Capítulo 2 Lana - 2
Lana
Achei que ele fosse me pedir algo fora dos padrões e eu estava certa, já estou cansada de mostrar tudo para todos. Esse tal Leon me deixou sem palavras, podia ver o que quisesse e me pedir até que tocasse meu corpo na frente da câmera, mas não.
— Meu rosto, é isso que o senhor quer que eu mostre, mesmo?
— Pago mil dólares para tirar a sua máscara!
A única coisa que consigo preservar nesse trabalho, é o meu rosto. Esse tal Leon me pediu demais, mas mil dólares é um dinheiro ótimo e vai me ajudar a pagar muitas coisas e até sonhar em conseguir mais rapidamente o valor da cirurgia.
— Já tem uma resposta para mim? Estou esperando e não gosto de fazer isso, morena!
— Faça o pix, vou fazer o que me pediu agora.
Em menos de três minutos, haviam mais de quatro mil reais na minha conta segundo a cotação atual do dólar. Desamarrei o laço da máscara e a retirei olhando para a tela, nunca me senti tão humilhada quanto agora.
Mostrar o corpo tendo o rosto coberto preservava minha intimidade de alguma forma, minha honra… agora estou exposta. Deixei uma lágrima rolar e a limpei bem rapidamente, com certeza não era para ver uma pessoa chorando, que ele havia pago tanto.
— Já pode colocar a máscara de volta agora!
Fiz o que ele pediu e cobri meu rosto novamente, Leon saiu o bate-papo. Muitos dias passaram e eu continuei a me expor e ganhar meu dinheiro daquela forma, às vezes, me pego esperando por aquele tal homem de novo. Um homem que muito provavelmente deve estar tão longe, por que ele pagaria para ver o rosto de uma mulher assim?
Não deve ter gostado de mim, nunca mais acessou minha página. Eu estava seguindo e juntando aos poucos um dinheiro, mas as contas e despesas de casa não me permitiam guardar o bastante. Andando pela rua eu passei por uma igreja e entrei, clamei a Deus que me desse uma saída.
— Deus, estou disposta a provar o meu amor pela pessoa que mais se dedicou a mim nessa vida. Me ajude a salvar a minha mãe, me ajude! — Naquela semana, tínhamos feito o pedido da cirurgia dela na rede pública de saúde, mesmo sabendo que não daria tempo.
Estávamos à espera de um milagre e da providência divina. Continuei com meu trabalho na web e certo dia, quando minha mãe estava no supermercado, recebi uma visita.
— Eu gostaria de falar com a senhora Lana Gonçalves Fernandes.
— Sou eu! — Fiquei assustada, tudo o que eu menos preciso é de mais problemas nessa vida.
— Sou advogado e me chamo Alberto Bragança. — Nos cumprimentamos com um aperto de mão e eu o convidei para entrar.
— Não sei qual assunto o senhor pode ter para tratar comigo.
— Não fique assustada com a minha visita Lana, estou aqui para representar os interesses de meu cliente. O senhor Leon Versalles!
— Leon, eu me lembro desse nome.
— Exatamente, eu vim para te oferecer um contrato a pedido dele.
— Contrato? Como ele me encontrou? — Fiquei assustada, se ele me achou assim tão facilmente, outros poderiam fazer o mesmo.
— Meu cliente é um homem muito rico, ele gostou de você. Sabemos que está em uma situação complicada, devido à saúde de sua mãe.
Deus, eles sabiam de tudo! Se eu queria me esconder do mundo usando uma máscara, agora todos iam saber graças a chantagem dos dois. Comecei a chorar, todos descobririam o que estava fazendo para ganhar a vida.
— Por favor, se acalme moça! — Ele me ofereceu um lenço de papel. — Já vi que não entendeu as reais intenções da minha vinda.
— Então me explique, o que o senhor quer de mim?
— Não se trata do que eu quero e sim Leon. — Ele retirou uns papéis de dentro da pasta e me entregou.
— O que é?
— Um contrato. Você tem toda essa semana para ler, caso precise tirar alguma dúvida deixarei meu contato ou você pode até mesmo, consultar outro advogado de sua confiança antes de assinar.
Fiquei olhando para aqueles documentos.
— Essa é uma grande oportunidade de salvar sua mãe, não deixe de ler o que está escrito aqui. — O acompanhei até a porta e recebi o cartão com o contato.
Um contrato, eram tantas páginas… cláusulas e mais cláusulas e de muitas delas, eu não entendi nada. Ana Cláudia estava de namoro com um estudante de direito e eu aproveitei para que ele nos ajudasse a entender algumas coisas.
— Aqui diz traz a descrição do propósito do negócio firmado, na verdade, e em palavras mais simples, esse é um contrato de submissão. Ele estabelece que ao assinar, você estará firmado um acordo de morar em sua residência situada em Londres, por um prazo pré-estipulado de doze meses a contar do dia de seu desembarque no país. A parte contratada B, que é Lana, deverá prestar serviços sexuais para a parte A, pelo período de vigência firmado.
— Eu não entendi errado, Leon quer que eu seja sua prostituta particular! — Fiquei assustada, claro que não vou aceitar ir para outro país com um homem estranho.
— Ele solicita que faça vários exames médicos de rotina antes da viagem. — Diogo parecia mais interessado em ler tudo aquilo do que eu.
— Além de tudo, ele não é chegado em camisinha! — Ana Cláudia ironizou.
— Pelo menos, você consegue achar graça em tudo isso, Ana, cada dia que passa eu sinto mais medo do que vai acontecer com a minha mãe.
— Então aceite Lana, se esse homem mora fora do país e se deu o trabalho de mandar um advogado aqui. Ele pode mesmo estar interessado em manter uma relação esse tempo com contigo amiga.
— Mas isso é loucura! — Exclamei.
— Ele te deu aqui muitas garantias sobre sua integridade física, te assegurando de que não haverá violência. Terá todas as despesas de alimentação, hospedagem e translado custeadas por ele, pesquisei aqui e esse advogado dele é mesmo legítimo, eu só não consegui encontrar nada sobre esse tal Leon Versalles e nem fotos. — Diogo era um cara legal, estava nos ajudando como podia.
