Capítulo 6

POV de Brianna

"Você fez mesmo isso? Está falando sério, Bree? Ou está só me pregando uma peça?"

Lancei um sorriso debochado para Kate.

"Você acha que estou brincando? É sério, Kate. Vou me divorciar dele."

Kate caiu na gargalhada, atraindo os olhares das outras pessoas no Eros, a boate onde estávamos bebendo. Também ri e levei o Bloody Mary aos lábios para dar um gole.

Ela voltou a rir e bateu palmas, balançando a cabeça.

"Meu Deus! Isso merece uma comemoração, Bree!"

"Foi por isso que trouxe você aqui." Pisquei para ela.

"Então vamos dançar!"

Kate agarrou meu pulso e me arrastou para a pista de dança.

Meus olhos se encheram de lágrimas quando ela segurou minhas mãos. Na noite em que morri, nós também tínhamos nos encontrado naquele bar. Se Deus não tivesse me dado uma segunda chance, eu nunca mais veria Kate.

Só de pensar no quanto ela teria se culpado ao saber da minha morte, eu estremecia. Sabia que ela enfrentaria Cain até a morte, mas a raiva e a culpa também poderiam consumir minha melhor amiga.

Eu não queria que isso acontecesse.

Por sorte, eu tinha voltado. Ainda havia tempo para corrigir meu caminho. Eu não daria a Cain nenhuma oportunidade de machucar as pessoas que eu amava.

Soltei um grito em meio à multidão enquanto dançávamos descontroladamente. De repente, alguém esbarrou em mim com força. Eu teria caído se Kate não tivesse me segurado.

"QUE DIABOS FOI ISSO?"

Virei-me, furiosa, para quem estava atrás de mim, mas franzi a testa ao dar de cara com três homens conhecidos.

Meu sangue ferveu no mesmo instante em que vi Cain e Amber logo atrás deles, dançando de forma erótica.

Que mundo pequeno.

"Desculpe, Sra. Hamilton. Não sabia que estaria aqui. Pelo visto, já terminou de limpar a casa, não é?"

Arqueei uma sobrancelha e encarei o homem desrespeitoso à minha frente. Os três eram amigos de Cain e tinham a mesma cor de pele que ele, motivo pelo qual se davam tão bem. Nenhum deles gostava de mim. Para eles, eu não passava de uma destruidora de relacionamentos e de uma vadia desesperada por afeto.

Um deles me examinou de cima a baixo e lambeu os lábios de um jeito nojento.

"Olha só esse corpo. É um desperdício você não ter amor-próprio."

O outro soltou uma risada de deboche.

"Sra. Hamilton, não há nenhum eletrodoméstico para limpar aqui. A senhora deve estar perdida."

Eu estava prestes a rosnar para eles, mas Kate se adiantou:

"Calem a boca, seus bastardos imundos!"

"Ah, oi!" A voz era de Amber.

Pus as mãos na cintura, revirei os olhos e soltei uma risada sem humor.

Que porra era aquela? Uma reunião?

"O que está fazendo aqui, Sra. Hamilton?", perguntou Amber com um sorriso que eu sabia ser sarcástico.

Cain pegou a mão dela e a puxou delicadamente para junto do corpo. Quando se virou para mim, abriu um sorriso presunçoso.

"Ela deve ter vindo falar comigo e pedir desculpas, amor."

Franzi a testa.

Pedir desculpas? Ele era convencido demais. Mesmo que eu o empurrasse para dentro de um bueiro, não pediria desculpas. Ele mereceria.

Cain ergueu as sobrancelhas e inclinou a cabeça.

"Então... o que foi, Bree? Finalmente percebeu seus erros?"

Dei uma risada baixa, e ele pareceu profundamente ofendido. Joguei o cabelo para trás e arqueei uma sobrancelha.

"Que erro? Acho que você está sonhando, Cain."

"Que porra há de errado com você, Brianna? Veio aqui para desistir do divórcio, não foi? Pode admitir. Eu sei que você não consegue viver sem mim."

Apenas o encarei com deboche. Aos poucos, o canto dos meus lábios se curvou para cima enquanto o rosto dele ficava vermelho. Mesmo com a música alta, a multidão agitada e a iluminação fraca, eu conseguia perceber a raiva dele.

Pela expressão ofendida, Cain estava prestes a explodir. Ainda assim, tentava se controlar. Não queria parecer desesperado nem passar vergonha diante da amante imunda e dos supostos amigos filhos da puta.

"Vamos para outra boate, Bree. Acabei de perceber que este lugar é frequentado por gente tóxica e sem classe."

Kate tentou me tirar dali, mas Cain agarrou meu braço com raiva.

