CAPÍTULO DOIS
Minha mãe faleceu quando eu tinha doze anos. Foi câncer causado por trabalhar demais, pensei a princípio, mas depois descobri que era histórico. Que tipo de câncer mata uma pessoa antes do auge?
Esse era meu pensamento e foi o que me levou a começar a ler sobre biotecnologia e a evolução das células cancerígenas. Caramba! Nunca pensei que poderia saber tanto naquela época.
O cheiro de livros antigos enche o ar enquanto eu me encolho no canto da biblioteca, meu refúgio da tempestade que rugia tanto dentro quanto fora de mim. Eu me enterro no mundo da biotecnologia, meus dedos traçando as páginas cheias de jargão científico e teorias.
Naquela época, eu só queria saber o que aconteceu com minha mãe. Meu padrasto, Greg, nunca se importou muito. Ele só se sentava à noite, todos os dias, depois de trabalhar horas na Fábrica Evge, de propriedade do clã dos lobisomens, para chorar. Ele a amava tanto.
"Ei, se importa se eu me juntar a você?" uma voz interrompe meu santuário solitário.
Olhei para cima, surpresa, para encontrar um jovem parado diante de mim, um brilho travesso nos olhos. Ele é alto, com cabelo desgrenhado e um sorriso brincalhão que sugere um mundo de segredos. Sua roupa casual contrasta com a atmosfera séria da biblioteca, chamando minha atenção.
"Ah, claro," gaguejei, pega de surpresa por sua presença inesperada. "Eu estava apenas... lendo."
Ele ri e se senta ao meu lado. "Lendo? Numa biblioteca? Quem diria?" ele provoca, sua voz com um toque de sarcasmo.
Não pude deixar de sorrir, o peso dos meus fardos momentaneamente aliviado. "Bem, acho que sou um pouco rebelde nesse sentido," respondi, minha voz tingida.
Ele estende a mão para mim. "Sou Alex, a propósito. Posso perguntar no que você está tão absorta?"
Apertei sua mão. Elas eram mais finas e nos tornamos amigos de verdade depois daquele dia. Ele era mais velho. Tinha quinze anos na época.
"Fiona. E estou mergulhando no mundo da biotecnologia. Coisas fascinantes, realmente."
Alex se inclina, seus olhos cheios de curiosidade genuína. "O que te interessou nisso?"
Parei e meu olhar se perdeu nas memórias do sofrimento da minha mãe, as perguntas sem resposta que ainda me assombram. "Minha mãe... ela morreu de câncer. E eu não pude deixar de me perguntar por quê. Por que teve que levá-la antes do tempo?"
A expressão de Alex suaviza, seu olhar cheio de empatia, como se compartilhasse dessa experiência. "Sinto muito por ouvir isso. O câncer é um inimigo cruel, mas estamos fazendo progressos para entendê-lo."
Eu assenti, meus olhos fixos nos dele. "É por isso que estou aqui. Quero entender, encontrar respostas. Talvez até fazer a diferença."
Ele se recosta e seus olhos brilham com calor. "Sabe, Fiona, dizem que conhecimento é poder. E nesse campo da biotecnologia, há um mundo de potencial inexplorado esperando para ser descoberto. Meu pai me disse isso. Ele trabalha para eles."
"Para eles?"
"Não se preocupe. Não quero mencionar. Ele disse que há..."
Uma onda de curiosidade me invade, misturada com um toque de incerteza. "O que você está sugerindo?" perguntei.
Ele sorriu e, de alguma forma, um brilho de excitação dançava em seus olhos. "Conheço um grupo de pesquisadores, mentes brilhantes movidas por um propósito comum. Nós mergulhamos nos mistérios da biotecnologia, ultrapassando limites e desafiando o status quo. Eles estão procurando por pessoas apaixonadas como você, Fiona."
Hesitei naquele momento, mas o apelo dessa oportunidade inesperada me tentou. "É... é seguro? Quero dizer, e se isso me levar por um caminho sem volta?"
O sorriso de Alex suavizou, sua voz carregada de sinceridade. "Não vou mentir para você, Fiona. É uma jornada cheia de riscos e incertezas. Mas às vezes, a única maneira de encontrar as respostas que buscamos é entrar no desconhecido."
Olhei para ele e sorri. Ele é jovem como eu e muito inteligente.
"Estou dentro," declarei, uma nova determinação brilhando em meus olhos. "Mostre o caminho, Alex."
Ele sorriu de volta.
"Eles ficarão muito felizes em ter você."
Nós costumávamos nos encontrar no beco. Secretamente. Então, um dia, ouvi dizer que ele também morreu e os outros deixaram a cidade.
Quando fui à casa dele, as portas estavam trancadas e não vi ninguém por perto. Havia uma marca, uma marca cruzada na parede e uma corrente pendurada nas portas trancadas. Não pude perguntar a ninguém o que estava acontecendo, nem mesmo ao meu padrasto. Ele está sempre bêbado e volta para casa chorando à noite.
Mas a batalha não acontece apenas nas salas de aula e nas conferências. Ela também acontece dentro de mim, enquanto a dúvida e o medo dançam com a paixão inabalável que corre em minhas veias. Sou forte o suficiente para suportar a pressão, a constante vigilância? Posso realmente fazer a diferença nessa dança com as sombras? Esses eram meus pensamentos antes de conhecê-lo. Ele estava ao meu lado. Ele estava lá.
Entrei no carro marrom e o pensamento de Alex permaneceu comigo. Parei de olhar para Sebastian naquele momento. Estou apenas conhecendo-o pela primeira vez. Alex esteve lá o tempo todo, mesmo tendo morrido aos dezessete anos.
"Fiona, você é uma força a ser reconhecida," ele me disse, sua voz cheia de crença. "Sua paixão, seu intelecto—eles não podem ser extintos por aqueles que temem a mudança. Confie em si mesma e no poder de nossas descobertas."
Endireitei meus ombros, pronta para enfrentar os desafios de frente. Não permitirei mais que a dúvida enfraqueça minha determinação. Sou uma guerreira, armada com conhecimento e movida pelo desejo de trazer esperança ao mundo.
"Quer alguma coisa?" Sebastian perguntou. Ele notou que meu silêncio se tornou profundo.
"Nada," eu disse. Focalizei meus olhos no painel.
"Tem certeza?"
"Sim."
"Você parece mais cansada. Tome isso."
Ele me passa uma lata de refrigerante. Nem li o nome antes de abrir. Está mais gelado que o tempo lá fora e tem gosto de sal insosso.
"Obrigada," eu disse.
"De nada." Ele liga a ignição e o carro se move pela chuva.
