Capítulo 7 Capítulo 6
CAPÍTULO SEIS
Camila Fernandez
Entrei no banho, e comecei a me preocupar. Por mais que o banho deveria estar me tranquilizando, não está ajudando a melhorar a minha cabeça!
Esse homem cruel acabou de ameaçar a minha mãezinha, e não posso deixar que ele a faça mal, então terei que me casar com ele! Mas... e o Augusto? Todo o amor que eu sinto por ele? E se ele vier atrás de mim, ainda seria pior, pois o tal Dom, certamente o mataria, e eu também não viveria mais tranquila dessa forma.
O que será que está acontecendo lá? A tarde será o horário do meu casamento, e não posso acreditar que me preparei tanto para esse dia, pensando que seria o dia mais feliz da minha vida, e agora estou prestes a entrar no meu próprio funeral, pois esse homem está me matando por dentro! Arrancando todos os meus sonhos com as mãos, achando que é dono do meu destino!
Agora não tenho mais vida, e nem escolhas! Nunca terei a minha tão sonhada primeira vez com o Augusto, e me arrependo de não ter me entregado, pelo menos eu levaria comigo algo a mais dele, e não o tiraria nunca da minha cabeça, pois acredito que do coração será impossível.
Deixo todas as lágrimas saírem e irem embora junto com aquela água.
Dizem que chorar faz bem, não é? A porta do banheiro abriu, e nem me importei com mais nada, deve ser a mesma senhora, com as minhas coisas.
Terminei de enxaguar os meus cabelos castanhos no chuveiro, enquanto a água que saia do chuveiro caia sobre o meu rosto.
Tirei o excesso da água, e fui em direção da mulher para pegar a toalha, pois já fazia mais de uma hora que eu estava ali, com certeza. Mas, levei um susto enorme, com a imagem grande e prepotente do Dom, que me olhava sem nenhum pudor.
— Que isso? Ficou maluco? Como ousa me olhar eu estando sem roupas? — falei puxando a toalha da sua mão com força e o mais rápido que pude me cobri como deu.
— Não se preocupe que daqui a duas horas, eu já estarei olhando e pegando em tudo o que eu quiser, e você não vai poder fazer nada! — disse com um sorriso no canto da boca, e agora seria a última oportunidade de convencer o próprio demônio, que eu não seria a mais indicada para morar no inferno.
— Me deixa, ir! Por favor? Eu tenho uma vida! Já te falei que iria me casar hoje a tarde! O Augusto vai ficar me esperando!
— Calada, garota! Desse jeito você me irrita! Você não tem mais escolha! E não se preocupe que a puta da sua irmã, vai fazer o trabalho direitinho! — falou rindo da minha cara, e as lágrimas voltaram a cair.
— Como assim? Você está mentindo! A minha mãe e o Augusto nunca me trocariam por ela! — falei não conseguindo impedir as lágrimas de caírem, que raiva! Ele fica rindo de mim!
— Talvez não trocariam mesmo, mas eles pensam que é você, então está tudo certo! Olha! — Me mostrou um mini vídeo de alguns segundos, que eu quase me engasguei com o próprio choro ao ver.
Tinha o Augusto, dentro da minha casa, com aquela moça que dizem ser a minha irmã, agarrada no pescoço dele aos beijos, e eles eram de longe, muito mais intensos do que os nossos eram, o que me faz pensar que talvez o Augusto goste mais dela do que de mim, mesmo! E se chegar a descobrir, prefira ela, do que a mim.
Eu não quis mais ver, e precisei sentar no vaso para me acalmar. Estava toda desajeitada, com apenas uma toalha enrolada no corpo, com o rosto inchado de tanto chorar, e abraçada aos meus joelhos, os meus cabelos sem pentear, e caindo desajeitados pelos meus ombros, a minha vida tinha acabado de perder o sentido, e senti vontade de morrer.
Senti o meu corpo ser erguido dali, e eu queria muito matar aquele Dom de uma figa, mas no momento eu não consegui fazer nada, eu estava tão desanimada, que deixei que fizesse o que queria comigo.
