Capítulo 6

Já fazia vários dias desde que Amara enviara os papéis do divórcio, mas ainda não havia resposta. Andando de um lado para o outro diante da janela, Amara ligou para seu advogado, Philip.

— Larsen ainda não assinou?

— Minhas desculpas, Srta. Crawford — Philip suspirou do outro lado da linha. — Tenho pressionado o lado do Sr. Larsen, mas eles simplesmente nos ignoraram. Estou entrando com os procedimentos judiciais para a senhora, mas também encontramos resistência. O juiz sugere que a senhora se comunique primeiro com o Sr. Larsen.

Ao ouvir aquilo, Amara soltou uma risada de pura raiva. O que Tobias estava fazendo agora? Ele tinha sido o primeiro a pedir o divórcio, e agora que ela estava lhe dando exatamente o que queria, ele começava a atrapalhá-la de todas as formas possíveis. Qual era o problema dele?!!

Respirando fundo, Amara se acalmou. Se ele queria jogar, ela também sabia jogar.

— Entendi, Philip. Vou falar com Larsen mais tarde.

Amara pegou a bolsa e foi para a empresa de Tobias, a Labyrinth.

Mal tinha atravessado as portas giratórias quando ouviu uma voz bastante familiar soar atrás dela.

— Amara?

Contra o próprio bom senso, Amara se virou e deu de cara com dois rostos irritantes. Fiona e Giselle Larsen, irmã e mãe de Tobias. E o motivo extra para sua dor naquele casamento. Fiona e Giselle nunca gostaram de Amara, pois acreditavam que uma garota “órfã” como ela jamais combinaria com um homem perfeito como Tobias.

— Que diabos você está fazendo aqui, garota? — perguntou Giselle, avançando e agarrando o pulso de Amara com força. Ela a examinou de cima a baixo antes de soltar um muxoxo. — E vestida como uma empregada? Quer desonrar meu filho?

Vestida como uma empregada? Amara realmente não achava que a roupa que usava — uma calça jeans azul de cintura alta, uma blusa branca por baixo e um cardigã listrado — fosse algo apropriado para uma empregada.

Mas, enfim, estavam falando de Giselle Larsen; a mulher iria até as últimas consequências para diminuir Amara.

Só que, desta vez, Amara não ficaria ali parada ouvindo aquelas palavras. Com firmeza, soltou a mão, surpreendendo Giselle e Fiona.

— Eu tomaria cuidado com o que digo, se fosse você.

Suas palavras, frias e desrespeitosas aos ouvidos de Giselle, fizeram os olhos da mulher se arregalarem em surpresa.

Amara tinha mesmo respondido? E daquele jeito?!

— Olhem só essa coisinha rude e insolente! — ela vociferou. — Você se esqueceu do seu lugar na vida do meu filho? Como ousa ser tão arrogante comigo?

Amara permaneceu em silêncio, mas o olhar gelado que lançou para mãe e filha foi o suficiente para irritá-las.

— Essa vadia parece ter se esquecido da vida miserável que deveria ter — Fiona zombou, os olhos cor de tanzanita brilhando de ódio. — Se não fosse o vovô tê-la acolhido, como você estaria viva até hoje?

— Vá embora, agora — exigiu Giselle; as palavras da filha lhe trouxeram de volta lembranças desagradáveis. — Não fique importunando meu filho. Fique em casa, ou então vou pedir ao meu filho que se divorcie...

— Não vai ser necessário — Amara interrompeu. Ela ergueu o envelope pardo. — Assim que isso estiver assinado, não vou querer mais nada com vocês, da família Larsen. Não vou nem olhar na cara de vocês, mesmo que me implorem.

— O quê?! — Fiona e Giselle trocaram olhares cheios de incredulidade. Como Amara ousava pedir o divórcio?

Antes que qualquer uma das duas tivesse a chance de questionar Amara, as portas giratórias rodaram, e de lá saíram vários guarda-costas de preto; no meio deles, protegido como um tesouro nacional, estavam Tobias e um homem de meia-idade.

