Capítulo 3 ~O abraço do estranho~
Ponto de vista de Aria
O copo na minha mão parecia ficar mais pesado a cada gole, o líquido âmbar girando lá dentro como os meus pensamentos caóticos. Perdi a conta depois da terceira garrafa... ou foi a quarta? As luzes fracas do bar lançavam sombras longas sobre o balcão de madeira gasto. Os clientes murmuravam ao meu redor, suas vozes sendo um zumbido distante, mas eu estava perdida dentro da minha própria cabeça.
Como tudo tinha dado tão errado?
Que piada cósmica a Deusa da Lua tinha pregado em mim?
Virei o copo de uma vez, sentindo a ardência descer pela garganta como uma bem-vinda distração da dor no meu peito. A vida não era justa, era? Mamãe morreu cedo demais, me deixando para lidar com uma família que me via como o problema. Camille roubou os holofotes, e eu deixei, achando que, no fim, a empatia venceria.
Idiota, Aria. Muito idiota.
O que eu fiz para merecer isso? Era castigo por ter nascido sem uma loba? Por não ter revidado com mais força? As lágrimas tornaram a pinicar meus olhos, mas eu as afastei piscando, forçando um sorriso torto para a garrafa vazia.
Gritei para qualquer um que quisesse ouvir, pedindo outra garrafa, com as palavras já saindo um pouco arrastadas.
O barman, um cara parrudo, de rosto gentil e uma tatuagem de lobo no antebraço, se inclinou sobre o balcão. — Ei, moça, você já bebeu o bastante. Quer alguma coisa que não seja álcool? Água? Café? Talvez chamar alguém para vir te buscar?
Semicerrando os olhos para ele, vi o ambiente inclinar de leve.
— Não. Eu só estou começando a esquecer. Pode continuar trazendo.
— Moça... — ele deixou a frase no ar, os olhos cheios de preocupação.
Aquilo bastou para me convencer. Ele estava sendo tão gentil e atencioso que o mínimo que eu podia fazer era escutar.
— Tá bom, tá bom. Água, então. — Desci do banco, cambaleando quando meus saltos me traíram.
— Na verdade — falei, me apoiando no bar para me equilibrar —, vocês têm quartos aqui? Eu não posso ir para casa. Não para... eles.
A ideia de encarar a decepção do papai ou o triunfo da Camille fez meu estômago revirar. Não, melhor me esconder, lamber minhas feridas sozinha.
Ele assentiu e puxou um cartão-chave de trás do balcão. — Quarto 115, lá em cima. Dorme um pouco, tá? E, olha, seja lá o que aconteceu, vai passar.
Peguei a chave, murmurando um agradecimento.
Vai passar?
Até parece.
Agarrei o corrimão enquanto subia a escada, um degrau de cada vez, com a visão turva. O corredor ficou embaçado, os números nas portas dançando.
105?
Certo.
Atrapalhada, passei o cartão naquilo que achei que fosse o 115. A porta não fez som nenhum. Repeti o movimento várias vezes, mas não adiantou. Então tive uma ideia genial e tentei a maçaneta. A porta se abriu, e eu tropecei para dentro, enquanto a escuridão me envolvia como um cobertor.
Silêncio abençoado. Finalmente.
Não precisava de luz, eu só queria desabar. Chutando os saltos para longe, fui até a cama, sentindo o carpete macio sob meus pés. O colchão afundou quando subi nele, e eu suspirei, aliviada.
Tudo o que eu precisava fazer era dormir e esquecer. Amanhã que lidasse com os destroços.
Rolei para o lado e esbarrei em algo quente e firme. Sentei num salto e estendi a mão. Meus dedos roçaram tecido… não, pele. Um corpo. Congelei, meu cérebro bêbado rangendo até parar.
Ethan?
Como?
Eu tinha sonhado com a traição? Não, isso não fazia sentido. Mas, na névoa do álcool e do coração partido, toda a lógica foi embora. Tinha que ser ele. Ele devia ter vindo me procurar, percebido o erro. O alívio me inundou, misturado à dor que ainda não tinha ido embora.
—Ethan —sussurrei, a voz grossa. —Você voltou.
Ele disse alguma coisa que eu não consegui entender direito. Mas eu não liguei; a única coisa que me importava era que eu estava doendo por dentro e ele podia me ajudar a me sentir melhor.
Inclinei-me, impulsiva e desesperada, e colei meus lábios aos dele num beijo desajeitado. Ele ficou rígido no começo, um ronco baixo no peito, mas então as mãos dele acharam minha cintura, me puxando para mais perto.
O mundo girava, mas, naquele estado confuso, isso parecia certo.
—Eu sabia que você ia se arrepender —murmurei contra a boca dele, os dedos se enroscando no cabelo. Estava mais curto do que o normal, mais áspero, mas eu ignorei.
Ele respondeu com um rosnado, profundo e primitivo, e me virou de barriga para cima com uma força sem esforço. O corpo dele era maior, mais imponente do que eu lembrava, músculos retesados sob o meu toque.
Uma risadinha escapou de mim enquanto eu me atrapalhava com o zíper do vestido.
—Essa coisa é amaldiçoada mesmo —falei, arrastando as palavras, e não muito delicadamente arranquei o tecido fino do meu corpo. A escuridão escondia tudo aquilo em que eu me sentia vulnerável, ainda bem.
Os lábios dele desceram pelo meu pescoço, quentes e insistentes, lançando faíscas pela minha mente enevoada.
—Minha —ele rosnou no meu ouvido, a palavra vibrando na minha pele.
Um arrepio percorreu minha coluna, uma mistura de excitação e confusão. Ethan nunca dizia isso, e a voz dele não era tão grave. Mas o álcool sussurrou garantias: É ele. Tem que ser.
Nossos corpos se moveram juntos, urgentes e crus. As mãos dele exploravam com uma possessividade que me fazia prender o ar, dedos traçando caminhos que acendiam fogo nas minhas veias. Eu me arqueei contra ele, a dor da noite se dissolvendo em sensação.
Foi confuso, guiado pela minha impulsividade e pela fome com que ele respondia. O momento incendiado se desenrolou em rápida sucessão, o peso dele me pressionando, o ritmo crescendo como uma tempestade, pele úmida e quente. Eu me agarrei a ele, sussurrando bobagens sobre perdão, a mente um turbilhão de mágoa e alívio.
O clímax desabou sobre nós, intenso e devastador. Quando eu gritei, os dentes dele roçaram meu pescoço, afundando num mordisco agudo que misturou dor e êxtase.
—Minha —ele rosnou de novo, a palavra possessiva, quase feral. Aquilo deveria ter me alarmado, mas, na minha névoa de embriaguez, pareceu um bálsamo para as minhas feridas.
O cansaço me atingiu como uma onda. Aninhei-me contra ele, a cabeça no peito dele, ouvindo a batida constante do coração. Mais rápida do que a de Ethan, mais forte. Mas o sono puxou minha consciência. Fosse lá o que aquilo fosse, podia esperar até a manhã. Por ora, nos braços de quem quer que fosse, eu apaguei, o mundo desbotando até o preto.
