu, com a voz suave:
— Daniel, você pode vir me fazer companhia? Eu estou sozinha no hospital e estou com medo.
Fiquei em silêncio por um momento, mas ainda assim concordei:
— Tá. Eu já vou.
Depois de desligar, dirigi até o hospital.
Meia hora depois, empurrei a porta do quarto.
Assim que Ella me viu, os olhos dela se encheram de lágrimas. Ela estendeu a mão que não estava machucada para segurar a minha.
— Daniel, você brigou com a Sophia? A culpa é toda minha...
— Não é sua culpa. — Sentei ao lado da cama, ainda com o semblante fechado.
Ela se inclinou com cuidado, aproximando-se, apoiando a cabeça no meu ombro, e disse baixinho:
— Daniel, não fica bravo. A Sophia é sua esposa, afinal... que casal não briga? Quando a minha mão melhorar daqui a alguns dias, eu vou explicar as coisas para ela pessoalmente. Ela vai me perdoar.
O corpo quente dela se pressionou contra o meu, e o cheiro familiar invadiu minhas narinas.
No passado, eu talvez tivesse gostado desse tipo de intimidade.
Mas agora, eu me sentia inexplicavelmente desconfortável.
Meu corpo enrijeceu por instinto, e eu me afastei um pouco, criando certa distância.
Ella congelou, ergueu o olhar para mim e perguntou, hesitante:
— Daniel, você... não está tão carinhoso comigo quanto antes?
Franzi a testa:
— Não fica pensando bobagem.
— Mas você acabou de se afastar de mim. — As lágrimas vieram na hora; ela me olhou, magoada. — Daniel, me diz a verdade... você... você se apaixonou pela Sophia?
Se apaixonado pela Sophia? Aquela mulher vaidosa, cruel, ingrata?
— Impossível! — eu praticamente gritei, tão alto que até eu me assustei.
Como se fosse para refutar o que ela disse e como se fosse para me convencer:
— Como é que eu poderia me apaixonar por ela?!
Mas, assim que as palavras saíram, a mão machucada de Sophia passou pela minha mente, junto com o último olhar que ela me lançou. Aquilo fez meu peito apertar.
Como é que eu poderia me apaixonar por ela?
Essa pergunta continuou girando na minha cabeça, como uma mosca que eu não conseguia espantar. Eu saí do hospital; não voltei para o escritório nem para a mansão, só fiquei dirigindo sem rumo pela beira do rio.
Meu celular tocou. Era a mamãe.
Assim que atendi, a voz estridente de Emily me acertou em cheio:
— Onde você está agora? Aquela sua esposa maravilhosa está ficando cada vez mais ousada!
Franzi a testa:
— Mãe, o que foi agora?
— O que foi agora? Eu acabei de ouvir dos empregados que a Sophia anda estranha ultimamente, sempre fazendo ligações internacionais! Ela está vendo alguém? Ela vai destruir a reputação da família Cooper! Eu te falei desde o começo, mulher de família pobre não dá certo!
Ligações internacionais? A carta de oferta imediatamente relampejou na minha mente.
— Eu vou voltar e verificar. — Eu desconversei e desliguei na cara.
O que quer que a mamãe tenha dito depois disso, eu não ouvi uma palavra.
Só um pensamento ocupava a minha cabeça — Sophia estava indo embora.
