CAPÍTULO 7
ALINA
O aperto de Robert se firmou na minha cintura quando ele me puxou para mais perto, os dedos cravando na minha pele.
— Você acha que eu estou interessado numa parceria com o seu pai? Eu não preciso do dinheiro dele. Mas você, Alina… — a voz dele baixou, o hálito quente roçando na minha orelha.
— Você é um belo prêmio, não é? — murmurou, a voz escorrendo de sujeira enquanto os olhos me percorriam de cima a baixo.
— Dá pra entender por que seu pai ofereceu você. Um acordo desses… bem, está se mostrando mais recompensador do que eu poderia imaginar… Você vai ser uma ótima adição à minha coleção — arrastou as palavras, deixando o olhar tempo demais onde não devia.
Coleção?
— Eu sempre gostei dos meus brinquedos um pouco ardidos… torna quebrá-los ainda mais satisfatório.
Eu me retessei, empurrando o peito dele, mas ele só apertou mais o abraço, me conduzindo num círculo lento e controlado.
— Me solta — exigi, a voz tensa, com uma fúria mal contida.
— Eu não sou seu brinquedinho, e nem fodendo sou um troféu pra você reivindicar.
Robert soltou uma risada baixa, os olhos brilhando com algo mais sombrio, mais predatório.
— Ah, Alina — murmurou, inclinando-se ainda mais, a suavidade da voz dele me lançando um arrepio inquietante pela espinha.
— Eu posso ter qualquer mulher nesta sala, mas tem alguma coisa em você que me fisgou. Você é uma faísca, um rojão, e essa sua atitude está me deixando mais duro a cada segundo. Eu quero ouvir você implorar por mais, sentir suas pernas se enrolarem em mim enquanto eu enfio mais e mais fundo…
— Seu doente… — sibilei.
— Ah, essa sua língua… E eu tenho que admitir, estou intrigado com as possibilidades… que outros talentos essa sua boca pode ter. Eu consigo imaginar esses lábios, tão cheios e convidativos, envolvendo meu pau como uma luva quente e molhada. Só de pensar, uma descarga elétrica atravessa meu corpo enquanto eu imagino as coisas que você poderia fazer com essa língua… lambendo, chupando, me provocando até a beira da loucura.
Dei um passo para mais perto, a voz pingando veneno enquanto eu lançava a ele um olhar frio e desafiador.
— Quer saber o que mais a minha boca pode fazer? Ela pode morder com tanta força que vai deixar uma marca que você nunca vai esquecer.
A risada de Robert foi baixa, quase divertida, como se minha ameaça fosse mais entretenida do que qualquer outra coisa.
— Arisca — ronronou, claramente se divertindo.
Ele se recostou, os olhos cintilando sobre mim como se eu fosse algum tipo de desafio que ele mal podia esperar para conquistar. — Guarda essa mordida, docinho; só deixa essa… dança mais divertida.
O sorriso de Robert se alargou, um brilho doentio nos olhos quando ele deu mais um passo para perto, os dedos roçando a lateral do meu braço.
— Sabe, o seu pai… ele prometeu você pra mim, Alina. Você é a preciosa moedinha de troca dele. Parte do acordo, um prêmio a ser reclamado.
Eu congelei, um frio correndo nas minhas veias enquanto ele continuava, a voz pingando satisfação gelada.
— Eu só estou conferindo a mercadoria, docinho. Vendo se você vale o trabalho. Afinal, você vai ser minha esposa em pouco tempo. É uma transação comercial, mas um homem não pode investir sem uma inspeção antes, pode?
As palavras dele me atingiram como um tapa, meu estômago se revirando numa mistura de nojo e fúria. Meu peito apertou enquanto minhas unhas cravavam nas palmas, desesperada para manter o controle.
— Você acha que eu sou alguma… coisa pra ser passada de mão em mão? — sibilei, a voz baixa, mas afiada como uma lâmina.
— Eu não me importo com o que meu pai prometeu a você. Eu não sou sua. Eu nunca vou ser sua.
Puxei meu braço de volta, encarando-o com toda a desafiança que eu consegui reunir, mesmo com o coração martelando violentamente no peito. Mas ele nem piscou. Em vez disso, abriu um sorriso de canto, como se gostasse de me ver desmoronar.
