Capítulo 9 Capítulo 3.2 Damian Stark
Ela me olhou firme. Respirou fundo.
— Não. Algo mais, senhor?
Sua voz trazia a raiva que ela tentava esconder. Apenas indiquei que saísse.
Fiquei em silêncio, observando-a se afastar.
Ela é a escolhida.
Mas ainda é um enigma.
E pode ser, ao mesmo tempo, a minha salvação... Ou minha ruína.
Tento me concentrar na pauta da reunião, mas é inútil. As palavras se embaralham diante dos meus olhos, os gráficos perdem o sentido e a voz dos outros participantes se torna apenas um ruído de fundo.
Meu foco está comprometido.
A única imagem que insiste em dominar meus pensamentos é a dela.
Diana.
Passo o restante da tarde mergulhado em reuniões, contratos e documentos.
Mas nada me distrai o suficiente. Nem mesmo os assuntos mais estratégicos conseguem disputar espaço com a presença silenciosa que ela ocupa em minha mente.
Em determinado momento, ela entra na minha sala para entregar os papéis que eu havia solicitado. Trocamos poucas palavras. Ela sai, e eu permaneço imóvel, observando a porta se fechar atrás dela.
Depois, viro-me para a janela ampla e fico encarando o movimento da cidade lá embaixo, buscando clareza no meio do caos que se instalou dentro de mim.
O som do celular me desperta do transe. A tela pisca com novas mensagens e algumas fotos anexadas. É meu contato. Abro com rapidez.
“Nome: Otávio. Solteiro. Estudante de medicina. Está no mesmo período que Diana. São apenas amigos, sem histórico de envolvimento romântico.”
Respiro fundo. Digito apenas um “ok, continue de olho” e envio a resposta.
Por algum motivo, essa confirmação me alivia. Pelo menos, por enquanto, não preciso me preocupar com esse idiota. Não quero distrações. Não quero obstáculos.
E, principalmente, não quero ninguém no meu caminho.
Ela bate à porta da minha sala e autorizo a entrada com um simples gesto.
Surge com a postura sempre cuidadosa, como se medisse cada passo, cada palavra.
— Senhor, ainda vai precisar de mim? Já está no meu horário.
— Pode ir. Está liberada.
— Ok. Tenha uma boa noite — diz, já se virando para sair.
A porta se fecha, e percebo que o dia chegou ao fim.
Encerro o que restava do expediente, desligo o computador, recolho os documentos que preciso analisar em casa, guardo tudo com calma e deixo a sala em silêncio.
No elevador, noto que ela não está ali. Provavelmente pegou o outro. Aperto o botão da garagem. O celular vibra no bolso. É a Verônica.
Suspiro antes de atender.
— Damian, onde você está? — dispara, com aquele tom irritante de sempre.
— Desde quando preciso dar satisfação da minha vida?
— A gente tinha reunião. Acabei de ir na sua sala e você sumiu. E aquela desastrada da sua secretária também!
— Se quiser continuar como minha assessora, reveja o tom com que fala comigo.
— Damian, o que está acontecendo com você?
— Se for algo importante, envie por e-mail. Ou deixe na minha sala que amanhã eu resolvo.
Desligo na cara dela.
Não tenho paciência para lidar com os dramas de Verônica. Não hoje.
Chego à garagem, entro no carro e deixo o prédio.
Pego a avenida principal. Um impulso me faz mudar de rota — quero ver como ela volta para casa.
Dobro a rua e lá está ela, na parada de ônibus. Sozinha.
Mas, antes que eu consiga me aproximar, um carro para ao lado dela.
Fico em alerta.
Ela sorri. E entra.
Merda.
Quem é esse? Ela não pode simplesmente entrar no carro de qualquer um.
Acelero discretamente, mantendo uma distância segura, e sigo o veículo. Algo em mim se revira ao vê-la ali dentro, confortável, conversando com um desconhecido.
Quando o carro entra na avenida da faculdade, estaciona e ela desce. Não demora para que o motorista também saia. Reconheço o rosto. É o mesmo da foto.
Otávio.
Merda.
Observo os dois caminhando lado a lado para dentro do campus. Riem de algo.
E eu ali, preso dentro do carro, sem poder fazer absolutamente nada.
A sensação de impotência me corrói. Eu preciso agir.
Preciso retomar o controle.
Preciso encontrar um jeito de tê-la sob minhas regras, antes que alguém mais pense que pode tê-la.
