Capítulo 4 Maju 2
Jenifer — Amiga, vai dar tudo certo. Deus vai te dar uma luz. — Ela diz me soltando.
Maju — Eu creio e não me preocupo em me sacrificar. Bom, eu vou pra casa, quero descansar... — digo me afastando.
Menor — Me espera, Maju. Eu vou te levar até sua casa para nada te acontecer.
Maju — Tá bom, Jeferson... — Digo e ele se aproxima de mim. — Tchau, gente. Boa noite pra vocês.
Morte — Amanhã entro em contato com você para confirmar.
Maju — Viu. Tudo bem.
Jenifer — Amiga, vai dormir mesmo e refletir nessas loucuras e tirar elas da sua cabeça.
Maju — Tá, amiga... — digo e saio dali acompanhada pelo Menor.
Vamos caminhando pela rua até que ele puxa conversa.
Menor — Maria Júlia, pfvr, me escuta. Eu te vi nascer e te conheço o bastante para saber que você é uma pessoa boa e não merece ter um fim igual ao da Dani.
Maju — Eu sei disso, mas não posso deixar a minha mãe morrer.
Menor — A gente dá um jeito nisso, Maju. Eu gosto de você como gosto da Jenifer. Vocês são minhas irmãzinhas e eu não posso permitir isso. E sei que a tia também não aceitaria saber que você está nas mãos do Imperador. Porque isso é um caminho sem volta.
Maju — Eu não posso perder tempo, Menor. Eu preciso salvar ela. Eu não quero perder a minha mãe. Eu não quero viver sem ela. Esse sacrifício vale a pena e também só será uma noite, no máximo duas, pela quantia alta. E logo ele nem vai lembrar de mim.
Menor — Eu não sei, Maju, mas acho que as coisas não são assim não. Olha pra você, uma menina ingênua que eu aposto que nunca nem transou com ninguém. O que você acha que o Imperador vai fazer? Ele vai destruir todos os seus sonhos e não vai te dar paz nunca mais.
Maju — As coisas não são assim, amigo. Ele vai sim me esquecer. É só uma noite e pronto.
Menor — Eu conheço ele. Quando te ver, não vai querer apenas uma noite, Maju. Ele vai te querer várias noites e, daqui que ele esqueça isso, você vai sofrer muito com ele, as amantes dele e o falatório pelo morro.
Maju — Amigo, eu tenho fé. Isso é só para ajudar minha mãe. Ele não vai me querer não. Ele não assume ninguém. Olha a Dani, ela é prova disso.
Menor — E você tá pronta para ficar como ela?
Maju — Eu não vou ficar como ela não. Ele vai me esquecer, eu sei que vai.
Menor — Eu espero que você tire essa ideia da sua cabeça ou que, se der continuidade, realmente seja uma única vez... — Ele diz e me dá um beijo na cabeça. — Tá entregue.
Maju — Tchau, Jeferson... — digo entrando em casa e a minha mãe logo corre na minha direção e me abraça.
Maria — Para onde você foi, minha menina?
Maju — Na casa da Jenifer. Eu precisava conversar com alguém.
Maria — Ô meu amor, pfvr, facilita as coisas.
Maju — Não, mãe, não tem como. Eu sei que vou te perder, mas tudo bem. Eu vou resolver. A senhora vai fazer essa cirurgia.
Maria — Maria Júlia, o que você está aprontando, minha filha? Não vai fazer nada para se arrepender no futuro.
Maju — Eu não vou me arrepender não. Para ter a senhora aqui, eu faço qualquer coisa.
Maria — Minha filha, não podemos interferir no destino.
Maju — Eu não posso me conformar fácil assim.
Maria — Você tirou da sua cabeça a ideia maluca de pedir dinheiro pros traficantes daqui do morro?
Maju — A senhora tem uma opção melhor?
Maria — Menina, não me diga que você já falou com eles? Eu não quero você na mão desses homens, Maria Júlia. Escute sua mãe.
Maju — Não quero perder a senhora.
Maria — Vamos dar um jeito, meu amor... — ela diz me abraçando.
Maju — Tá bom. Eu vou subir, mãe. Estou cansada.
