Capítulo 2 Capitulo 1

Direita. Esquerda. Direita. Abaixa. Esquerda.

Mais uma vez.

Esquerda. Abaixa. Direita. Abaixa. Esquerda.

— Você foi ótima mais uma vez, Tara! — Minha mãe diz batendo palmas. Olho para meu pai. Ele tem um sorriso satisfeito. Não consigo evitar sorrir.

— Eu me atrapalhei e por pouco não levei um soco... — Falo, mas minha mãe revira os olhos.

— Você é ótimo, querida. Subam os dois, eu vou buscar o almoço. — Minha mãe sai balançando seus longos cabelos loiros e longos.

Os treinos com meus pais são sempre ótimos. Eles se orgulham de mim e eu quero sempre agradá-los. É a única forma de agradecer por terem me tirado aquele orfanato horrível.

Eles não são meus pais de verdade; me adotaram quando eu tinha 5 anos. Eles são ninjas incríveis, mas seu filho biológico não foi declarado o mínimo de habilidade ninja, então me encontrei e vi um potencial em mim que nem eu mesma vi.

Solto meu cabelo e colo o prendedor no bolso. Limpo o suor da testa e observe meu pai juntar nossos equipamentos. Ele já é um homem velho; os cabelos que um dia foram negros como a escuridão estão cada dia mais grisalhos. Eu gosto, disse a ele que dá um tipo de charme. Não falei nada quando os pelos brancos apareceram na sua barba grossa; isso eu não achei que há charme.

— Não me olhe assim, sei o que está pensando. Eu sou velho, mas estou em forma. — Ele diz.

Sorrio pra ele.

— Você não está velho, apenas desgastado. — Faló.

Ele levanta uma das sobrancelhas. Sei que ele quer sorrir, mas não faz. Junta sua espada curta e joga para mim.

— Papai, o senhor sabe que eu não sou boa com armas. — Falo e é verdade. Eu sou péssima com uma espada ou qualquer coisa que sirva como arma.

Facas e Kunais são minha única exceção. É divertido lançar-las nos alvos. Minha mira é excelente, até consegui que eu pudesse ser uma arqueira, como minha mãe, mas não há arco no mundo que eu consiga manusear.

— Eu só queria que tentasse mais. Os espadachins ninjas estão quase extintos hoje em dia. — Ele diz.

— Ninjas estão quase extintos — O corrijo.

Antigamente, nossa população era quase toda formada por ninjas, mas algo aconteceu e as pessoas nasceram sem o dom. Hoje em dia, encontrar jovens ninjas completos está cada vez mais difícil. Completos do tipo sem variação. Ninjas puros dos cinco elementos.

Eu mesmo não conheço nenhum. Meu pai é um ninja da neblina e minha mãe uma ninja da luz. Já eu, nem sei se tenho algum elemento. Nunca consegui fazer uma transformação.

— Você tem razão. Ainda mais depois da amizade de Diana. — Ele diz.

Diana, uma ninja do inferno. Um ninja mais poderoso já visto. Há algum tempo ela tem aterrorizado ninjas e humanos que sabem da existência de ninjas com a promessa de acabar com os humanos. Ela quer criar um mundo inteiro de ninjas e está recrutando os melhores.

— Alguém deve fazer algo. — Faló.

Meu pai pega minha mão, mas está fechado. Eu havia fechado os punhos e nem percebi.

— Eu sei que você tem raiva, minha filha...

— Isso é ridículo, pai! O ciclo está só aumentando e ninguém faz nada, estamos apenas sentados esperando Diana acabar com tudo. — Faló. Eu sei que sobraram poucos ninjas, mas a vida humana está em jogo e todos sabem do que Diana é capaz.

— As pessoas têm medo. — Ele diz.

— Eu não tenho. — Falo e meu pai se assusta. — Ó senhor tem?

Ele fica calado. Você está processando a pergunta.

— Não. Mas tenho uma família e não posso fazer nada que os coloque em risco. — Dou um suspiro. — Ei, você vai realizar seu sonho, você é o ninja mais espirituoso que eu conheço.

— Não é um sonho simples, é ser o melhor. Um mais forte.

— E você é a pessoa perfeita para isso. — Ele diz e me dá um beijo na testa. — Vamos almoçar.

Com a menção do almoço, lembre-se do meu compromisso.

— Na verdade, eu marquei de almoçar com a Jenny. -Digo.

Jenny é minha única amiga. Talvez amiga seja um termo muito forte. Estudamos juntas e um dia nos encontramos na rua, ela me chamou para almoçar e eu aceitei.

— Não volte tarde. — Ele diz apenas e sobe.

Meu pai deixa a escada baixa para mim. Subo, abro a porta e me deparo com nossa sala de jantar. Nossa sala de treinamento é uma sala secreta. Existe antes mesmo de eu chegar aqui. Vou ao meu quarto, tomo um banho rápido, visto qualquer coisa e vejo que já estou atrasada.

Jenny vai ficar uma fera. Pego meu atalho de sempre. Pulo a janela, agarro na árvore e já estou na rua. Saio correndo depressa e já consigo avistar o restaurante que marcamos.

Algo me incomoda. Olho pra baixo e vejo meu tênis desamarrado. Paro e me ajoelho. Após amarrar, a sensação continua. Tem alguém me observando.

Levanto devagar, e ando no mesmo ritmo. Há alguém atrás de mim. Começo a correr e a sensação continua. Alguém está me seguindo. Olho pra trás e vejo apenas um vulto branco. Entre em um beco sem saída, então rapidamente escalo na primeira janela que vejo e fico fora de vista. Alguém se aproxima. É uma garota.

Seus cabelos são brancos como a neve, sua pele é tão pura que dá vontade de tocá-la. Seus olhos azuis como o mar brilham. Ela está me procurando. Vai até o canto e coloca a mão no cano de água que estou me segurando. O cano começa a tremer então ela olha pra cima de mim vê. Mas é tarde demais para ela.

Pulo em cima dela e prendo com minhas pernas.

— Quem é você? — Pergunto forçando meu braço no seu pescoço.

Ela parece assustada, mas se acalma na hora.

— Meu nome é Abigail Smith. Saia de cima de mim! — Ela grita esperando sob meu corpo.

Droga. Será que ela é só uma garota normal? Não. Esse cabelo é natural. Sua pele é branca demais. E até seus olhos exalam algo diferente. Ela definitivamente não é uma humana.

— Por que você está me seguindo, ninja? — Acuso uma garota.

Ela sorri.

— Você é bem perceptivo. Espera também. MAIS SAIA DE CIMA DE MIM, ESTÁ AMASSANDO MEU VESTIDO! — Consigo ver raiva nos seus olhos, então começa a chover.

Não. O sol está intenso. Isso não é chuva. Olho pra trás e vejo que um cano de água estourou.

Então sou empurrado e jogo longe. Eu me distraí.

—Tara. — Ela diz. -Tara Baker.

Ela parece feliz em me encontrar e ao mesmo tempo parece querer me matar.

—Como sabe o meu nome?—Pergunto.

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