Capítulo 8

Aurora

Charlotte apareceu ao lado dele, roçando o braço enquanto eles se dirigiam para a mesa central.

Mira seguiu meu olhar. "Zayn Duskbane. Príncipe Lycan de Velmoria."

"Velmoria?" Pisquei.

"O reino dele," Lira disse. "Um dos territórios Lycan mais antigos. A família dele governa lá há séculos."

Franzi a testa. "Então ele é... o próximo na linha?"

Mira balançou a cabeça. "Nem perto. Três irmãos mais velhos o mantêm longe do trono." Assenti.

Riven bufou. "E Charlotte — sua princesa perfeitamente combinada — é de Moordusk. O outro reino Lycan. Pense em tronos, política, tratados de guerra, futuros arranjados, drama familiar... tudo isso."

"Então... ele é da realeza?"

"Sim."

"E ela também é da realeza?"

"Mmhm," Mira disse, ainda com os olhos em Charlotte. "Prometidos desde que eram, tipo, crianças."

"Ah." Tentei soar casual. "Legal."

Não era legal.

Era o oposto de legal.

Era o tipo de intocável que me fazia querer jogar algo.

E de repente, o aviso da noite passada me atingiu novamente — alto e impossível de ignorar.

"Fique longe dele."

Espetei meu pão, mastigando como se isso pudesse esmagar o nó que apertava em meu estômago.

"Eu não entendo," murmurei, sem realmente esperar uma resposta. "Se ele é tão importante... por que continua me olhando como se eu tivesse chutado seu lobo real ou algo assim?"

Mira deu um sorriso. "Porque você o confunde."

"Eu não sou confusa. Eu não sou ninguém."

"Exatamente," Riven disse. "E pessoas como ele não gostam de coisas que não podem colocar em uma caixa."

"Além disso," Selene acrescentou, como se estivesse pensando sobre isso, "esta escola inteira é uma hierarquia. Não são apenas lobisomens — são linhagens, reinos, matilhas e status. Quando alguém como você entra sem cheiro, sem aura, sem título... você não se encaixa."

"Então, isso me faz o quê, uma ameaça?" Perguntei sem emoção.

"Ou uma anomalia," Riven disse. "O que, por aqui, pode muito bem ser a mesma coisa."

Deixei minha cabeça cair sobre a mesa com um baque suave. "Ótimo."

Todos nós pulamos quando uma bandeja caiu perto.

Minha cabeça se levantou rapidamente quando um garoto alto e de ombros largos — claramente não feliz — empurrou alguém de volta para um assento bem na minha frente.

Um garoto com óculos redondos e olhos arregalados e aterrorizados parecia querer desaparecer no chão.

"Se me esbarrar de novo, pirralho, eu juro—"

"Eu—eu não quis—" o garoto gaguejou.

"Preste atenção por onde anda," o garoto alto cortou, voz suave mas cheia de ameaça.

Ele tinha talvez um ou dois anos a mais, mas havia algo nele que exalava uma confiança implacável.

Sem aviso, ele pegou a bandeja do garoto e a virou da mesa. Comida espalhou-se por toda parte. Risos explodiram da mesa atrás dele.

"Ops," ele zombou.

"Ei!" Exclamei antes de poder me conter. "Isso não foi necessário."

O garoto se virou para me olhar.

Quando seus olhos se fixaram nos meus, um arrepio frio percorreu minha espinha.

Ele me encarou, como se estivesse me avaliando, ou como se soubesse algo que eu não sabia.

"Olha quem decidiu falar," ele disse com um sorriso sarcástico. "Pequena Miss Sem Marca."

Sem Marca?

A palavra me atingiu como uma pedra no estômago.

Um silêncio caiu sobre as mesas próximas.

"Eu não sabia que estávamos deixando animais de estimação sentar na mesa dos adultos," ele acrescentou, alto o suficiente para todos ouvirem.

Sim. Ele definitivamente sabia algo, mas a questão era — o quê?

Lira se levantou parcialmente de seu assento. A mandíbula de Mira se apertou.

Eu fiquei parada, forçando minha voz a permanecer firme. "Eu disse que não foi necessário."

"E eu disse," ele se inclinou, voz baixando, "talvez alguém como você devesse lembrar seu lugar, pequena humana."