Entro no meu quarto e me deito na cama pensando que não há outra opção. Eu preciso salvar a minha mãe e, se para isso eu precise me entregar ao Imperador, tudo bem, eu me entregarei. Eu só quero não perder ela. Eu sei que a Dani vive uma vida de inferno com ele, mas ela escolheu essa vida e corre atrás dele o tempo todo e fica brigando com a favela toda por ele. Eu não vou fazer isso não. Não vou me envolver com ele nunca. Só vou usar meu corpo para garantir a vida da minha mãe e logo depois eu desapareço... penso até que pego no sono.
Sinto um corpo pulando em cima de mim e desperto assustada.
Jenifer — Bora, dona Maju. Acorda. Já são 12h, amiga. E logo hoje que é sábado e você tem o dia todo pra curtir, decidiu ficar aí dormindo.
Maju — Aí, amiga, eu não tenho ânimo pra ficar comemorando nada.
Jenifer — Ei, garota, para com isso. Sua mãe tá viva ainda. Não aja como se ela não estivesse.
Maju — Vamos passear um pouco, sei lá, tomar um açaí... — Ela diz e meu celular toca. A gaiata logo atende e começa a falar alto.
Jenifer — Oi, Eduardo. A Maju fica muito feliz de receber sua ligação. Aqui é a amiga dela, Jenifer... — Eu faço uma cara de reprovação e ela continua. — Que tal tomarmos um açaí hoje? Eu, você e a Maju. Eu quero muito conhecer o amigo da minha amiga... — Ela se afasta dali com o telefone na mão e, depois de 5 minutos, volta. — Se veste que eu marquei um encontro pra você.
Maju — Meu Deus, eu não tenho cabeça pra isso não.
Jenifer — Precisamos esquecer os problemas de uma vez, amiga... Então entra naquele banheiro e toma banho.
Maju — Tenho outra opção?... Ela balança a cabeça negando e eu vou para o banheiro tomar banho, depois me visto.
Assim que saio do banheiro, ela diz:
Jenifer — Mas é linda demais essa minha amiga. Eu imagino como esse tal de Eduardo não deve estar doido por ti.
Maju — Meu Deus, amiga, você não vale nada. E por favor, nada de querer me jogar pra cima dele ou me matar de vergonha.
Jenifer — Fica na sua, minha gostosa. Vamos logo que eu marquei daqui a 30 minutos no quiosque da praia.
Maju — E como vamos chegar lá a tempo?
Jenifer — Vou pegar o carro do Jeferson.
Maju — Ok... você que sabe... — Digo e ela me puxa pro carro. Entramos e ela liga o som.
Ficamos ali cantando e sorrindo até que a Jenifer diz:
Jenifer — Amiga, essa música te define demais. Já percebeu?
Maju — Amo demais essa música... — digo e continuamos cantando até que vejo o Dudu lá parado no lugar marcado. — Olha lá, amiga, o Dudu.
Jenifer — Esse loiro aí é o Dudu, amiga. Ele é um gato, mulher. Bora, deixa de cu doce e pula pra cima desse homem.
Maju — As coisas não são assim não, amiga. Eu tenho vergonha.
Jenifer — Vergonha de pedir dinheiro pro Imperador e até mesmo se submeter a transar com ele isso você não tem.
Maju — Aí, Pretinha, que horror. O caso é diferente. Aí seria pra salvar minha mãe.
Jenifer — Por isso que eu digo que tu é doida. Mas enfim, vamos logo que o rapaz não vai ficar plantado... — ela diz estacionando o carro e saímos indo na direção dele.
Dudu — Nossa, que linda... — ele diz e eu fico vermelha.
Maju — Obrigada. Você também tá lindo... — Digo e ele sorri.
Jenifer — Olha, gente, eu ainda estou aqui. Bom, oi, Dudu. Prazer em te conhecer. Me chamo Jenifer, ou se quiser pode me chamar de Pretinha.
Dudu — Oi, Pretinha. A Maju sempre fala de você.
Jenifer — Engraçado que ela também só anda pensando e falando de você... — Eu na hora fico completamente sem graça e lhe dou um beliscão. — Aí, essa doeu.
Dudu — O que foi?
Jenifer — Não foi nada. Só um cara ali que tomou um tombo e eu senti como se fosse em mim.
Dudu — Entendi...
Maju — Bom, vamos lá tomar esse açaí logo.
Dudu — Sim, vamos sim... — Ele diz e seguimos os três para o local. Lá ele sentou do meu lado e a Jenifer em frente a gente.
Jenifer — Bom, Eduardo, eu espero que a gente seja amigo.
