Capítulo 5 INÍCIO
Após terminar vencido mais um caso no tribunal de família, Brianna estava satisfeita e preparada para as férias que tanto desejava. Tinha planos de ir passar um bom tempo com os pais na Pequena Villa onde tinha crescido e passado parte da sua infância e adolescência. Lá ainda estavam parte das pessoas que amava. Além dos pais tinha lá também a sua melhor amiga Ana Cristina de quem sentia muitas saudades.
Colocou um lembrete para ligar após chegar em casa. Na saída do tribunal foi abordada pelos jornalistas e viu o Advogado da outra parte ir na sua direção.
- Doutora Brianna! Eu gostaria de lhe parabenizar. Nunca pensei que um dia perderia um caso para uma mulher tão linda e profissional.
- Obrigada Doutor. Mas tem que admitir que seria impossível o Senhor ganhar. O seu cliente é um homem doente e precisa de ser acompanhado por um profissional antes que se torne ainda pior.
- A Senhora está certa.
- Por favor certifique-se que ele se mantenha longe da Cecília e das crianças. Se ele ousar tentar fazer isso, eu vou me certificar de o mandar para a cadeia por 300 anos. Tenha um bom dia.
Ela foi embora sem olhar para trás.
Brianna não gostava de ser vista de outra forma. A sua vida pessoal era praticamente secreta, e ela nunca deixava ninguém se aproximar neste campo desde que terminou um noivado sem amor com José Ricardo que só pensava em festas e vida fácil às custas dela.
Indo até á sua firma, Brianna viu que a expressão da sua assistente era de preocupação.
- Boa Tarde Ariella. Está tudo bem?
- Sinceramente não sei Doutora.
- Como assim?
- O Senhor Adriano Baltazar ligou e disse que não tem boas notícias. Ele está esperando a sua ligação ainda hoje e com a máxima urgência.
- Tudo bem. Por favor me traga um café com leite e mel por favor. Eu vou ligar para ele agora mesmo.
Brianna respirou fundo antes de fazer a ligação. Ganhou coragem e marcou o número. Adriano além de ser seu amigo também fazia a inspeção das contas da firma, e sempre alertou Brianna sobre o sócio que ela tinha e que sempre encontrava uma forma de estar ausente.
- Brianna! Finalmente você ligou.
- Olá Adriano. O que aconteceu? Eu recebi o teu recado e fiquei preocupada.
- Me desculpe. Mas eu realmente não tenho boas notícias.
- O quê?! O que houve de tão grave?
- Eu estive a verificar as últimas contas da firma, e descobri que têm sido feitas várias transferências para diversas contas em nome de empresas fantasmas.
- O Quê?
- Isso mesmo minha amiga. O teu quase sócio está a roubar a firma e não começou agora. Ele começou tirando pouco, mas foi aumentando a quantia. Eu lamento dizer, mas você está correndo o risco de falir.
- Não. Eu não consigo acreditar que ele seria capaz de fazer isso. E quanto as minhas finanças pessoais? Os meus investimentos?
- Tudo está protegido. Nestas contas ele jamais poderia tocar. Mas, o prejuízo que ele causou pode te causar problemas com os teus investidores. É necessário resolver o assunto antes que tudo seja descoberto. Não seria bom teres cobradores á porta.
- Sim. Tens razão. Parece que agora não terei opção a não ser arranjar um novo sócio. Mas um que seja honesto e trabalhador.
- Eu já tenho em mente alguém. Mas, você vai ter que tratar de tudo pessoalmente desta vez. E por favor, faça uma denúncia. O Pedro tem que pagar por tudo o que fez. Queres que eu cuide disso?
- Sim. Faça isso por favor. Eu o quero na cadeia, mas também terá que me devolver cada centavo que roubou de mim. Eu vou me certificar que ele jamais saía da prisão.
- Faça isso. Vou fazer alguns contatos. Falamos pessoalmente amanhã.
