Capítulo 1

“Não havia nada mais irônico do que sentar sozinha diante de uma ampla mesa de mármore, encarando uma pilha de sobras, enquanto seu marido se divertia com a amante no dia do sexto aniversário de casamento.”

O coração de Amara chorava. Ela sentia o peito tão frio quanto a comida à sua frente naquele momento. Um dia, acreditou que o marido ao menos se lembraria de seu dever naquela data especial, mas essa esperança se despedaçou quando recebeu as fotos de seu investigador particular.

Ele e a amante estavam tendo um jantar à luz de velas ao lado de uma janela do chão ao teto. Com a mulher nos braços, ele exibia um sorriso cheio de ternura.

Durante todos os seis anos de casamento, Tobias nunca sequer lhe mostrara aquele sorriso suave. Sempre a tratava com uma expressão fria e séria. Eu sabia que nosso casamento não começara por amor, mas por um contrato. Ainda assim, desde o primeiro momento em que o conheci, quando eu era adolescente, ele levou meu coração.

Tobias William Larsen, um nome conhecido em todo o país. Além da aparência impecável, sua mente brilhante o tornava ainda mais encantador. Inúmeras mulheres sonhavam com um romance doce com o herdeiro perfeito da Labyrinth, mas ele se casou jovem. E o que fascinava ainda mais as mulheres era o fato de ele também ser um marido dedicado. Desde seu casamento com aquela esposa misteriosa, nunca se envolvera em um único escândalo. Que mulher não desejaria um homem assim?

Mas só Amara sabia qual era a verdade. O casamento deles era apenas um adorno para a boa reputação dele. Tobias precisava de um casamento estável para construir uma imagem confiável diante do mundo, porém, quando estavam sozinhos, ele não se dava ao trabalho de lhe lançar mais que um olhar. Ela nunca teve seu cuidado, muito menos seu amor. O amor de Tobias pertencia apenas àquela mulher.

A mulher na foto e seu primeiro amor, Celestine.

E era isso que destruía Amara. Não importava o quanto tivesse se sacrificado por ele, Tobias não conseguia sentir amor por ela. No entanto, bastava um sorriso ou uma lágrima de Celestine para que ele voltasse para ela, independentemente do quanto ela o tivesse ferido seis anos antes.

Ampliando a foto, Amara tentou procurar nem que fosse um traço de culpa no rosto dele, mas fracassou de novo. Ela sabia que seu casamento enfrentaria desafios desde que Gustavo, o avô de Tobias, morrera, mas não esperava que fosse tão cedo. Tobias mal podia esperar para recuperar seu primeiro amor, mesmo que isso fosse um golpe em sua reputação tão arduamente construída.

[Como é ser deixada sozinha no aniversário de casamento?]

De repente, ela recebeu uma mensagem de texto de um número desconhecido em seu celular e, pelo tom cruel há muito familiar, Amara não precisou pensar para reconhecer que era de Celestine.

[Você achou que tinha vencido depois dos seus truques patéticos para forçar Tobias a me deixar, agora o velho se foi e ninguém vai ficar do seu lado! Vamos esperar para ver, Amara. Seus dias de glória estão chegando ao fim!]

[Aproveite seu último momento como Sra. Larsen, porque em breve esse lugar será meu!]

Rangendo os dentes, Amara conseguia imaginar a expressão presunçosa no rosto de Celestine. Como aquela vadia podia distorcer a verdade com tamanha falta de vergonha? Ela nunca forçou Tobias a terminar com Celestine, e fora a própria Celestine quem abandonara Tobias por uma grande fortuna. Ela falhou no teste de Gustavo e agora queria jogar toda a culpa em Amara! Como tinha coragem?

Amara ainda se lembrava do que Gustavo lhe dissera em seu leito de morte. O velho queria que ela protegesse seu neto, que se agarrasse a esse casamento. Amara não sabia o que Gustavo tinha visto nela, mas até o último momento ele continuou acreditando que Amara era a única capaz de trazer felicidade a Tobias. Era difícil para Amara recusar um pedido de um homem tão bondoso. Gustavo foi o único na família Larsen que a tratou bem e, se ele não lhe tivesse dado um lugar para ficar, Amara dificilmente teria sobrevivido até o dia em que se reuniu com sua família.

Afastando os pensamentos confusos, Amara mandou uma mensagem para o marido. E tinha certeza de que Tobias voltaria para casa no mesmo instante.

