Capítulo 3 Capítulo 1.3 Damian Stark

Ela me encara com uma mistura de medo e orgulho. Há algo nela que me desconcerta. Não é como as outras. Não se encaixa. Mas também não se dobra.

— Eu não vim aqui para isso... e nem sabia que o senhor estaria... eu juro. Não estou mentindo.

E, de repente, como se fosse puxado por algo invisível, dou um passo em sua direção. Ela recua.

Dou outro passo.

Ela encosta na parede. E, mesmo assim, não desvia o olhar.

E eu penso: Por que ela?

Por que ela me tira do controle?

E, mais ainda: por que diabos eu não consigo deixá-la ir?

— Fale a verdade — exijo, cruzando os braços e bloqueando qualquer saída. — Você veio aqui por quê? Está envolvida com alguém? Está me espionando? Tentando... subir na empresa?

Ela pisca, confusa.

— O quê? O senhor acha que eu...?

— Eu não sei o que pensar, Diana! — rebato, a voz mais alta do que gostaria. — Você aparece na minha vida feito um erro de sistema, tropeça, derruba café, me tira do eixo... e agora surge aqui, nesse lugar, como se nada demais estivesse acontecendo!

— Eu só vim acompanhar uma amiga! — ela finalmente grita de volta, os olhos faiscando de indignação. — Eu nem queria vir, mas ela insistiu, disse que seria rápido! Eu nem sabia que esse lugar era assim, e muito menos que o senhor estaria aqui!

— Está dizendo que foi uma coincidência?

— Estou dizendo que o senhor está me julgando sem saber de nada!

O silêncio que se segue é denso. O tipo de silêncio que queima por dentro.

Ela respira com dificuldade, o peito subindo e descendo. Está nervosa, mas se recusa a abaixar a cabeça. E eu... eu estou mais irritado com isso do que com o fato de ela estar aqui.

Ela não tem medo de mim como os outros. Ou talvez tenha, mas luta contra isso.

E, pela primeira vez, me sinto um idiota completo.

— Por que está tão incomodado com a minha presença aqui? — ela pergunta, com uma coragem que não esperava. — É porque sou sua funcionária? Porque sou desajeitada demais pra estar num lugar como esse? Ou porque te incomoda o fato de eu não fazer parte do seu mundo perfeito?

Eu me aproximo de novo. E, dessa vez, ela não recua.

— Você não faz parte do meu mundo — respondo com frieza, encarando-a nos olhos. — Mas, de alguma forma... ele tem girado em torno de você nos últimos dias. E isso é um problema.

Ela engole em seco.

— Então me demita.

O silêncio corta o ar. Meu maxilar trava. Meus punhos se fecham.

Mas eu não consigo dizer as palavras. Porque a ideia de demiti-la... me corrói.

— Não posso. — minha voz sai baixa, quase amarga. — E isso me irrita mais do que você imagina.

— Então o problema não sou eu. O problema é o senhor, senhor Damian. Que não sabe o que sente... nem o que fazer com isso.

Essa foi a gota.

Avanço mais um passo, colando nossos corpos sem tocá-la. Ela prende a respiração, mas não se move.

— Eu sou o homem que manda neste império — murmuro, encarando seus lábios e depois seus olhos. — O que dita regras, muda rotas e faz impérios se curvarem. Mas com você... nada faz sentido. E se isso for um jogo, Diana, você está brincando com fogo.

— Não é um jogo — ela sussurra. — Mas se fosse... talvez eu já estivesse queimando.

Por um segundo, a tensão quase se rompe em algo mais.

Mas eu me afasto. Um passo. Dois.

Preciso de ar. De distância. De recuperar a calma.

— Vá para casa. Agora. E amanhã... não chegue atrasada.

Ela parece hesitar, como se esperasse algo mais. Mas apenas acena em silêncio e se retira com a mesma dignidade com que entrou.

E, quando a porta se fecha atrás dela, eu sei: Essa garota não é apenas um contratempo.

É o início de um caos que carrega o meu nome.

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