Capítulo 1 parte - 1
Angelina
— Pronta? — Frederic, nosso chefe de segurança, pergunta da parte inferior da casa.
— Quase! — grito em resposta, terminando de contornar meus lábios com um batom vermelho sangue.
Me olho no espelho e curvo os lábios em um sorriso bem sexy, para a morena refletida nele. Estou literalmente vestida para matar. Um vestido preto justo, com um decote arrasador, que vai até um pouco acima da minha barriga, contorna perfeitamente todas as curvas do meu corpo. Escondo por debaixo do vestido um suporte de perna para armas, com uma pistola P320 e uma faca, com esses equipamentos, sinto-me ainda mais poderosa, do que qualquer roupa ou acessório possa me deixar.
Deixei meus longos fios negros soltos, com leves ondas. Fiz também uma maquiagem bem destacada, não extravagante, mas que me deixasse ainda mais sexy. Não preciso de muita coisa, sei o quão linda sou, e sim, tenho a autoestima lá no alto, não preciso de nenhum homem para dizer o que vejo todo dia através do espelho. Para completar o look, coloco meu salto fino, também preto, embelezando ainda mais minhas belíssimas pernas, levemente torneadas.
Quem vê de longe, acredita que sou apenas uma jovem indo a uma festa de gala e talvez rolando numa cama com um homem, em uma noite de puro prazer.
Borrifo o meu perfume, pego a pequena bolsa de mão e coloco meu celular, saindo do quarto em seguida. Desço a pequena escada da casa, deslizando a mão pelo corrimão, dando de cara com a nossa equipe no hall de entrada, estavam todos à nossa espera.
Ganho o olhar de todos, alguns dos nossos homens tentam disfarçar a olhada, porque sabem como é o meu pai, sempre diz que não sou para o bico de nenhum deles e exige respeito.
— Está linda. — Frederic comenta, soltando uma piscadinha. Sinto malícia em seu tom de voz.
Eu e o Frederic já tivemos um rolo, porém, não durou muito, porque ele quer um relacionamento sério e eu não sou disso. Amo demais a minha liberdade.
— Eu sei. — respondo o elogio com um sorriso de lado e pisco de volta.
— Gosto da sua modéstia. — fala sarcástico e dou de ombros.
— Vem cá, Angel.
Papai me chama e me entrega uma escuta, que imediatamente coloco no ouvido, escondendo com o cabelo.
— Tem certeza que darão conta?
— Claro, papai. Voltarei para casa com uma cabeça na bandeja. — solto uma gargalhada.
— Angel... — papai me repreende.
— Fica tranquilo, senhor Becker. Tudo sairá como planejamos, ficarei na cola da Angel. — Frederic como sempre, puxando o saco do meu pai, achando ele que isso me atrai. Reviro os olhos.
Repassamos mais uma vez o plano todo e só depois de ter certeza que estou pronta, papai me deixa ir. Colocamos a máscara, pois, coincidentemente, a festa que iremos é um baile de máscaras, tornando a situação ainda mais propícia.
Papai sabe que já estou mais do que acostumada em fazer coisas assim, todavia, ainda me enxerga como uma menina. Espero que ele só não se esqueça de tudo que me ensinou ao longo da vida e que essa menina aqui vai herdar o seu lugar como a chefe de uma das máfias mais poderosas do mundo, espero a minha vida toda por esse momento.
— Estão escutando? — pergunto para confirmar, saindo do carro.
— Estamos sim, pode prosseguir.
Entrego a chave para o manobrista e sigo o meu caminho até o imenso salão, tendo a minha entrada liberada assim que passo por ela.
Observo o local — que já estava cheio — à procura da minha vítima, porém, não o encontro.
— Algum sinal do traidor? — ouço Frederic através da escuta.
— Ainda não, continuarei procurando.
Ando mais um pouco, sentando na mesa reservada para mim e mais alguns convidados. Meu parceiro chega minutos depois. Fingimos ser um casal para que ninguém desconfie sobre o que viemos fazer aqui. Um homem, que logo reconheço como sendo o filho da puta que viemos pegar, obviamente não me reconhece devido à máscara, se junta a nós, na mesa.
O mesmo não para de me encarar, pensando ele estar me seduzindo. E eu, como uma ótima atriz que sou, deixo minha diva interior começar a agir, entrando no papel.
— Vou ali pegar uma bebida, já volto. — mordo o canto do lábio inferior e sorrio disfarçadamente para o ordinário.
Já na mesa de bebidas, pego um copo para me servir.
— Como uma mulher tão bonita, pode estar ao lado de um homem sem prestígios como aquele? — aponta para o Frederic com a cabeça, enquanto se serve de uma boa dose de whisky com limão. Sorrio sedutora.
— Como sabe que sou bonita? Não dá para ver o meu rosto...
— Com esse corpo — percorre meu corpo inteiro com os olhos — É impossível que não haja uma bela mulher por detrás dessa máscara.
— Hum... Interessante a sua percepção das coisas. — tomo um gole do meu drink e passo a língua nos lábios.
— Será que a donzela me daria a honra de uma dança?
Reviro os olhos. Esses homens são tão previsíveis.
— Isso se o seu namorado não se importar...
— Não se preocupe com isso, não somos namorados.
— Excelente notícia.
Deixo o copo sobre a mesa, ele faz o mesmo, me guiando para o meio do salão. Coloca a mão em minha lombar e a outra eu seguro, imediatamente a música muda, para um ritmo lento e sensual.
— Desculpe a indelicadeza, mas não perguntei seu nome... — sua voz soa rouca bem rente ao meu ouvido.
— Se eu te falasse, teria que matar você... — respondo sussurrando. O mesmo solta um risinho contido.
— Mulher misteriosa... Gostei disso.
Continuamos dançando, faço de tudo para provocá-lo, passando minhas unhas em seu pescoço, dando leves arranhadas e ficando o mais próximo possível do seu corpo, noto suas reações, mesmo por debaixo da máscara, é notório seu desejo por mim.
— Que tal sairmos daqui? — sugere, raspando a barba fina em meu ouvido.
— Achei que teria que convidar... Vamos!
Antes de sair, passo pelo Frederic, que via toda a cena atentamente, tocando em sua mão de modo que ninguém perceba. Ele logo entende o recado, esperando apenas sairmos de sua vista para nos seguir.
