Capítulo 6 Capítulo 2.2 Diana Cross
E, quando finalmente chegou o fim do expediente, nem esperei o relógio marcar a última batida. Desliguei meu computador, peguei minha bolsa e fui embora.
Fugir parecia a única opção.
Assim que saí do prédio, peguei o celular e vi várias chamadas perdidas de Berta. Meu coração deu um salto. Ela não costumava ligar tanto assim. Será que algo tinha acontecido?
Mas eu só queria chegar em casa. Precisava de um banho. De silêncio. De um pouco de dignidade.
Não demorou até que eu colocasse a chave na porta e entrasse. E lá estava ela.
Berta. Pronta, impecável, com um vestido justo e saltos que eu jamais conseguiria usar sem tropeçar.
— Dih! — exclamou, radiante. — Estava tentando falar com você! Vá se arrumar, tenho entradas para uma nova casa de shows que acabou de abrir. Está todo mundo indo!
— Nem pensar. — murmurei, largando a bolsa no sofá. — Preciso descansar. Hoje o dia foi um desastre.
— Por isso mesmo! — ela insistiu, empolgada. — Vamos! Prometo que voltamos cedo. Você não vai me negar isso, vai? Por favorzinho?
O olhar dela, aquele brilho no rosto... e talvez um pouco da culpa me corroendo por dentro, me fizeram ceder.
— É... quem sabe seja bom mesmo. Preciso esquecer esse dia.
Ela comemorou como se tivesse ganhado na loteria, e eu fui direto para o banheiro. Precisava de um banho, de água quente, de tentar lavar a vergonha que ainda grudava na pele.
Enquanto a água escorria, a única coisa que vinha à minha mente era a expressão dele. O rugido, o olhar de fúria, o jeito como me expulsou da sala.
Merda, Diana. Precisa ser mais atenta. Mais forte. Menos você.
Suspirei fundo, tentando empurrar os pensamentos para longe.
Minutos depois, já estávamos na casa de shows. As luzes, a música, o ambiente inteiro pulsavam em uma energia vibrante. Gente bonita, animada, euforia no ar... mas eu não me via ali.
Algo dentro de mim apertou. Um desconforto. Um aviso. Como se meu corpo soubesse de algo que minha mente ainda não entendia.
— Berta... — tentei dizer. — Acho que não vou ficar...
Antes que pudesse recuar de verdade, os seguranças já haviam aberto caminho, e fui praticamente arrastada para dentro com ela.
Ficaria apenas alguns minutos. Só até ela se distrair. Depois daria uma desculpa e iria embora.
Pelo menos, esse era o plano.
O que eu não esperava... era que ele estivesse ali.
Damian. No mesmo lugar que eu. E que, por algum motivo que eu ainda não conseguia entender, seu olhar me encontrasse no meio da multidão. Como se me reconhecesse pelo caos que eu carregava. Como se me enxergasse antes mesmo de querer me ver.
E, naquele instante, soube que o desastre do café não seria o maior problema da minha noite.
Fui pega de surpresa quando ouvi minha voz ser chamada a dele, grave, firme, inconfundível. Damian Stark. Meu chefe. O homem que mais me intimida. No mesmo instante, senti meu corpo congelar, como se tivesse sido flagrada em um lugar onde jamais deveria estar.
Tentei me explicar, envergonhada, mas ele não me deu espaço. Apenas ordenou que eu o seguisse e, incapaz de dizer "não", acabei conduzida até um camarote isolado. A tensão entre nós era sufocante.
Ele me acusou de intenções que jamais tive espionagem, segundas intenções, qualquer pretexto que justificasse sua irritação comigo. Mas, pela primeira vez, não abaixei a cabeça. Rebati. Disse a verdade: que só estava ali por insistência da Berta, que nada fora planejado.
E, quando perguntei por que minha presença o incomodava tanto, percebi que nem ele tinha uma resposta clara. Admitiu que não podia me afastar, e isso parecia perturbá-lo ainda mais.
Por um instante, ficamos perigosamente próximos, como se algo maior que nós dois estivesse prestes a acontecer. Mas ele recuou. Mandou-me embora, como se fosse a única forma de recuperar o controle.
Saí dali com o coração em chamas, sabendo que, depois daquela noite, nada entre nós voltaria a ser igual.