Em menos de meia hora, a porta do quarto foi escancarada por Tobias, e o que ela encontrou foi o rosto furioso dele. Tobias caminhou até ela e a empurrou sobre a cama enquanto arrancava sua camisola.

— Tobias! — ela gritou, tentando detê-lo. Não o chamara de volta para fazer sexo; chamara porque queria conversar. Se estavam destinados a fracassar, Gustavo, ela esperava ao menos que o casamento deles terminasse de forma digna.

O homem sobre ela, porém, não se deu ao trabalho de responder. Em vez disso, começou a mordiscar sua orelha, chupando e mordendo a pele sensível até que ela se contorcesse sob ele.

— A-ah, Tobias... — chamou, a voz saindo entrecortada enquanto tentava empurrá-lo para longe.

Ele rosnou, claramente irritado com suas tentativas, e, sem hesitar, prendeu os braços dela acima da cabeça, segurando seus pulsos com uma das mãos enquanto a outra deslizava por seu corpo, parando apenas para beliscar e brincar com seus mamilos sensíveis antes de descer mais, até esfregar o tecido da calcinha.

— Ah... — Amara gemeu, incapaz de se conter.

No instante em que o dedo de Tobias tocou seu clitóris sensível, ela sentiu o corpo inteiro enrijecer. Mas, é claro, Tobias não se importou, continuando a provocá-la, acariciando seu clitóris até sua calcinha ficar encharcada e suas coxas tremerem.

— T-Tobias... — ela choramingou, a voz cheia do prazer que crescia rapidamente dentro dela, e logo, sob a orientação das mãos habilidosas de Tobias, Amara atingiu o auge do êxtase.

Ofegante, Amara mal teve tempo de processar tudo o que acontecera quando sentiu o membro rígido de Tobias penetrá-la, alargando-a para acomodar seu tamanho.

— Ah... — ela gemeu, os olhos se fechando lentamente.

Tobias soltou um gemido grave e rouco que fez seu interior se contrair e seu ventre pulsar. Ele enterrou o rosto na curva de seu pescoço, mordiscando e sugando a pele sensível enquanto puxava quase todo o comprimento para fora antes de enfiá-lo de volta com força.

Amara gemeu e se contorceu, levando as mãos até os cabelos dele. Puxou os fios castanhos e macios, os dedos se abrindo e se fechando.

O quarto se encheu com o som de pele batendo contra pele, os gemidos de Amara e o ranger da cama sob o peso dos dois.

E, enquanto tudo isso acontecia, Amara sentia seus sentimentos entrarem em conflito. Mais cedo, estava magoada, irritada e furiosa com todas as atitudes de Tobias, mas agora, com o corpo quente dele cobrindo o seu e seu tamanho enterrado profundamente dentro dela, alargando-a, fazendo-a sentir todo tipo de prazer, ela não conseguia encontrar forças para continuar com raiva ou magoada.

Em vez disso, sentia-se amada.

Era tolice, mas ela queria acreditar que talvez, só talvez, Tobias não tivesse voltado para casa por causa da mensagem que ela enviara, mas porque era o aniversário de casamento deles e ele queria fazê-la se sentir amada e desejada.

Com esse pensamento em mente, ela envolveu a cintura dele com as pernas, puxando-o para mais perto e mais fundo dentro dela.

Tobias gemeu, acelerando o movimento dos quadris.

Amara soltou um grito, as paredes de seu corpo se apertando ao redor dele, puxando-o ainda mais para dentro.

— To-Tobias, eu vou... — Amara gaguejou, o fôlego prendendo na garganta ao sentir o orgasmo se aproximar.

— Pode gozar. — Tobias rosnou, a voz baixa e rouca.

E então ele fez algo que não fazia havia muito tempo: inclinou-se e tomou os lábios dela num beijo, inflando toda a esperança que ela ainda tinha para o casamento deles.

Não demorou para que o corpo inteiro dela se retesasse, seus olhos se fechassem com força, suas unhas cravassem na pele dele, e ela atingisse o clímax.

Tobias não parou.

Continuou investindo, os movimentos ficando cada vez mais frenéticos até que seu próprio ápice veio logo em seguida.

Exausto, ele saiu de dentro dela e rolou para o lado, deitando-se no espaço ao lado dela.

Por um momento, a única coisa que Amara conseguiu ouvir foi a respiração ofegante dos dois e o som de seus batimentos cardíacos. Ainda assim, as palavras que ele disse em seguida pareceram uma faca afiada cravada em seu coração.

— Não há mais necessidade de sustentar essa vergonha de casamento, Amara. Vamos nos divorciar.

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