Ele me levou na cama, e me entregou uma roupa:
— Olha! Eu vim trazer a sua roupa, na verdade! Pare de chorar! Aquele cara não presta! Eu já ouvi falar dele na máfia, e pelo o que eu sei, ele está jurado de morte na
própria máfia aonde cresceu, por roubo! — disse ele, e não acredito, que ele seja tão baixo, a ficar criando mentiras desse tipo para me tirar do foco, querendo me fazer esquecer o meu Augusto.
— Já chega! Você não deve se garantir, pelo jeito! Precisa ficar inventando mentiras para se safar das merdas que faz! — eu mal terminei de falar, e senti o meu queixo sendo segurado com força, por ele, e um olhar matador sobre mim, acho que falei demais.
— Escuta aqui, garota! Estou pouco me fodendo com o que você acha, ou deixa de achar! Cazzo! Quero você pronta em meia hora, que já tem muita gente esperando! E se não vier, já sabe pra onde eu vou ligar! — disse soltando o meu rosto com raiva, e saindo do quarto enfurecido.
Fiquei pasma sentada na cama, e acho que esse homem é capaz de muita coisa, não devo ficar desafiando ele, mas eu não me aguento, e acabo a falar o que penso. Ele pelo visto vai querer me bater e estuprar, assim como a minha mãe me falou uma vez, sobre esses mafiosos, eu estou muito ferrada.
A senhora de antes, entrou no quarto, e tentou me acalmar:
— Não chore, menina! O Dom Pablo, não é como você pensa, ele tem um bom coração! Ele fica agindo assim, por se sentir ameaçado, ou desafiado, mas se você o tratar bem, ele vai te tratar bem também! — pegou uma maleta que parecia ser maquiagem.
— Ele é muito cruel! Nunca vai me deixar voltar para a minha casa! A minha vida acabou aqui! — falei, desanimada ainda chorando.
— Venha, senhora! Vou te ajudar, pois não poderá atrasar mais, já está toda a máfia italiana no salão, e só falta a senhora! — ela falou delicadamente, e começou a me arrumar.
Ela é muito habilidosa, penteou o meu cabelo, e rapidamente fez uma maquiagem. Depois veio com um secador, secando o meu cabelo, e começou a prender em um penteado semi preso, ela era muito rápida, e deixou muito bonito, quando me olhei no espelho até estranhei, pois nunca me maquiei assim.
Ouvimos duas batidas na porta, e ela foi abrir. Falou algumas palavras em italiano, que eu entendia muito pouco, e pegou o meu vestido de noiva, pois eu nem vesti a roupa que o Dom havia trazido, e ainda estava de toalha.
Ela também me ajudou a vestir, e era maravilhoso o vestido! Eu acho que deveria ter custado uma fortuna, tinham muitas pedras caras, e eu conheço a qualidade dos tecidos, e o modelo era muito moderno.
Ele era de mangas compridas, e bem comportado, ainda bem, pois não gosto de nada que expõe muito. Mas tinha uma renda nobre, e muito delicada com um pouco de transparência nos ombros e braços, todo trabalhado a mão.
Justo no corpo, até a parte dos joelhos, e uma abertura discreta no restante do modelo. Um véu que cobria até o meu rosto, e a coroa combinando com o véu, e o penteado que a nobre senhora havia feito, teria ficado perfeito... se eu não estivesse tão triste!
Coloquei os sapatos, no tom pérola, brilhoso, e me olhando no espelho, até eu achei que parecia uma obra de arte, e por mais que eu havia escolhido o meu vestido, e todos os detalhes dele, esse era muito mais bonito, talvez até por ser bem mais caro!
Olhei para a nobre senhora, e disse:
— Obrigada, senhora! Por mais, que eu não queira me casar com esse homem, a senhora foi muito atenciosa!
— Não, menina! Sou apenas a Elizabeth! Trabalho para a senhora! — falou ela, fazendo uma leve reverência em minha direção.
— Você é gente boa Elizabeth! — falei, com um pequeno sorriso.
— Vamos, menina! Já estamos em cima da hora! — disse ela, me ajudando a sair.
