Capítulo 3 Imperador 1
Mais um dia frenético. Estou eu aqui no topo mais alto do meu morro, olhando o movimento enquanto fumo um beck. Esse é o meu lugar de paz. Eu sempre venho aqui para pensar e analisar sobre as coisas importantes, as estratégias e tudo mais. Eu sou um homem frio e a coisa mais difícil é alguém me ver sorrindo. Não dou ibope a ninguém. Na verdade, eu odeio patifaria e palhaçada e faço tudo o mais discreto possível. Eu não sou de aceitar afronta e mato mesmo sem piedade. Só amo a minha irmã. Essa é a verdade. Ela foi o que me restou de família e por ela faço tudo. As mulheres aqui do morro ficam todas loucas para sentar e eu dou o que elas querem, porém após isso nada de se envolver. A única fixa mesmo é a Daniela, porém não assumo e nem vou assumir ela. Sei que é uma puta, sempre topa transar com meus manos também e ainda vem depois dizer que faz o que eu quero para me satisfazer...
Penso rindo e solto a fumaça. Fico mais um pouquinho ali marolando até que meu telefone toca.
LIGAÇÃO ON
Imperador — Qual foi, cuzão?
Morte — A dondoca não vem pra boca hoje não?
Imperador — Olha lá, desde quando te devo satisfação, princesa? Vai lá correr atrás da irmã do Menor, viado. Tá viciadinho na buceta dela né? Daqui a pouco vira um viadinho.
Morte — Aonde? Aqui é moleque, piranha muita, rola pra uma mulher só. Eu pego todas e ela é só minha, mano.
Imperador — Até a hora que ela meter o louco, seu filho da puta.
Morte — Um dia tu ainda vai achar uma mulher que vai te fazer virar um viadinho.
Imperador — Sei não, eu gosto de comer bucetas diferentes, mano. Não a mesma sempre.
Morte — Um dia bato no seu ombro, mano. Mas enfim, vem logo pra boca, temos coisas aqui pra resolver.
Imperador — Tô indo... Digo desligando.
LIGAÇÃO OFF
Subo na minha moto e fui direto pra boca. Assim que entrei, já fui pra minha sala e o filho da puta do Morte não estava lá. Deve tá brincando de casinha com a tal da Pretinha. Eu reconheço, a mina é mó gostosa, porém gostosa é o que mais tem nesse mundo e eu espero que o Morte veja isso, pois mulher só serve pra gente fuder e deixar lá. Essas putas só querem nosso dinheiro e eu não caio nisso...
Penso e o Menor entra ali sem nem bater na porta.
Imperador — Aqui tá virando mesmo a casa da mãe Joana. Já tô achando que tô mole com vocês.
Menor — Qual foi, mano? Tu demorou hoje, viu? Só chegou agora e já são 14h.
Imperador — Qual foi? Agora tu marca o meu horário é?
Menor — Sou sua secretária, amor?
Imperador — Vai se fuder, Menor. Sem brincadeiras hoje.
Menor — Tá, não tá mais aqui quem falou. Bom, cadê o Morte?
Imperador — A essa hora deve tá correndo atrás da sua irmã.
Menor — Esse filho da puta só vai parar quando eu der uma nele.
Imperador — Você é muito mole. Se fosse com a minha irmã, isso eu já teria disparado meu pente todo na cabeça dele, sem nem pensar na nossa amizade... Digo e ele engole em seco.
Menor — Bom, tu é demais desse jeito. A Tata vai ficar pra titia.
Imperador — O que você tem a ver com isso?... Digo me levantando e amedrontando ele.
Menor — N... te...nho... na...da... Ele fala gaguejando e, antes que eu responda, o Morte aparece.
Morte — Mano, tá acontecendo o maior... Ele para e diz... Qual foi aí, vocês?
Imperador — Deixa de ser mariquinha, Morte, e diz logo o que é.
Morte — A Daniela brigando na pracinha com a Ritinha, mano. Ela soube que você comeu ela.
Imperador — Essa filha da puta tá fazendo patifaria no meu morro, é isso?
Morte — Sim, mano.
Imperador — Menor, fica aqui na boca que eu vou lá agora acabar com essa patifaria... Digo saindo dali.
Morte — Espera, mano, eu não perco isso por nada... Ele diz e saímos da boca. Cada um sobe nas suas motos e pilotamos até a pracinha. Quando estaciono, logo vejo a multidão que, quando me vê, se assusta e vai abrindo espaço e recuando. Eu caminho até elas e logo tiro a Daniela de cima da Ritinha, que está toda marcada.
Imperador — Que porra é essa, sua cachorra? Quantas vezes vou ter que dizer que não gosto de patifaria no meu morro, caralho?
Daniela — Ela me provocou, disse que você dormiu com ela, meu amor.
Imperador — Para de me chamar de seu amor, pois tu sabe muito bem como é nossa relação. Eu não te cobro nada e tu dá essa sua buceta pro morro todo, que eu sei. Não vem com essa agora não.
Daniela — Eu te amo, Imperador.