— O que está acontecendo aqui? — Tobias franziu a testa ao notar algumas pessoas bloqueando a passagem. Com Timothy Carson, seu valioso cliente, ao lado, ele não queria que ninguém nem nada arruinasse seus negócios.

Ao som da voz dele, todas as mulheres se viraram em sua direção. E, ao ver Amara, Tobias sentiu uma sensação de vitória inflar em seu peito. Viu? Tudo o que ele tinha feito era um pequeno truque, e ela viria se render. O sugar daddy dela não passava de algum novo-rico sem coragem de enfrentá-lo.

— Essa mulher está louca, irmão — Fiona falou antes de qualquer outra pessoa. Sua voz era tão alta que parecia que ela estava tentando explicar a situação para uma equipe inteira, e não para uma única pessoa. — Ela disse que veio aqui para se divorciar de você! Que ridículo!

O rosto de Tobias escureceu na mesma hora. Amara se aproximou dele de cabeça erguida, entregando-lhe os papéis do divórcio assim que parou bem à sua frente.

— Você acha que eu viria até aqui para implorar para você? — Amara soltou uma risada curta. — Você não é a última bolacha do pacote, então sugiro que desça do salto. Ah, e já que estamos nisso, não se esqueça de aparecer na audiência.

Os olhos de Tobias estremeceram, claramente irritado. Desdenhando da expressão fácil de decifrar dele, Amara se virou e começou a ir embora. No entanto, Giselle de repente a segurou e lhe deu um tapa.

— Como você ousa, sua vadia, falar com meu filho desse jeito?!

Esse tapa foi dado com toda a força. Amara sentiu uma dor ardida no rosto. Ela olhou para Tobias, cujo olhar de reprovação estava fixo na mãe, mas ele apenas ficou ali, sem dar um passo à frente para defendê-la.

— Pá! — Sem pensar duas vezes, Amara devolveu o tapa em Giselle. Ela já tinha pensado em contar a Tobias como Giselle e Fiona a humilhavam e maltratavam. No entanto, Tobias sempre fora indiferente com ela. Amara temia que ele passasse a desgostar ainda mais dela se fizesse isso.

“Nunca que ele vai me defender. Eu tenho que me proteger!” Amara percebeu isso com amargura.

— Amara! Que porra você está fazendo?! — Tobias gritou, furioso. Ele acreditava que aquela era a primeira vez que sua mãe tinha batido em Amara. Como Amara podia machucar sua mãe?

— Esta é só a primeira vez que eu revidei. Comparado à humilhação que já suportei antes, ela ainda me deve muito — disse Amara com uma risada fria, sem desviar o olhar.

— Quer dizer que minha mãe batia em você com frequência? — Tobias franziu a testa. Ele sabia que sua mãe não gostava de Amara, mas acreditava que ela era uma mulher bondosa. Talvez visse Amara como uma interesseira e a tratasse com frieza, mas nunca imaginou que ela levantaria a mão contra Amara.

— Sua vadia! Como você se atreve a bater na minha mãe?! — Fiona quis encobrir a verdade, então guinchou e tentou dar outro tapa em Amara, mas Tobias agarrou seu braço. — Chega! Estamos no escritório! Você quer que os funcionários vejam a vergonha da nossa família?!

— Irmão, você está mesmo defendendo a Amara? Essa louca bateu na mamãe, a gente devia mandar ela para a cadeia! — Fiona berrou, agitando os braços, ainda querendo arranhar o rosto de Amara.

— Segurança! — Tobias chamou os seguranças. Seu sócio, Timothy Carson, ainda estava presente. Ele não permitiria que o parceiro usasse aquilo como argumento para baixar os preços.

— Sr. Larsen, é assim que o senhor administra sua família? Deixando sua mãe e sua irmã intimidarem sua esposa? — Timothy Carson, que estivera observando em silêncio, finalmente franziu a testa. Ele tinha reconhecido Amara no mesmo instante em que a viu. O avô dela era um grande amigo seu. Embora Amara estivesse desaparecida havia seis anos, ele ainda a reconheceu imediatamente, porque seu amigo sempre falava dela. Mas ele supôs que seu amigo jamais imaginou que sua amada neta — Amara — acabaria presa a um casamento tão miserável.