Brianna tomou o seu café e não conseguia acreditar que esteve tão distraída e não percebeu que estava a ser roubada de forma tão descarada.
Chamou novamente a sua assistente e pediu que lhe trouxesse todos os documentos que estavam na sala de seu colega. Pediu também que ela chamasse o técnico para destrancar a senha do computador e do cofre.
Ela levou vários documentos para casa e também o portátil dele para fazer a sua própria investigação. O mandaria para a cadeia e ele nem saberia o que tinha acontecido até estar trancado numa cela.
Quando finalmente chegou em casa, Brianna estava cansada demais, mas ainda desejava preparar tudo o que podia contra Pedro.
Ligou para ele e disfarçou a sua voz, mas estava cheia de raiva dele.
- Alô Brianna!
- Olá Pedro. Como estás
- Preparado para voltar ao trabalho.
- Ótimo. Então nos vemos amanhã bem cedo. Quero falar contigo sobre um assunto que tenho adiado.
- Falas do meu pedido para sermos sócios?
- Sim. Mas tratamos de tudo pessoalmente. Até amanhã.
Brianna desligou e foi fazer café para manter-se desperta. Zilá a sua única funcionária só voltaria no dia seguinte às 10 da manhã. Ela mesma faria o seu café da manhã.
Após um banho e um jantar, Brianna começou a trabalhar. Leu cada um dos documentos, fez anotações e do computador imprimiu tudo o que poderia servir de prova.
Ela também pensou no assunto da sociedade. Por mais que fosse bem sucedida, uma parceria com alguém que tivesse o mesmo nível profissional só poderia aumentar ainda mais o prestígio e o nome da Firma que ela tanto se esforçou para criar.
Ser roubada não estava nos seus planos. Mas ela também não imaginava que esta sociedade fosse trazer para a sua vida algo que ela não imaginava que sentia falta: Um amor verdadeiro, arrebatador e tão profundo que a faria ver as coisas de forma completamente diferente.
Na manhã seguinte, Pedro chegou com a intenção de finalmente tornar-se sócio de Brianna.
Mas quando entrou na sala dela teve uma surpresa bem desagradável. Brianna estava lá com Adriano e um outro homem que mantinha uma postura séria demais e parecia da polícia.
- Bom dia Pedro. Entra! Temos muitas coisas para falar.
- Bom dia Brianna.
- Bom dia Pedro.
Ele percebeu que alguma coisa não estava normal mas não reagiu. Brianna começou a falar e depois de dar conta que tinha sido apanhado, Pedro não teve opção a não ser assumir a verdade.
Ele revelou onde o dinheiro estava escondido e tudo passou novamente para Brianna.
O homem o levou após testemunhar a confissão dele.
- Então?! Como te sentes agora Brianna?
- Mais leve. Ainda está de pé a ideia da sociedade?
- Claro que sim. Falei com a pessoa certa. Ele está de acordo. Mas pediu sigilo até falarem pessoalmente.
- A sério?! Tens a certeza que ele é honesto?
- Totalmente. Prepare - se para uma surpresa quando souberes de quem se trata. Ele também está ansioso para saber quem és.
- Como assim? Não disseste quem eu sou?
- Não. Vocês poderiam se reconhecer pelos nomes. Mas, eu prefiro que este primeiro encontro seja natural. Sem exigências ou formalidades desnecessárias.
- Está bem. E quando será o encontro com o sócio misterioso?
- Ao meio-dia.
- O QUÊ?!?
- Não te preocupes. Estás linda. Só tens que manter-se natural. Não achas como se estivesses no tribunal. E sei que o vais convencer.
- Eu espero que sim.
Brianna pensou e não conseguia imaginar quem poderia ser a pessoa prestes a assinar a sociedade com ela. Mas brevemente descobriria que Adriano estava certo: Seria mesmo uma surpresa enorme.