Imperador — Você ama meu dinheiro, meu título de patrão e até meu pau, mas a mim não, caralho. E eu não quero explicações não. Tu vai pagar a consequência por essa patifaria aqui... Digo levantando minha arma e dando tiros para cima. Bora, caralho! Acabou a porra da festa. Quero todos em suas casas... Digo e não fica ninguém, só eu, Daniela, Morte e Ritinha.
Daniela — O que vai acontecer? O que você vai fazer?
Imperador — Morte, leva a Ritinha no postinho... O Morte sai dali com a Ritinha.
Daniela — Eu vou pra casa... Ela vira para sair e eu puxo o cabelo dela.
Imperador — O que pensa que está fazendo, sua cachorra? Eu mandei você sair, puta... Digo e ela chora. Mas nem apanhou ainda e já tá chorando... A largo e ela tenta segurar o choro me olhando.
Daniela — Pfv, Imperador, não faz nada comigo... Ela sabe do que sou capaz, por isso está assustada.
Imperador — Seu castigo será severo dessa vez para aprender... Digo e lhe dou um tapa na cara, a fazendo cair. Não estou brincando com você não, cachorra... Lhe dou um murro e ela chora ali. Eu começo a chutar ela e, no final, saio dali a deixando jogada no chão. Volto para minha sala e sento na minha cadeira até que o Morte aparece.
Morte — E aí, mano, o que você fez com a Dani?
Imperador — Lhe dei uma surra daquelas.
Morte — Mano, a Dani é uma delícia, porém dá muito trabalho. Ela fica brigando pela favela toda.
Imperador — Nem me fale. Estou cansado dessa porra. Isso é porque eu acostumei ela mal. Na verdade eu preciso mesmo é comer carne nova e fresca, uma buceta diferente dessas maria-fuzil daqui.
Morte — Tá certinho. Tu precisa de carne nova e eu vou arranjar uma pra você, chefe.
Imperador — Só quero ver. Me surpreenda.
Morte — Aguarde e eu trarei uma bem gostosa. Vou procurar e achar uma... Ele diz e eu balanço a cabeça negando.
Imperador — Bom, mano, o negócio tá bom aqui, porém eu já estou com fome. Vou lá me aventurar com as comidas da Tata.
Morte — E eu vou atrás da Pretinha. Quero fuder a bucetinha apertada dela hoje.
Imperador — Tu tá é um viadinho com essa irmã do Menor... Ele sorri descarado e sai da minha sala. Eu me levanto e saio também. Pego minha moto e piloto até minha casa. Assim que entro, a Tata está lá sentada na mesa comendo. Eu me sento e faço meu prato. Ela me olha e logo diz.
Tata — Maninho lindo.
Imperador — Diz o que quer, Tata.
Tata — Credo, Rodrigo. Tá querendo dizer que sou interesseira, é isso?
Imperador — Não, minha linda irmã.
Tata — Amanhã você vai me levar pro baile com você?
Imperador — Não. Nem me pergunta isso, que a resposta sempre será não.
Tata — Lógico, eu sempre terei que ser sua prisioneira, né? Você é um monstro... Ela diz e sai dali batendo o pé. Balanço a cabeça, termino de me alimentar e subo direto pro meu quarto, onde tomo um banho e me jogo na cama.
Desperto com o celular tocando e logo vejo que é o Morte. E de fato esse pau no cu não me dá paz, já que vive sempre no meu pé.
LIGAÇÃO ON
Imperador — Qual foi, mano? A irmã do Menor não sentou direito pra você não? Porque uma hora dessa já me atazanando.
Morte — Sentou lindamente, parceiro. Tanto que eu perdi o horário, já que são 10h. Eu hoje deixei a princesa dormir.
Imperador — O que você quer?
Morte — Entrar. Eu tenho uma novidade pra você.
Imperador — Entra aí. Eu vou tomar banho. A Tata já deve estar acordada.
Morte — Pode pá... Ele disse e eu desliguei, indo para o banheiro tomar banho e me ajeitar. E assim que terminei, vesti uma roupa e pus um óculos nos olhos.
Fui descendo as escadas e logo me bati com o Morte jogado no meu sofá todo espalhado.
Imperador — Qual foi? Tá achando o quê? Que aqui é a casa da mãe Joana? Bora, levanta, seu filho da puta... Digo e ele logo se levanta.
Morte — Calma, mano. Eu vim te ver e é assim que sou tratado? Eu mereço mais respeito.
Imperador — Vai se fuder, Morte... Ele sorri e eu vou até a cozinha me alimentar. O filho da puta fica lá jogado no meu sofá. Eu vou me alimentar e, quando volto, ele ainda está ali. Realmente a tal da Pretinha tá trabalhando certo, pois tu só anda cansado.
Morte — Ou se tá, a buceta dela é apertadinha, caralho.
Imperador — Deixa só o Menor ouvir isso que tu vai se fuder. Agora levanta e vamos pra boca. Lá tu me diz o que quer.
Morte — Beleza, vamos nessa... Ele diz se levantando e seguimos pra boca, onde o Menor já estava.