Ela deu uma batida, e a porta foi aberta do quarto. Um homem entregou um buquê de rosas vermelhas lindas, e eu achei perfeito, eu estava perfeita! Só estava no casamento errado, com o homem errado, no lugar errado, e com o destino trocado.
Respirei fundo, e tentei me focar em apenas obedecer aquele homem cruel que destruiu a minha vida! Vou me casar com ele, e proteger a quem eu amo.
Aquele lugar era enorme, e andamos por uns dez minutos naquela residência, que mais parecia um castelo e vi que o tal salão era no lado externo da então “casa”, e as portas estavam fechadas esperando a minha entrada.
Ouvi uma música que eu não conheço tocando, e a porta foi aberta, eram aquelas antigas, que abrem para os dois lados, toda branca, e fiquei abismada com o tanto de pessoas no local.
O lugar era lindo, mas eu não conhecia ninguém além do cruel Dom Pablo Strondda, e eu estava tremendo bastante, sentindo as minhas pernas bambas, e com muito medo do que estaria por vir.
Dei um passo de cada vez, bem devagar, eu estava muito séria, tentando me conter e ser forte, preciso ser forte!
Cheguei até o Dom, e ele segurou a minha mão, parecia feliz, não entendi, agora pouco queria me matar! Agora está... feliz?
Um homem esquisito, que eu nem sei o que era, não parecia padre, nem pastor, começou a falar um monte de coisas em italiano, e eu não entendi nada.
A minha mente viajou no tempo, e comecei a me lembrar de todos os momentos bons vividos até aqui, a minha mãe, a sorveteria, os poucos e fiéis amigos, e o Augusto que eu tanto amo, e tanto sonhei em me casar, e viver o resto da minha vida com ele. Sonhei em ter filhos, uma família grande... preciso parar com isso, não vou chorar aqui.
A minha respiração estava bem acelerada, e eu não entendia nada, até a hora da pergunta, que eu consegui entender um pouquinho:
— Camila Fernandez, è di sua spontanea volontà, che accetta di sposare Dom Pablo Strondda? (Camila Fernandez, é de sua livre e espontânea vontade que aceita se casar com Dom Pablo Strondda?)
— Sim! — Respondi, apenas.
— Dom Pablo Strondda, è di sua spontanea volontà, che accetta di sposare Camila Fernandez? (Dom Pablo Strondda, é de sua livre e espontânea vontade que aceita se casar com Camila Fernandez? — Perguntou para o Dom.
— Sim! — Respondeu, apenas.
O homem falou mais algumas coisas, e vieram alianças por um homem muito velho, com uma roupa diferente, e o Dom pegou e colocou no meu dedo e no dele, sem esperar qualquer reação minha, e cheguei a fechar os olhos, com a dor forte no meu peito.
Foram dadas as palavras finais, e só agora percebi que todos esperavam o beijo, e eu teria que beijar o meu próprio inimigo. O meu estômago borbulhou, mas o Dom me puxou para um beijo, e eu fui obrigada a aceitar.
Todos estavam olhando, e seria muito feio para ele ser rejeitado como Don, e não preciso entender tanto do assunto, para saber disso, e se eu ousasse rejeitar, provavelmente pagaria caro por isso!
O homem por ser um arrogante completo, tem uma pegada boa, e confesso que até me confundiu. Acho que ele queria mostrar quem manda, pois me beijou pra valer, e nem o Augusto que andou se passando essa semana, não chegou a tanto, me deixando bamba.
Que ódio de mim! Eu nem gostei do beijo, e fiquei lá grudada no cara que ainda pensa em me matar, e matar a minha família, acho que a loucura dele, já deve estar me afetando, só pode!
O homem me fez virar para trás, igual vara verde, e me deixou sem fôlego, segurando o meu rosto com cuidado, como se já me conhecesse... quando parou, fiquei pasma feito uma mula, e assustada.
Devo ter arregalado os olhos, e agora se eu quisesse provar a alguém que estou sendo forçada, garanto que qualquer um desse salão, diria que estou mentindo! Droga! Só faço merda!