"Não me toque com essa mão imunda." Afastei a mão dele com um empurrão.

Cain rangeu os dentes, e seu olhar ficou cortante.

"Que porra há de errado com você, Brianna? Não deveria estar agradecida por eu não ter pedido o divórcio, mesmo sem gostar de você?"

"Foi exatamente por isso que eu tomei a iniciativa, Cain. Vamos! Você deveria estar contente."

"Você vai sofrer, Brianna. Estou avisando!"

Sorri com desprezo.

"Quem vai sofrer é você, Cain. Estou avisando."

Ele tentou apontar o dedo para mim, mas empurrei sua mão para o lado.

"Não ouse apontar o dedo para mim."

"Ficou arrogante assim, foi?"

Cain ia avançar quando Amber segurou o braço dele. Parecia um gatinho assustado, prestes a chorar.

Franzi a testa. Ela estava fingindo de novo?

Olhei ao redor e entendi por que Amber agia daquela maneira. Já tínhamos atraído a atenção das outras pessoas, e ela queria me transformar na vilã.

Que amante esperta.

"B-Bree..."

"Não me chame assim! Nós nem somos amigas!"

Ela baixou os olhos. Sorri com sarcasmo quando Amber simplesmente enxugou o rosto.

Que psicopata!

Então ela voltou a me encarar.

"Por favor, não seja assim. Você já sabia que Cain e eu nos amávamos antes de se casar com ele."

Meu queixo quase caiu. Ela estava mesmo decidida a destruir minha imagem, não estava?

Cerrei os dentes.

"Cala a boca!"

Um ano antes, Amber havia convencido Cain a apostar tudo por pura vaidade, levando a empresa dele à falência.

A amantezinha não fez nada para ajudar além de chorar. Pelo que eu sabia, ela chegou até a planejar abandoná-lo quando aqueles cobradores de dívidas implacáveis começaram a persegui-lo.

Fui eu quem o salvou de toda aquela merda. Para retribuir minha bondade, Cain me pediu em casamento. E eu aceitei, ingênua o bastante para acreditar quando ele disse que finalmente tinha percebido quem realmente merecia seu amor.

Ele prometeu que se dedicaria a mim.

Assim que a empresa começou a se recuperar com a minha ajuda, porém, Amber reapareceu e Cain vacilou. Aquela vadia só sabia ficar de braços cruzados e aproveitar os frutos do trabalho alheio.

De onde ela tirava coragem para me acusar de destruir o relacionamento dos dois?

"Por favor, Bree. Nós só queremos ser felizes. Eu faria qualquer coisa, desde que você..."

"Eu mandei calar a porra da boca, sua vadia rasteira!"

"BRIANNA!", gritou Cain.

Fitei-o com ódio e fechei os punhos.

"Faça ela calar a boca, ou vou acabar com o rosto da sua mulher..."

"Bree... AH!"

Não consegui me controlar.

A raiva tomou conta de mim.

Minha mão acertou o rosto de Amber. Coloquei naquele tapa toda a raiva, o ódio e a frustração que sentia. Ela perdeu o equilíbrio e caiu de joelhos.

As pessoas ao redor soltaram exclamações assustadas e começaram a cochichar, mas eu não dava a mínima.

"Bree!" Kate segurou minha mão e me encarou, preocupada.

"Amber..." Cain correu até ela. "Você está bem? Está tudo bem? E o nosso bebê? Sua barriga está doendo?"

Revirei os olhos. Minha mente ficou vazia.

Eu nem me importava se ela tivesse se machucado. Só queria feri-la. Fazê-la sofrer.

De qualquer forma, ela merecia.

"POR QUE VOCÊ FEZ ISSO?" Cain avançou contra mim, agarrou meu pulso e sacudiu meu corpo.

"Ela mereceu! E você também merece, seu bastardo!"

Dei um tapa nele.

Meu peito subia e descia depressa. Depois do golpe, Cain virou lentamente o rosto na minha direção. Havia algo maligno em seus olhos. Eram tão horríveis quanto da última vez que ele tentara me matar.

Ele ergueu o braço, pronto para me bater.

As lembranças dolorosas daquela impotência invadiram minha mente. Por um instante, esqueci como me mover.

Ouvi Kate gritar.

Apertei os olhos, esperando o golpe, mas o punho dele não atingiu meu rosto.

Abri os olhos devagar e ergui a cabeça. Meu coração disparou descontrolado ao ver um homem alto parado diante de mim. Eu só conseguia enxergar suas costas.

Ele havia bloqueado o punho de Cain bem diante do meu rosto.

Meus lábios se entreabriram.

Quem era ele?

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