Dudu — Tenho certeza que seremos, pois tudo que está ligado à Maju me interessa... — Ele diz e me olha sorrindo. Eu retribuo sem jeito.
Jenifer — Vocês são tão lindos juntos.
Dudu — É isso, tenta convencer ela que nós nascemos pra ficar juntos... Só quando ele fala isso e me olha com os olhos brilhando eu começo a lembrar da minha mãe e de como ela está doente e da possibilidade de eu ter que me entregar ao Imperador. Eu me sinto suja só de imaginar essa possibilidade e, portanto, não posso alimentar essa loucura na cabeça dele. Mesmo eu gostando dele, sentindo algo, eu sei que ele nunca vai aceitar ficar com uma mulher que se vendeu por dinheiro. Isso não vai ser legal. Eu não consigo nem imaginar a cara de reprovação dele... Penso ali e logo fecho a cara.
Maju — Eu acho que devemos ir embora. Eu estou cansada.
Jenifer — Mas, amiga, a gente chegou... Eu cortei.
Maju — Amiga, pfvr, me escuta. Eu quero ir pra casa agora... — Digo olhando pra ela.
Dudu — Tudo bem. Eu já estou acostumado com esse jeito dela de ser. Tudo bem... — Ele diz sem graça e eu fico ali com um olhar triste e a Jenifer com um olhar de reprovação.
Maju — Vamos, amiga.
Jenifer — Tá bom... Nos despedimos e fomos pro carro e ela logo diz... Que porra é essa, Maju? O cara tá na sua e você faz isso.
Maju — Eu não posso alimentar isso. O que você acha que ele vai pensar de mim ao saber que eu me deitei com um traficante por dinheiro?
Jenifer — Você ainda está com essa ideia na cabeça, Maju? O Imperador não presta. Você vai sofrer na mão dele. Ele não presta e você não vai ficar livre, amiga.
Maju — Amiga, é só uma noite. Ele logo vai me esquecer.
Jenifer — Isso é o que você pensa, amiga. Mas sabemos que você é virgem, novinha e diferente das mulheres lá do morro. Existe a possibilidade do vagabundo se apaixonar pela dama.
Maju — Isso não vai acontecer. Ele não vai se apaixonar por mim não. É só uma noite... — Digo e lágrimas caem do meu rosto.
Jenifer — Eu espero que você tire essa ideia da cabeça... — Ela diz e meu telefone toca.
LIGAÇÃO ON
Maju — Alô.
Hospital — Senhora Maria Júlia?
Maju — Sim.
Hospital — Aqui é do Hospital Municipal. Estou ligando para lhe pedir que venha o mais rápido possível, pois sua mãe passou mal e foi internada aqui.
Maju — A minha mãe? Estou indo... — Digo desligando.
LIGAÇÃO OFF
Maju — Amiga, vamos pro Hospital Municipal rápido. A minha mãe passou mal.
Jenifer — Ai, meu Deus. Vai ficar tudo bem, Maju. Se acalma... — Ela diz e eu fecho os olhos tentando me acalmar. Ficamos em silêncio e logo chegamos lá e eu corro. — Calma, Maju. Senta. Eu vou pedir informação na recepção... — ela diz e eu me sento chorando. Logo ela volta. — Ela foi chamar o doutor. Ele vem falar com você.
Maju — Tá bom... — Digo e ficamos caladas até que o médico chega.
Doutor — Parente da senhora Maria Antônia Rios?
Maju — Sou a filha dela.
Doutor — Bom, não sei se você sabe, mas a sua mãe está com tumores no cérebro. Ontem ela passou mal e fizemos uma bateria de exames. Ela precisa começar o tratamento imediatamente, senão a mesma está sujeita a morrer a qualquer momento, dentro de 30 dias.
Maju — Eu posso ver ela?
Doutor — Infelizmente não. Precisamos transferir ela para um hospital particular o mais rápido possível. Nos meus cálculos, uns 40 mil pagam o tratamento dela.
Maju — Eu vou dar um jeito, prometo... — Digo e ele se retira.
Jenifer — Amiga, calma. Vai dar tudo certo.
Maju — Agora você entende. Não posso perder tempo. Eu preciso salvar a minha mãe. Pfvr, para de me questionar e me leva até o Morte. Eu não quero saber das consequências e eu estou disposta a me entregar pela minha mãe.
