Capítulo 5 Capitulo 4

—Escolhida? — Meu pai encara Abby. —Escolhida exatamente para quê?

Abby examina meu pai. Apesar de ele ser três vezes maior que ela, Abby não se intimida. Muito pelo contrário, ela bota no rosto um sorriso travesso e arqueia as sobrancelhas.

—O senhor deve ser o Sr. Baker. Que bom que chegou, eu sou Abby e esse é meu pai. Nós queremos levar sua filha para treinar e salvar o mundo. — Ela fala com a maior naturalidade do mundo, convicta do que diz.

Meu pai pisca algumas vezes. Ele bota a mão nas costas, onde guarda sua espada curta.

—Desculpe, minha filha é um pouco direta. Acontece que Tara é elementar. Há algum tempo recebi uma profecia de reunir os cinco elementos para derrotar Diana. — Tobi, o homem alto de cabelos brancos, diz ao meu pai.

Meu pai ainda parece atordoado. Ele não esperava chegar em casa e encontrar isso. Não sei nem se ele esperava que eu tivesse alguma habilidade.

Minha mãe observa os dois estranhos à nossa frente, estudando-os, como a ninja desconfiada que é.

—Vamos nos sentar. — Ela direciona o pai e a filha para a nossa sala e espera os dois sentarem antes de sentar.

Meu pai e eu nos olhamos. Somos uma família bem cooperativa, mas se nos perguntassem quem é o líder da família, diríamos, sem dúvidas, que é Sara Baker.

—Quem lhe deu a profecia? — A primeira pergunta surge de meu pai. Maxwell Baker só não é mais desconfiado que a própria esposa.

—Uma velha bruxa mística. Eu fazia parte do ciclo de Diana. Ela prezava a unificação dos ninjas. Mas um dia o seu discurso mudou. Acredito que ela sempre teve esse plano e a unificação dos ninjas foi apenas uma isca para recrutar ninjas pro seu lado. Quando ela anunciou que seu objetivo era acabar com humanos e assim ter um mundo apenas de ninjas. Eu sabia que era errado, eu queria sair, até que essa ninja mística veio até mim e me deu a profecia.

—Como vou saber que tudo isso é invenção e você só quer usar o poder da minha filha? — Meu pai se mexe desconfortável ao meu lado. Sua pergunta sai em um tom acusador, porém, não é agressivo.

Tobi olha para a filha e depois para meu pai.

—Sabe, minha filha é mais poderosa que a sua. Se eu quisesse usar os poderes de alguém, seriam os dela. Mas não é isso. E Tara não é a única. Há 4 meses descobrimos um jovem do elemento vento, se quiserem poder falar com ele ou sei lá. Mas eu lhe garanto, a única coisa que quero de sua filha, é a participação dela contra Diana. — Tobi olha de minha mãe para meu pai. Em momento algum, mesmo que minha mãe não esteja ativa na conversa, ele a exclui. Talvez ele saiba que a palavra final será dela.

Meu pai parece sem argumentos.

—E como seria essa participação? — Ele pergunta após um tempo.

—Quero levá-la comigo e treiná-la. Tara ainda não descobriu seu elemento e eu trabalharei duro para que ela descubra, se transforme e seja a ninja mais poderosa. — Tobi mais uma vez olha para minha mãe.

Abby limpa a garganta e olha feio para o pai. Imagino que a garota não goste da ideia de ter outra ninja poderosa. Talvez ela não tenha que se preocupar com isso, as chances de eu ser uma ninja elementar são extremamente pequenas.

—Eu não quero que ela vá. — Meu pai diz decidido.

—Eu quero. — Minha mãe fala baixinho, porém, audível o bastante.

Meu pai pega a mão da minha mãe e olha nos seus olhos. Os dois se olham como se conseguissem se comunicar apenas assim.

—Querida, ele quer tirá-la de nós.

—Eu sempre soube que Tara era especial. Deixe-a seguir seu destino. — Minha mãe diz com toda a convicção do mundo.

Então eles começam a falar motivos para eu ir ou ficar descontroladamente. Não como uma briga ou discussão. Nunca vi meus pais brigando.

Tobi parece bem desconfortável, mas Abby presta atenção na conversa. Ela me olha, como se tivesse pena de mim. Isso me enfurece. De repente, a garota se levanta e fica entre meus pais.

—Quietos! — Abby diz e meus pais a encaram. Eles não parecem nada felizes por ela ter interrompido a conversa. —Tara já tem 18 anos, não é mais um bebê debaixo da asa de vocês, ela pode decidir sozinha e o que ela decidir vocês dois terão de apoiá-la.

Então todos me olham.

Querem uma resposta.

Se esse homem tiver certo, esse seria um primeiro passo para realizar meu sonho. Mas nunca fiquei longe da minha família antes, realmente é uma decisão importante.

Então ouvimos um barulho da cozinha. Os olhos pretos de Dylan me fitam. Ele me faz lembrar por que estou aqui. Para ser uma ninja. A melhor. É por isso que vim parar nessa família.

Olho pro meu pai. Ele não está longe de mim. Pego suas mãos e o encaro.

—Papai, estou nessa família por isso. Para ser uma grande ninja. E acabar com Diana é um primeiro grande passo para realizar meu sonho. Sinto muito, terei que aceitar. — Digo tentando ler sua reação.

Ele apenas pisca várias vezes com um olhar perdido, então olha pra mim. Dessa vez com um pequeno sorriso.

—Você sempre foi tão corajosa. — Ele diz e beija minhas mãos. Então se vira para Tobi. —Ela poderá voltar nos fins de semana?

Tobi dá um sorriso e Abby também.

—Sim, claro. Mas Diana é esperta e se ela descobrir o que estou fazendo, Tara e os outros jovens terão que ficar em segurança máxima. — Tobi explica.

—Entendo. — Meu pai diz.

—Você será a melhor. — Minha mãe diz no meu ouvido.

—Então vamos, arrume suas malas, eu te ajudo. — Abby diz segurando meu braço e me puxando para o meu quarto. Ela quase entra no quarto de Dylan, o que seria uma grande confusão.

Essa sensação que sinto quando estou com Abby, não parece ser boa. É como se ela fosse ruim para mim. Não sei explicar.

Entro no meu quarto e Abby esvazia meu guarda-roupa. Colocamos tudo em duas malas, acrescento um porta-retrato com a foto da minha família e meu travesseiro, pois não consigo dormir bem sem ele.

—Você tem poucas coisas. — Abby reclama.

—Eu tenho o bastante.

É verdade, eu tenho poucas coisas. Eu nunca achei que precisaria de muita coisa, ser um ninja é a coisa mais importante para mim, não quero distrações. Amigos, namorados... Eu vou ter tempo de conhecer pessoas quando eu for uma ninja incrível.

Após as malas arrumadas, descemos as escadas e todos estão conversando. Não tem mais aquele clima horrível de antes. Meu pai é o primeiro que me vê. Minha ligação com ele sempre foi maior. Eu sempre tive a sensação de ser tudo que ele queria e isso me deixa muito feliz.

—Então você volta...— Ele diz

—No sábado. — Respondo.

—Certo.

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