Menor — As princesas chegaram. Até que enfim.
Morte — Qual foi, Menor? Bom dia.
Menor — Pra você deve tá mesmo bom, já que pulou da janela do quarto da minha irmã.
Morte — Qual foi, mano? Não resisto a ela não.
Menor — Se tu fizer ela sofrer, eu te mato, viado.
Imperador — Até que enfim, Menor. Tu resolveu reagir.
Morte — Qual foi, Imperador?
Imperador — Só a verdade. Agora diz logo qual a novidade.
Morte — Achei carne nova pra você.
Menor — Qual foi, Morte? Tu não vai insistir com isso não, né?
Morte — A mina quer salvar a mãe e eu vou ajudar.
Menor — Entregando a alma dela pro diabo? O Menor diz e eu logo corto.
Imperador — Ou vocês dois, parem de falar em códigos e roda a porra da fita direito.
Morte — Na favela existe uma moça chamada Maria Julia, ou melhor Maju, ou até mesmo Princesinha da Favela, como é chamada pelos vapores.
Imperador — Mora aqui no Alemão e eu nunca vi nem sequer comentários?
Morte — Ela é discreta pra caralho, mano. Quase nem sai de casa e é linda demais. A mina mais bonita e doce que um favelado pode ter o prazer de tocar.
Imperador — Se ela é tudo isso, eu suponho que não vai querer se envolver comigo.
Morte — E ela realmente nunca iria imaginar se envolver com alguém como você, porém o destino vai te dar o prazer de comer ela.
Menor — Morte, pfvr, não.
Imperador — Qual foi, Morte? Primeiro tu come a irmã do cara e agora quer roubar a paixão dele? Porque pelo comportamento do Menor já sei que ele gosta dessa moça aí.
Morte — Não gosta não. Eu sei de quem ele gosta e essa é quase impossível, mas não vem ao caso agora. Continuando... A mãe da Maju precisa fazer uma cirurgia no valor de 40 mil reais e ela não tem esse dinheiro não. Então por que não juntar o útil ao agradável?
Imperador — Deixa ver se eu entendi. Eu dou os 40 mil e ela paga me dando a buceta, é isso? Xerecada?
Morte — Sim, mano. Xerecada.
Imperador — É o quê? Buceta de ouro pra eu dar 40 mil em uma noite? Tem que ser a mulher aí eu posso comer e pagar 40 mil.
Morte — Você precisa avaliar a mercadoria de perto. Já entendi. Hoje à noite tu terá esse prazer lá no baile... Ele diz. Eu concordo.
Menor — Você vai se arrepender disso, Morte, e eu vou bater no seu ombro e dizer que eu te avisei... Ele diz e se retira.
Morte — Mano, o Menor tá assim porque ela é amiga da Jenifer, mas enfim. Vou em casa tomar um banho e depois vou fiscalizar as bocas... Ele diz fazendo toque e eu me sento na minha cadeira. Fico ali a tarde toda analisando umas coisas do morro até que fui pra casa e me deitei na minha cama para tirar um cochilo.
Desperto às 21h e já vou direto pro banheiro tomar banho, saio indo pro closet e me visto. Vou olhar no espelho e vejo que estou pronto.
Vou descendo as escadas e vejo que a Tata está dormindo no sofá. Faço o mínimo possível de barulho pra não acordar ela e vou seguindo pra fora de casa. Pego minha moto e vou pro baile. E assim que chego, o negócio está frenético. Várias putas e muita cachaça. É hoje que fico louco... Vou entrando e geral abre passagem até que eu subo pro camarote e faço toque com o Menor.
Imperador — Qual foi? Cadê o Morte?
Menor — Foi buscar a Maju.
Imperador — Então é verdade? Eu estava pensando que era mais uma palhaçada dele comigo.
Menor — Não. Infelizmente dessa vez é verdade. Pfvr, Imperador, em nome da nossa amizade, rejeita ela. A mina é toda certinha, não merece estar no nosso meio.
Imperador — Qual foi? Tu gosta dela?
Menor — Não, eu não gosto dela do jeito que tu pensa não, mas conheço ela e a mãe e sei que é uma boa menina. Ela tá sem rumo, por isso tá fazendo essa loucura.
Imperador — Aí tu quer que eu faça o quê? Que desista da mina?
Menor — Sim.
Imperador — Não tenho muita piedade não, mas posso tentar dessa vez desis... Quando eu ia completar a frase, o Morte aparece caminhando na minha direção com uma mulher próximo dele. Para na minha frente e diz:
Morte — Como prometido, aqui está a Maju... Ele puxa ela pra ficar na minha frente e puta que pariu. Dessa vez essa porra me surpreendeu mesmo. Que mina linda pra caralho. Nunca vi uma dessa, toda pequenininha, toda meiga. Não sei se posso desistir não.
Imperador — Menor, me desculpa, mano. Não tem como eu desistir. Não agora... Digo e meus olhos queimam de tanto pecado quando cruzam os dela de medo.
