Capítulo 2 Capítulo 1.1 Damian Stark
Após terminar o desenho, sigo até o setor de design para verificar pessoalmente os últimos modelos em desenvolvimento. Mergulho naquele ambiente algo que realmente me dá prazer. Faço modificações de última hora e, quando olho no relógio, já é tarde. Então apenas sigo para minha cobertura.
Saindo da empresa, meu celular começa a vibrar.
Olho a tela e vejo o nome de Viktor, meu irmão.
Resolvo atender.
— Irmão, está de pé para você fazer presença na casa de show do Bóris?
— Tinha esquecido. Vai você.
— Damian, ele faz questão da sua presença. Até deixou claro que lá terá as melhores. Só para você. Não vai fazer desfeita com ele.
— Farei presença por meia hora e nada mais. Não sei onde estava com a cabeça quando aceitei esse convite.
Sigo para casa apenas para ganhar tempo, e depois me dirijo à casa de show.
Mesmo contra a vontade, estou no carro a caminho, enquanto Viktor me enche o saco pelo atraso.
Estaciono e, por onde passo, todos abrem espaço, olhando em silêncio. Minha entrada é liberada e logo sou acompanhado até a área reservada para mim. Viktor não exagerou ao dizer que Bóris se superou desta vez. Assim que me vê, vem me cumprimentar.
— Que bom que veio, meu amigo! Você não vai se decepcionar! — ele diz, desviando o olhar para um canto, onde algumas garotas dançam sobre o palco.
Isso me agrada. Caminho até Viktor, que já está com um copo na mão e o estende para mim.
— Aproveite, irmão. Bem-vindo ao paraíso.
Bebo um gole, mantendo os olhos nas garotas que dançam. Mas, de onde estou, consigo observar a casa inteira... e algo chama minha atenção.
Não pode ser ela.
Meus olhos se estreitam. O copo, prestes a tocar meus lábios, para no ar, esquecido.
Entre as luzes pulsantes e os corpos dançantes, no meio daquele espetáculo que mais parece uma vitrine luxuosa de desejos, há alguém que destoa.
Ela. Diana.
A luz vermelha percorre seu rosto oscilante e, por um instante, duvido da minha própria sanidade. Talvez seja alucinação. Talvez seja culpa do café que não tomei direito hoje. Mas quando ela vira de lado, com aquele jeito desajeitado de quem não está acostumada a ser observada, tenho certeza. É ela.
Sem maquiagem pesada. Sem roupas provocantes como as outras. Como se tivesse sido colocada ali por engano. Como se não soubesse onde está. Como um peixe fora d’água.
— Quem é aquela? — pergunto a Viktor, sem tirar os olhos dela, só para ter certeza de que não estou vendo coisas.
— Qual delas? — ele ri, achando que estou brincando. — Aqui só tem obra-prima, meu irmão.
— Aquela. — aponto com o queixo. — Perto da escada lateral. A que parece mais perdida do que qualquer outra nesse lugar.
Viktor ergue uma sobrancelha, curioso. Olha na direção que indiquei, mas não demonstra interesse.
— Ah... Ela? Nova aqui. Acho que veio com uma das meninas fixas da casa. Quase não quis entrar, o segurança teve que insistir. — Ele ri. — Você acha mesmo que ela combina com esse lugar?
Não. Definitivamente, não combina.
— Preciso ir. — minha voz sai baixa, tensa.
— O quê? Você chegou agora! — ele reclama, irritado.
Não respondo. Já estou andando.
Minhas pernas se movem antes mesmo que minha consciência acompanhe. O som da música, as luzes, o cheiro de álcool... tudo some enquanto atravesso o salão com os olhos fixos nela. Há algo errado. Algo que não bate.
O que Diana — a secretária trêmula, a garota que mal consegue me encarar — está fazendo aqui? Sozinha. Fora do expediente. Em um lugar como este?
E por que... por que eu me importo tanto?
Quando estou a poucos passos, ela me vê.
Seus olhos se arregalam. O corpo se enrijece.
Ela tenta se virar. Fugir.
Mas seguro seu braço antes que consiga.
— Diana?
Ela empalidece.
Está com medo. Mas não é só isso. É como se estivesse... envergonhada.
— O que está fazendo aqui? — pergunto em voz baixa, mas firme, sem disfarçar a intensidade do meu olhar.
— Eu... eu não sabia que o senhor vinha... eu só vim acompanhar uma amiga... não é o que parece... — e lá está ela outra vez, sem conseguir me encarar, sem dar uma resposta direta.
O que ela não entende é que não importa o motivo. Ela não devia estar aqui.
Não neste lugar.
Não com aquele olhar.
Não provocando em mim essa maldita confusão entre raiva, proteção e... desejo.
— Venha comigo. — ordeno, sem deixar espaço para discussão.
Ela hesita.
— Eu... não posso... minha amiga...
— Agora, Diana. — minha voz sai como um comando.
Ela cede.
Me acompanha em silêncio, desviando os olhos de tudo e todos, como se quisesse desaparecer.
A conduzo até o andar superior, para um dos camarotes mais reservados.
Fecho a porta atrás de nós e me viro para encará-la.
— Você tem ideia do que está fazendo? — pergunto, mais calmo, mas ainda tenso.