As últimas duas palavras foram apenas para mim. Eu fiquei pálida.

"Eu percebi você no momento em que olhei na sua direção," ele sussurrou, e eu engoli seco.

"Eu não—"

"Afaste-se, Malric."

Fui interrompida por uma voz atrás de mim.

Baixa. Fria. Poderosa.

Zayn.

Malric endireitou-se lentamente, mas eu percebi a mudança nele—não exatamente assustado, mas... atento.

"Não te vi aí, Príncipe," Malric disse, zombando do título com uma reverência superficial.

Os olhos de Zayn não deixaram Malric. "Bom. Então você também não vai ver isso—"

Antes que Malric pudesse dar outro passo em minha direção, Zayn se moveu mais rápido do que eu podia acompanhar, segurando o pulso de Malric com força.

Malric soltou um chiado. Um estalo suave ecoou entre eles—mal audível, mas suficiente para silenciar todos na cafeteria.

Todos estavam assistindo.

A voz de Zayn era mais fria que gelo. "Toque nela novamente, e eu vou garantir que você ande mancando pelo resto da sua vida miserável."

Malric puxou a mão de volta como se estivesse queimando. "Ela nem é—"

"Eu não me importo."

Essas palavras pesaram mais que qualquer ameaça.

A boca de Malric fechou-se abruptamente.

Zayn finalmente olhou para mim. Não gentilmente. Não protetor. Apenas... intenso. Como se estivesse tentando entender por que ele tinha acabado de fazer aquilo.

Ele não disse nada—apenas se virou e foi embora, e todos meio que saíram do seu caminho como se ele fosse uma grande coisa.

Ele era.

Malric xingou baixo e saiu furioso na direção oposta, segurando o pulso.

E eu?

Fiquei sentada ali, atordoada, olhando para a minha bandeja como se ela pudesse ter respostas.

Porque Zayn Duskbane—o intocável, frio como o inverno Príncipe Lycan—acabou de me defender.

E eu não tinha ideia do porquê.

Ou pior—por que parte de mim não queria que ele parasse.


O silêncio depois que Zayn saiu se estendeu tempo suficiente para meu pulso começar a pulsar nos meus ouvidos. Não era só eu—metade da cafeteria parecia congelada, prendendo a respiração, esperando para ver se Malric voltaria atacando ou se eu desmoronaria sob o peso de ser destacada.

Nenhum dos dois aconteceu.

Malric murmurou algo baixo e saiu furioso em direção à saída distante, balançando o pulso como se estivesse queimando. Sua turma o seguiu, alguns me lançando olhares como se eu tivesse acabado de roubar seu brinquedo favorito.

Aos poucos, o barulho voltou ao nosso redor, mais baixo desta vez—mais cuidadoso. Garfos raspando pratos, cadeiras rangendo, sussurros se espalhando pelo ar como fumaça.

Eu me recostei e forcei minhas mãos a se descontrair sob a mesa. Elas estavam frias e úmidas.

"Uau," Lira finalmente disse, afundando na cadeira. "Primeiro dia e você já tem dois dos Lycans mais fortes prontos para quebrar ossos por você. Ou você está amaldiçoada, ou você é—"

"Sortuda?" Mira adivinhou.

"Condenada," Riven terminou com um risinho, tomando um gole da bebida.

Selene não levantou os olhos do celular. "Ou marcada de maneiras que nenhum de nós entende."

Minha cabeça se virou para ela, mas ela não disse mais nada—apenas continuou rolando a tela como se não tivesse acabado de lançar uma bomba na minha cabeça.

Eu cutuquei o pão na minha bandeja. Eu não estava marcada. Eu não era nada. Esse era todo o maldito problema.

"Enfim," Mira disse, limpando a garganta. "Ignore Malric. Ele é todo latido, sem mordida. Zayn... bem." Ela se inclinou, baixando a voz. "Isso é diferente. Ele não faz isso. Não por ninguém."

Eu não respondi.

Não consegui.

O resto do almoço passou em ondas trêmulas—pedaços de conversa normal cortados por olhares de lado de outras mesas, bocados de comida que mal senti o sabor, e as palavras de Zayn girando na minha cabeça até eu querer gritar só para afogá-las.

Quando o sinal finalmente tocou, foi como se alguém tivesse desatado o nó apertando minhas costelas.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo