Capítulo 8 Capítulo 3.1 Damian Stark

Foi difícil passar o dia com essa dúvida. Não sabia o que esperar dela, nem quem a mandou, nem quem poderia estar por trás de sua presença aqui. Cada vez que aparecia diante de mim, meu corpo inteiro se mantinha em alerta.

À noite, quando ela já havia ido embora, segui para casa com a cabeça latejando. Eu precisava descobrir logo a verdade, mas uma certeza já queimava em mim: se for um jogo, se for uma armadilha... eu a destruirei de um jeito que ninguém jamais lembrará que um dia ela existiu.

Só espero que você não esteja me enganando, Diana Cross.

À noite, em casa, mais calmo, abri novamente o cofre. Encarei a imagem da criança com a marca. A mesma que agora eu tinha visto com meus próprios olhos.

Diana... será mesmo você?

A filha perdida? Ou apenas uma armadilha disfarçada de destino?

Durante a madrugada não foi diferente — meus pensamentos giravam em torno dela. Maldição... só podia ser ela. Meu pai dizia que eu saberia quando encontrasse a minha prometida.

O dia amanheceu e cheguei cedo à empresa. Nem mesmo ela havia chegado ainda. Era disso que eu precisava: silêncio, paz... e o relatório que pedi. Ao entrar na minha sala, encontrei um envelope sobre a mesa, do jeito que gosto: rápido.

Um envelope preto, com selo de segurança.

Tranquei a porta. Abri. E comecei a ler:

Nome completo: Diana Cross.

Natural de: Petrograd.

Situação familiar: órfã de pais biológicos.

Adoção informal: aos 8 meses por Olga Cross (falecida).

Registro anterior: desaparecido.

Certidão de nascimento: emitida apenas aos 3 anos.

Marca de nascença: clavícula esquerda.

Meu sangue gelou.

Ela desapareceu exatamente no período em que meu pai falava sobre uma criança que precisávamos encontrar.

Diana foi escondida. Por alguém que não queria que ela fosse descoberta.

Mas agora... ela está aqui.

Sob meu teto.

Sob meu olhar.

Sob o meu risco.

Fechei a pasta, encostei na cadeira e respirei fundo.

Ela é a escolhida. Mas será confiável? Ou foi plantada para destruir tudo?

Tentei me concentrar no trabalho, nos desenhos dos carros — meu refúgio silencioso. Mas ela... ela quebrava meu foco apenas por existir.

À tarde, uma reunião externa me afastou da empresa.

Minha assessora notou meu distanciamento, mas jamais imaginaria o caos que eu enfrentava. Eu precisava de uma solução. Um plano. Um lugar seguro para colocá-la, longe dos olhos errados.

À noite, encarei sua foto emoldurada na estante. O olhar dela parecia atravessar-me.

Ela é a mulher que devo proteger. A mulher com quem preciso me casar.

Peguei o celular e disquei.

— Siga Diana discretamente. Quero saber quem se aproxima dela. Mapear tudo. Entendido?

— Sim, senhor. Deseja detalhes em tempo real ou um relatório com fotos?

— Relatório completo.

Desliguei sem esperar mais nada.

Agora só restava tentar descansar.

Eu precisava focar. Ainda havia muito a verificar. E, acima de tudo, eu precisava descobrir como me aproximar dela.

Acordei cedo e segui para o trabalho. Antes de chegar ao escritório, fui até a área de criação de veículos e permaneci lá quase o dia todo. Precisava de tempo.

Precisava de controle.

Mas, ao voltar, ela estava lá. Focada no computador. Nem se moveu quando passei. Entrei em minha sala.

Meu celular apitou. Fotos.

A primeira: Diana chegando em casa com uma mulher devia ser a amiga.

A segunda: na frente da faculdade.

A terceira... um carro parado ao lado dela. Um homem.

Quem diabos era aquele?

Liguei imediatamente.

— Quem é esse homem ao lado dela?

— Ainda não sei, Damian.

— Eu fui claro. Quero saber TUDO. Descubra quem é. Agora.

Desliguei, furioso.

Ela não pode ter um namorado.

Ela é minha.

E de mais ninguém.

Momentos depois, alguém bateu à porta. Era ela. Olhar baixo, postura contida.

— Senhor, remarquei sua videoconferência para daqui a vinte minutos. E os documentos estão em sua mesa.

— Fora isso, algo mais importante?

— Não. Apenas isso.

— Ok. Quando finalizar, aviso.

— Precisa de algo mais?

— Não. Pode se retirar.

Ela se virou para sair, mas minha voz a deteve:

— Diana, você tem namorado?

Ela parou. Virou-se, surpresa.

— Oi? Não compreendi, senhor...

— A pergunta é simples. Sim ou não. Você tem namorado?

— Com todo respeito, minha vida pessoal não diz respeito ao senhor — respondeu, pela primeira vez, me encarando diretamente.

— Diana, a partir do momento em que trabalha para mim, me deve obediência. Agora responda.

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