Será que a família Larsen sabia o que estava fazendo? Quem lhes deu a ousadia de intimidar a única filha da família Crawford? Se Elvis Crawford soubesse disso, acabaria com eles!

— Não é à toa que esta senhora quer se divorciar de você — Timothy bufou. — Preciso reconsiderar nossa parceria com sua empresa.

As palavras dele fizeram Fiona e Giselle entrarem em pânico; seus rostos congelaram em choque enquanto olhavam nervosamente para Tobias, cujo semblante empalideceu.

Tobias não gostou que seu sócio se intrometesse em assuntos de família, mas se lembrou das palavras de Amara. Ele olhou para a mãe e para a irmã.

— Saiam daqui agora mesmo, ou eu corto o sustento de vocês.

Giselle e Fiona continuaram chamando Amara de vadia enquanto saíam, furiosas.

Amara ficou confusa sobre o motivo de Tobias tê-la defendido. Talvez ele só se importasse com a reputação da empresa. Lembrando-se do motivo que a levara até ali, Amara disse a Tobias:

— Não se esqueça de comparecer à audiência na segunda-feira de manhã. Fora isso, não quero ver ninguém da família Larsen. Nem por um minuto.

Quando Amara estava prestes a ir embora, Tobias a agarrou pelo braço. Ao ver a marca nítida de mão em sua bochecha, um lampejo de culpa passou por ele. Em um tom falsamente gentil, disse: “Vá para o meu escritório, tem pomada lá.”

“Não precisa.” Amara afastou a mão de Tobias com frieza. “Por favor, para de fingir. A única coisa que você precisa fazer é finalizar nosso divórcio!” Depois disso, ela foi embora sem esperar Tobias responder.

“Amara... aonde você vai? Quer uma carona?” Timothy chamou ao vê-la parada na beira da estrada. Amara reconheceu imediatamente o velho amigo de seu avô.

Mas recusou a gentileza dele, pedindo a Timothy que não contasse ao avô pelo que ela tinha passado. Seu carro chegou e, assim que entrou, ela invadiu o computador de Tobias pelo celular.

Então usou o e-mail de Tobias para enviar aquela foto íntima dele com Celestine para um jornal de entretenimento. Ela tinha certeza de que Tobias concordaria com o divórcio depois disso.

——

No escritório, Tobias encarava o acordo de divórcio. Ela não queria um único centavo dele, o que surpreendeu o advogado que o analisou. Ainda assim, ele acreditava que as coisas não seriam tão simples. Ele discou o número de seu investigador particular, James.

A ligação foi atendida imediatamente. “Senhor?”

“Suas vinte e quatro horas expiraram ontem às nove da noite, James. Está testando a minha paciência ou simplesmente se cansou de tudo o que construiu aqui em Londres?”

“N-não. Não é nada disso, Sr. Larsen. Por favor, me perdoe por não ter ligado antes, mas...” James hesitou.

“Mas?”

“Eu... encontrei um pequeno problema enquanto reunia informações sobre a Sra. Larsen—”

“Que problema foi esse?”

“As informações mais sensíveis da Sra. Amara estão sendo fortemente protegidas!” James admitiu rapidamente.

Tobias não conseguiu impedir que suas sobrancelhas se franzissem. “O quê?”

“É exatamente como o senhor ouviu, Sr. Larsen. Algum poder misterioso está protegendo as informações da Sra. Larsen. Mas não se preocupe, Sr. Larsen, eu posso—”

Tobias desligou antes que James pudesse terminar o que estava dizendo e bateu o celular na mesa.

Incompetentes! pensou. Todos eles eram incompetentes da porra. Você dá uma única tarefa e eles falham miseravelmente!

Tudo aquilo estava começando a irritá-lo profundamente. Não conseguira adquirir a empresa de Melanie e agora também não conseguia informações sobre Amara.

Ele lançou um olhar para o envelope pardo sobre a mesa, que continha os papéis do divórcio, e o encarou com raiva.

Tudo estava dando nos nervos dele. Por que as coisas continuavam dando errado depois que ele pediu o divórcio?

“Quanto você tem escondido de mim, Amara?!”

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