Robert deu uma risadinha, imune à minha resistência.
— Você é exatamente o que seu pai quer que você seja. Uma mercadoria. E eu sou só o cara que vai tirar você das mãos dele. Ele tem sorte de ter alguém como eu interessado.
Ele se aproximou, o hálito quente roçando na minha orelha.
— Mas não se preocupe, querida. Você vai aprender a gostar. Eu vou garantir.
Robert se inclinou ainda mais, a voz pingando uma segurança doentia.
— Mas não se preocupe, querida. Você vai aprender a gostar. Eu vou garantir.
As palavras escorreram pela minha pele como veneno. Meu estômago se revirou com violência e, antes que eu conseguisse pensar, dei um passo brusco para trás, arrancando meu braço do aperto dele.
— Nunca — cuspi, a voz tremendo, mas carregada de veneno.
— E vamos ser honestos, Robert: do jeito que você está tentando compensar, eu aposto que não tem muita coisa pra gostar, pra começo de conversa.
A expressão presunçosa dele vacilou; a diversão nos olhos foi substituída por um lampejo de raiva fria. O maxilar se contraiu, como se ele estivesse se segurando para não revidar ali mesmo, no meio da pista de dança.
Virei de supetão, e meu olhar encontrou Arthur, a poucos passos dali, com o copo suspenso no ar, congelado. Os olhos dele alternavam entre Robert e eu, a confusão marcada no rosto, mas, quando notou a expressão escurecida de Robert, a confusão deu lugar a um cenho franzido que rapidamente virou raiva.
— Alina — Arthur rosnou, a voz baixa, mas transbordando aviso, como se eu tivesse, de algum jeito, envergonhado ele diante do convidado.
Eu o ignorei, recuando mais, os olhos em chamas de desafio enquanto eu encarava os dois homens.
— Se qualquer um de vocês acha que eu vou ficar aqui parada e fingir que está tudo bem com isso... com esse jogo doentio, vocês dois estão muito enganados.
Os lábios de Robert se curvaram num sorriso perigoso, a fúria mal contida, mas o olhar de Arthur perfurava o meu — silencioso, porém não menos ameaçador. Por um instante fugaz, eu me perguntei qual dos dois eu desprezava mais.
Disparei escada acima, pela grande escadaria, meus saltos ecoando como tiros no mármore gelado. Meu peito estava apertado, e cada respiração parecia mais difícil enquanto eu empurrava o nó crescente na garganta. As risadas e a música do salão vinham atrás de mim, me assombrando como um lembrete cruel de tudo o que eu acabara de suportar.
Ao chegar ao meu quarto, empurrei a porta e a bati com força atrás de mim. Minhas mãos trêmulas tatearam a fechadura até eu ouvir o clique satisfatório. Finalmente, uma barreira entre mim e o pesadelo lá embaixo.
Encostei as costas na porta e fui escorregando até bater no chão. Foi aí que as lágrimas vieram — quentes, incontroláveis, derramando pelo meu rosto como uma enchente que eu não conseguia conter. Meu corpo inteiro tremia, e eu abracei os joelhos, tentando me manter inteira, mas eu me desfazia a cada respiração trêmula.
Como foi que chegou a isso? minha mente gritou, enquanto as palavras nojentas de Robert se repetiam, de novo e de novo.
Meu olhar caiu no espelho do outro lado do quarto e, quando eu me vi, quase não reconheci a garota que me encarava de volta.
Olhos vermelhos e inchados. Bochechas pálidas riscadas de lágrimas. Um olhar vazio, quebrado, que eu nunca tinha visto antes.
— Essa não sou eu — sussurrei, a voz falhando. — Eu não sou tão fraca. Eu não posso ser.
Mas a verdade me esmagou com todo o seu peso. A traição do meu pai. As alegações doentias de Robert. O fato de que eu não passava de um peão no jogo distorcido deles.
Deixei a cabeça cair para trás contra a porta e encarei o teto, as lágrimas ainda caindo em silêncio. Como eu ia lutar quando a pessoa em quem eu mais deveria ter confiado era justamente quem estava me vendendo?
