Capítulo 5 Capítulo 4 - parte 1
Angelina
Após a conversa que tive com o papai, consegui me redimir, confesso que não foi nada fácil, agora tenho que fazer de tudo para não quebrar sua confiança outra vez. Hoje teremos uma reunião, juntamente com o tio Andrey e o idiota do meu primo, Maksimo, que não vê a hora de tomar meu lugar como herdeira do papai, sendo chefe da Bratva.
Por esse motivo, daqui para a frente preciso calcular minuciosamente cada passo meu, é o meu futuro que está em jogo e não irei abrir mão jamais, do que lutei tanto para conseguir.
Aos meus quinze anos de idade, alguns anos após a morte da mamãe, estava vendo o treino dos homens da nossa organização, meus olhos brilhavam com cada soco que um traidor recebia, cada pessoa que era torturada, quando nossos homens faziam justiça com as próprias mãos, ou até mesmo quando algum desses nojentos estupravam uma mulher, somente por diversão, aquilo me enojava.
Então descobri que nem sempre a lei irá prevalecer, pois, na maioria das vezes, os homens tem muito mais poder no mundo. Foi a partir desse momento, que decidi quem eu queria ser, queria lutar contra esse tipo de homem que se acha o fo.dão somente por ter um pê.nis no meio das pernas.
Foi bem difícil convencer o papai a aceitar essa decisão, porém, ele sabia o quanto me pareço com minha mãe, pelo que me conta, ela era uma mulher extraordinária, cheia de garra e determinação e morreu sendo o orgulho da Bratva, queria muito ter visto ela em ação, devia ser o máximo. Mas como sabemos, querer não é poder. Isso só fez com que eu tivesse ainda mais certeza do que eu queria, então, após muita insistência de minha parte, ele finalmente aceitou.
Estamos na sala de reuniões da Bratva, somente aguardando a chegada do Thomaz e seu pai, que são de extrema importância para essa reunião. O Thomaz, como sempre, adentra o local se sentindo o poderoso chefão, reviro os olhos. Seu pai está logo atrás.
— Já que estão todos aqui, vamos começar — papai se pronuncia, assim que os dois homens tomam seus lugares — Antes de qualquer coisa, vocês precisam saber que apesar do Nikolai não ter planejado tudo sozinho, ele é bastante esperto e, certamente vai perceber que estão atrás dele, caso não tenhamos um bom plano.
— O que sugere, papai? — coloco o dedo nos lábios entreabertos, esperando por uma resposta.
— Haverá um baile de máscaras hoje a noite... — sorrio de lado, bem atenta ao que ele irá dizer — E Nikolai estará presente, o que faz com que a situação seja perfeita para pegá-lo.
— A pergunta é, quem irá coordenar essa missão? — Thomaz tem um olhar presunçoso. Ele pergunta ao papai, mas olha para mim, como se me desafiasse.
— A Angel, é claro. — papai lhe responde com seriedade, sem vacilar a voz.
— Com todo respeito, Mikhail... Mas tem certeza dessa decisão? — crispo os os olhos e respiro fundo, pois, no fundo minha vontade era enfiar uma faca no pescoço dele e vê-lo agonizando até a morte.
— Thomaz... — tio Andrey lhe repreende, o que me faz rir por dentro.
— Desculpa, papai... É que se trata de uma missão muito séria e não acho que a Angelina esteja preparada para isso.
Nesse momento meu sangue começa a ferver, ainda assim, tento me manter calma para não colocar tudo a perder.
— Está equivocado, Thomaz. Conheço a minha filha e, apesar de saber o quanto é geniosa e um tanto impulsiva, ela foi treinada pessoalmente por mim. É tão capaz quanto qualquer outro nessa sala de comandar essa missão. — não esperava essa resposta vinda do meu pai, não depois de tudo o que fiz.
— Concordo com Mikhail, Thomaz. Já chega! — vejo seu filho bufar, insatisfeito.
— Frederic vai junto, assim como toda a equipe dela. O Maksimo, primo da Angel, ficará de prontidão. Se alguma coisa der errado, ele estará pronto para agir.
Meu primo assente com um menear de cabeça.
Depois de ter todo o plano arquitetado, é hora de me preparar para colocá-lo em ação. Subo a escada até o meu quarto, escolho uma roupa bem provocante, deixando-a em cima da cama, tomo um belo banho, usando todos os cremes que tenho direito, essa noite preciso estar literalmente vestida para matar.
Passados alguns minutos, saio da suíte, secando bem o meu corpo e meus cabelos, visto a roupa que escolhi, perfeita para a ocasião. É um vestido preto justo, com um decote arrasador, que vai até um pouco acima da minha barriga, contorna perfeitamente todas as curvas do meu corpo. Escondo debaixo do vestido um suporte de perna para armas, com uma pistola P320 e uma faca fina e pontiaguda, porém, muito precisa.
Com esses equipamentos, sinto-me ainda mais poderosa, do que qualquer roupa ou acessório possa me deixar.
— Pronta? — Frederic pergunta quase gritando, da parte inferior da casa.
— Quase! — grito em resposta, terminando de contornar meus lábios com um batom vermelho sangue.
Me olho no espelho e curvo os lábios em um sorriso bem sexy, para a morena refletida nele.
Deixei meus longos fios negros, soltos, com leves ondas. Fiz também uma maquiagem bem destacada, não extravagante, mas que me deixasse ainda mais sexy. Não preciso de muita coisa, sei o quão linda sou, e sim, tenho a autoestima lá no alto, não preciso de nenhum homem para dizer o que vejo todo dia através do espelho. Para completar o look, coloco meu salto fino, também preto, embelezando ainda mais minhas belíssimas pernas levemente torneadas.
Quem vê de longe acredita que sou apenas uma jovem, indo a uma festa de gala e talvez rolando numa cama com um homem, em uma noite de puro prazer.
Borrifo o meu perfume, pego a pequena bolsa de mão e coloco meu celular, saindo do quarto, em seguida. Desço a pequena escada da casa, deslizando a mão pelo corrimão, dando de cara com a nossa equipe no hall de entrada, estavam todos a nossa espera.
Ganho o olhar de todos, inclusive do meu primo Maksimo — que é um canalha. Não sei como meu pai consegue confiar nele, nunca senti segurança em tê-lo por perto — alguns dos nossos homens tentam disfarçar a olhada, porque sabem como é o meu pai, sempre diz que não sou para o bico de nenhum deles e exige respeito.
— Está linda. — Frederic comenta, soltando uma piscadinha. Sinto malícia em seu tom de voz.
Eu e o Frederic já tivemos um rolo, porém, não durou muito, porque ele quer um relacionamento sério e eu não sou disso. Amo demais a minha liberdade.
— Eu sei. — respondo o elogio com um sorriso de lado e pisco de volta.
— Gosto da sua modéstia. — fala sarcástico, dou de ombros.