Jenifer — Não vou te questionar não, amiga. Vamos lá. Eu vou te apoiar mesmo sabendo que isso é a pior merda que você vai fazer na sua vida... — Ela diz e saímos dali indo direto pra casa do Morte. Ela sai do carro indo até a porta e os dois começam a conversar ali. Eu ainda estou aérea, respiro fundo e saio do carro.
Morte — Maju, a Jenifer estava me dizendo aqui. Você tem certeza, mina?
Maju — Tenho. Eu não posso perder tempo. Eu não quero perder.
Morte — Maju, eu tenho certeza que ele vai aceitar. Na verdade, eu já comentei com ele e ele soube de você. Agora você sabe das consequências, né? O Imperador não é como eu ou o Menor.
Maju — Tudo bem. É só uma noite. Eu supero depois.
Morte — OK. Você está bem ciente das coisas. Se arruma que hoje às 23h passo na sua casa.
Maju — Tá bom... — Digo saindo dali. A Jenifer fica com ele e eu vou caminhando para casa toda desconcertada e triste. Eu não posso perder a minha mãe. Eu sei que ela nunca vai me perdoar por eu ter vendido meu corpo pro Imperador, mas eu não posso perder ela... Penso enquanto desço até minha casa. Assim que chego, me jogo na cama e acabo pegando no sono.
Acordo com um peso sobre meu corpo.
Jenifer — Bora, dona Maju. Levanta. Já são 22 horas e daqui a pouco o Morte chega.
Maju — Ai, Jenifer, como você entrou?
Jenifer — Tu deixou a porta aberta.
Maju — Pra você ver como está minha cabeça. Mas tudo bem, vou adiantar logo... Me levanto indo pro banheiro. Ela me ajuda com a maquiagem e, assim que termino, olho no espelho.
Jenifer — É hoje que um certo Imperador fica louco por uma mina.
Maju — Ai, amiga, eu estou morrendo de medo. Eu nunca cheguei perto dele.
Jenifer — Vai dar tudo certo, Maju. Fica calma.
Maju — Tá, amiga... — Digo e o telefone dela toca. A mesma se afasta e eu fico ali me olhando e pensando em onde fui parar. Eu nunca pensei nisso, em ir parar na mão de alguém como o Imperador. Eu tenho tanto medo disso tudo, mas será só uma noite e logo estou livre.
Jenifer — Vamos. O Morte tá lá embaixo... Eu nem respondo, apenas seguimos até lá.
Morte — Puta que pariu. O Imperador vai ficar louco quando te ver. Tu é a mais gata mesmo, morena.
Maju — Obrigada. Eu tô um pouco nervosa.
Morte — Vai dar tudo certo. Vamos logo... — Ele diz e seguimos os três. E assim que ele para o carro, vejo que está cheio demais e tem muitas pessoas conhecidas também.
Jenifer — Amiga, ainda dá tempo de desistir dessa loucura.
Maju — Não vou desistir. A minha mãe precisa de dinheiro e eu não posso perder ela... — Digo e ela se cala.
Morte — Vamos logo. Ele tá lá em cima... — O Morte diz e seguimos caminhando. Eu fico atrás dele. O Morte me anuncia e me coloca na frente. Vejo ele dizer algo ao Menor e caminhar até mim, me puxando para um canto reservado.
Imperador — Como é o seu nome?
Maju — Ma... ri... a Jú... lia... — Digo nervosa.
Imperador — Nossa, tá nervosa? Eu não mordo, gostosa.
Maju — Desculpa. É que eu nunca fiz isso.
Imperador — Entendi. O Morte me passou que você quer 40 mil.
Maju — Sim. A minha mãe está no hospital e eu preciso desse dinheiro pra pagar a cirurgia dela.
Imperador — Tudo bem. Eu te empresto.
Maju — Obrigada. Eu nem sei como agradecer. Eu te pago aos poucos se você puder dividir. Se possível, eu arranjo até outro emprego... — Ele sorri bem descarado.
Imperador — O pagamento é você, princesa. Seu corpo... — Ele diz e eu engulo em seco.
Maju — Tudo bem... — Digo sem jeito, envergonhada, e acabo ficando toda vermelha.
Imperador — Bom, não vou te comer hoje, nem agora. Amanhã às 19h eu mando o Morte ir te pegar. Vai pra casa que mando o dinheiro lá pelos vapores. Descansa e resolve o problema da sua mãe e amanhã a gente se resolve... — Diz e sai de perto de mim, se sentando com um copo na mão. O mesmo bebe e me olha com desejo.
