Capítulo 1 O Passado Bate a Porta

Após ser acusada de assassinato, Maria cumpria sua pena em uma cadeia distante de onde seus filhos viviam. A mesma foi abandonada à própria sorte pelo homem que jurava amá-la e, na primeira turbulência que surgiu em sua vida, a abandonou. Ela sofreu pela ausência de seus filhos e fez uma promessa: mataria a mulher que existia dentro de si, deixando apenas a mãe viva. Assim, lutou bravamente durante 20 anos para ser libertada da prisão e voltar para seus filhos.

Após conseguir o indulto, ela sai da cadeia e volta para o México. Já estava havia alguns dias instalada em seu apartamento e buscava forças para se encontrar com Estevão Salvatierra, o grande amor de sua vida, de quem jurou se vingar por tudo o que havia lhe feito.

Chega o dia do grande encontro. Maria sai de seu apartamento, entra em um táxi e vai às Empresas Salvatierra. Alguns minutos depois, ela chega, desce e vai até o elevador, encontrando um homem jovem, um tanto parecido com alguém de seu passado.

Heitor: Bom dia!... — falou educadamente com Maria.

Maria: Bom dia!... — respondeu e ficou olhando para ele enquanto pensava.

💭Não pode ser... Meu filho... É o meu filho... Como se parece com o Estevão quando jovem... Meu Deus, é o meu menino... aquele pequenino a quem tiraram a mãe... quanto eu perdi da vida dele... já está um homem.💭

Ela é interrompida de seus pensamentos por ele.

Heitor: A senhora vai para qual andar? — perguntou gentilmente.

Maria: Para o andar da presidência... Vou encontrar um velho amigo... — disse, dando-lhe um sorriso, que foi retribuído por ele.

Chegam ao andar, despedem-se, Heitor vai para sua sala e Maria segue até a sala de Estevão, onde é interrompida por sua secretária.

Lupita: Bom dia, senhora. Em que posso ajudá-la?

Maria: Bom dia! Vim falar com o Sr. Salvatierra.

Lupita: A senhora tem hora marcada?

Maria: Não! Não tenho hora marcada com ele. Tenho certeza de que ele não se negará a me atender.

Lupita: Eu sinto muito, senhora, mas o Sr. Salvatierra só poderá atendê-la se tiver hora marcada.

Maria: Pode me anunciar. Ele vai me atender, não se negará.Pode enviar a próxima parte que continuo a correção no mesmo padrão.

Lupita: Sinto muito, mas, como falei, ele só atende quem tem hora marcada. Além do mais, ele está em uma reunião agora.

Maria: Não vejo outra solução!...

Maria passa por ela e vai em direção à sala de Estevão. Sua secretária vinha atrás, tentando impedi-la de entrar. Maria empurra a porta e se depara com uma cena não muito agradável: Estevão e Ana Rosa se beijavam no meio da sala. A mesma fica parada, observando a cena. Não sabia ao certo o que estava sentindo naquele momento.

Ao escutar a porta ser aberta, Estevão se separa de Ana Rosa e olha para Maria. Estevão não acreditava no que estava vendo. Sim, era ela, Maria Fernandez, o grande amor de sua vida. A mãe de seus filhos estava diante dele. Mas como? Como? Ela havia sido presa por assassinato, passaria o resto da vida presa. De repente estava à sua frente, e ele não sabia como reagir perante aquela situação.

Lupita: Me desculpe, Sr. