Capítulo 2

— Concentre-se.

A porta da suíte bateu com força.

Alexander se virou, prensou Charlotte contra a parede e tomou a boca dela. O beijo era quente, faminto, sem pedir licença.

Charlotte correspondeu com a mesma imprudência. Enfiou as mãos sob a camisa dele, deslizando as palmas pelos contornos firmes daquele corpo.

Por uma noite, ela não queria pensar.

Nada de Jasper.

Apenas Alexander.

— Você é sempre tão mandão? — perguntou contra os lábios dele.

— Só quando a mulher parece estar pedindo para perder o juízo.

Ele envolveu um dos seios dela com a mão. O polegar circulou o mamilo, provocando-o até senti-lo endurecer sob seu toque.

Alexander abaixou a cabeça e o levou à boca. Passou a língua pela ponta antes de sugá-lo com força.

Charlotte juntou as pernas por instinto. A outra mão dele entrou sob a saia e subiu pela parte interna da coxa, parando pouco antes do ponto em que ela mais precisava ser tocada.

— Você está encharcada, sabia?

Ele se afastou apenas o suficiente para tirar a camisa e, em seguida, a calça. O pau saltou livre, grosso e duro como pedra, completamente ereto.

Os olhos de Charlotte ficaram presos nele. Sem perceber, ela passou a língua pelo lábio inferior.

Alexander soltou uma risada baixa.

— Gostou do que viu?

— Vou gostar ainda mais quando estiver dentro de mim.

Ele a empurrou de costas até a beirada da cama e tirou o restante das roupas dela. Depois, passou um dedo devagar entre suas dobras molhadas, provocando-a de propósito.

Os quadris de Charlotte se ergueram num impulso.

— Alexander...

O olhar dele escureceu por um instante. Alexander pegou uma camisinha, colocou e cobriu o corpo dela com o próprio.

— Última chance de desistir — murmurou.

— Cale a boca e entre em mim.

Charlotte prendeu as pernas ao redor da cintura dele e o puxou com força.

Alexander avançou de uma só vez e se enterrou dentro dela. Charlotte puxou o ar, cravando as unhas nos ombros dele.

Ele era grande demais.

— Puta merda... Você é tão apertada. É virgem? Não me diga que meu irmão é tão inútil assim.

— Isso importa? — ofegou. — Mexa-se.

Os quadris dele golpearam os dela, e o som úmido de pele contra pele tomou conta do quarto.

Quando Charlotte acordou, o corpo inteiro doía como se ela tivesse apanhado.

Alexander tinha ido embora.

No criado-mudo, havia um bilhete escrito em letra grande e desleixada.

"Desculpe. Surgiu uma emergência. Tive que ir."

Debaixo dele, havia um cartão black.

Charlotte ficou encarando o cartão.

Sério?

Ela o pegou, partiu ao meio e jogou no lixo.

O que ele achava que ela era? Uma acompanhante de luxo?

Nem em sonho.

Ao lado do bilhete, havia uma sacola de compras. Dentro dela, Charlotte encontrou roupas novas, inclusive peças íntimas, todas no tamanho certo.

Suas bochechas esquentaram.

Então ela soltou uma risada irônica.

— Assustador e eficiente. Ótima combinação.

A noite anterior tinha sido uma confusão. O álcool tinha feito a sua parte. A raiva tinha cuidado do resto.

Mas Charlotte não se arrependia.

Alexander tinha sido... bom.

Bom demais, para falar a verdade.

Se a traição de Jasper tinha lhe ensinado alguma coisa, era que ele sempre fora egoísta. Em todos os sentidos. Até na intimidade, agia como se os sentimentos dela fossem opcionais.

Alexander, infelizmente, não era assim.

Péssima decisão ou não, o homem era minucioso.

Charlotte afastou aquele pensamento e pegou o celular.

A tela estava lotada de notificações.

Alertas de notícias.

Publicações nas redes sociais.

Mensagens em grupos.

Ela abriu um dos artigos.

"As famílias Sinclair e Wainwright confirmam aliança matrimonial: Jasper Sinclair e Serena Wainwright, um par perfeito."

Logo abaixo, outra manchete chamava atenção.

"Depois de três anos de amor, Jasper Sinclair e Serena Wainwright finalmente vão se casar. Cerimônia marcada para daqui a dois meses."

Charlotte deslizou o dedo pela tela.

Fotos do casal tomaram conta do celular.

Três anos de amor?

Então agora o casal de traição tinha até equipe de relações públicas.

E o que isso fazia dela?

Uma cena cortada?

Depois de ser desmascarado, Jasper não tinha pedido desculpas. Simplesmente colocou a mentira sob os holofotes e revestiu-a de romance.

As mensagens dele começaram a chegar uma após a outra.

"Charlotte, minha família me obrigou a me casar com Serena. Eu não tive escolha."

"Eu ainda te amo. Nunca deixei de te amar. Me dê um tempo. Vou resolver tudo."

Charlotte o bloqueou sem hesitar.

Ah, por favor.

Quando dormiu com Serena três anos antes, também estava com uma arma apontada para a cabeça?

Ela estava prestes a largar o celular quando o aparelho tocou.

— Vovô.

— Lottie. — A voz de Alistair Whitfield era gentil. — Você vem jantar em casa hoje?

O peito dela se apertou.

Ele tinha visto as notícias.

Alistair estava aposentado, mas nada relacionado a Charlotte passava despercebido.

— Sim — respondeu baixinho. — Vou para casa.

— Ótimo. Pedi ao pessoal da cozinha que preparasse suas comidas favoritas. Frango assado, purê de batatas com alho e aquelas cenouras com mel que você finge não gostar.

Charlotte sentiu a garganta se fechar.

— Você sempre se lembra.

— Porque, quando está chateada, você se esquece de comer.

Ela fechou os olhos.

Aquilo quase acabou com suas forças.

— Até daqui a pouco, vovô.

A propriedade ficava numa colina isolada nos arredores da cidade, cercada por terras que ele tinha comprado anos antes.

Como gostava de dizer, ter vizinhos era opcional.

A mansão no alto da colina era imponente, mas acolhedora. A luz escapava pelas janelas altas, e o cheiro do jantar vinha da cozinha.

Assim que Charlotte entrou, Alistair foi recebê-la.

Estava mais velho, com os cabelos prateados e o olhar afiado. No instante em que a viu, porém, sua expressão se suavizou.

— Minha Lottie.

Charlotte o abraçou com força.

Pela primeira vez em dias, não precisava fingir que estava bem.

Depois do jantar, os dois se acomodaram na sala. A lareira crepitava baixinho, enquanto as luzes da cidade se estendiam ao pé da colina.

Alistair permaneceu em silêncio por um longo momento antes de falar.

— Aquele garoto Sinclair...

— Acabou — disse Charlotte com calma.

Ele analisou o rosto da neta.

— Ótimo. É assim que Charlotte Whitfield fala.

Apesar de tudo, ela não conseguiu conter o riso.

— Você era educado com ele antes.

— Também sou educado com gatos e cachorros. Isso não significa que eu queira um deles namorando minha neta.

Charlotte riu.

Alistair se inclinou para a frente, e sua expressão esfriou.

— Ele machucou você.

— É difícil contestar isso.

— Quer que eu ensine a ele o que acontece quando alguém machuca você? Basta um telefonema, e ele estará acabado antes do café da manhã.

— Vovô.

— Estou falando sério. — Alistair suspirou. — Se eu tivesse revelado sua identidade antes, Jasper Sinclair teria passado todos os dias beijando o chão por onde você pisava.

— E foi exatamente por isso que eu não quis. — Charlotte sustentou o olhar dele. — Não queria um homem que se curvasse diante do nome Whitfield. Queria alguém que me escolhesse quando acreditasse que eu não tinha nada.

Uma sombra de dor suavizou os olhos de Alistair.

— E, em vez disso, ele mostrou quem realmente era.

— Mostrou. — A voz de Charlotte continuou firme. — De certa forma, até me ajudou.

— Tenho um evento daqui a alguns dias — disse Alistair. — Posso apresentá-la oficialmente como minha neta. Deixe os Sinclair e os Wainwright arcarem com as consequências.

A ideia era tentadora.

Charlotte já conseguia imaginar o rosto de Jasper.

O choque.

O pânico.

O arrependimento.

Seria delicioso.

— Agora não.

Alistair estreitou os olhos.

— Por quê?

— Quero que Jasper continue pensando que venceu. Deixe que aproveite o status pelo qual trocou tudo para ficar com Serena. Deixe Serena continuar sorrindo para as câmeras. Deixe os dois montarem aquele palquinho bonito.

O olhar de Charlotte esfriou.

— Depois, eu decido quando queimar tudo.

Alistair a observou por um instante.

Então sorriu.

— Essa é a minha Lottie.

Charlotte ergueu uma sobrancelha.

— Então você não está bravo?

— Estou furioso. Mas também confio em você. — Ele se recostou na poltrona. — Está bem. Então vá ao evento como representante da família. Sem anúncio oficial por enquanto. Mais cedo ou mais tarde, você terá que começar a encarar esse mundo.

Charlotte soltou o ar devagar.

— Está bem.

Charlotte acordou na manhã seguinte com o celular tocando.

Isabella Hart.

— Amiga, me diga que essa notícia é falsa. Jasper vai se casar mesmo com Serena?

— Bom dia para você também.

— Nada de "bom dia". Você namorou aquele homem por cinco anos. Cinco! Como aquela falsa docinha acabou virando a noiva?

— Eu vi a notícia — respondeu Charlotte. — E não se preocupe. Terminei com ele.

— Essa é a minha garota. — O tom de Isabella ficou mais afiado. — Mesmo assim, estou voltando. Jantar amanhã. Muita comida e ainda mais fofoca.

Charlotte esboçou um sorriso.

— Você não está na Itália?

— Férias canceladas. Além disso, os homens italianos são superestimados.

— Me mande o restaurante.

Uma localização apareceu segundos depois.

Charlotte ergueu uma sobrancelha.

Era um dos restaurantes mais badalados da cidade. Conseguir uma reserva ali era quase impossível.

Acontece que Charlotte tinha uma cota no restaurante.

Jasper não fazia ideia.


Na noite seguinte, Charlotte chegou ao local.

E deu de cara com as duas pessoas que menos queria lidar.

Serena foi direto até ela e bloqueou seu caminho.

Jasper parou ao lado da noiva, com um curativo na testa. Estava pálido, culpado e cheio de coisas que Charlotte não queria ouvir.

— Saia da frente — ordenou Charlotte.

Serena a examinou de cima a baixo, sem esconder o desprezo.

— O que você está fazendo aqui? Este é um restaurante sofisticado, não um abrigo.

Charlotte teve que admitir: ouvir Serena elogiar um lugar no qual ela tinha participação era quase agradável.

— É um restaurante — respondeu. — Não são os portões do céu.

— Para alguém como você, deve ser quase a mesma coisa.

Jasper franziu a testa.

— Serena...

— Não. — Serena o interrompeu e voltou a encarar Charlotte. — Seja honesta. Você nos seguiu até aqui? Não tem como ter conseguido uma mesa sozinha. Ainda está tentando roubar o marido dos outros? Tenha um pouco de vergonha.

Charlotte não alterou a expressão.

— Espero que ainda esteja tão confiante daqui a três minutos.

Então tirou o celular e fez uma ligação.

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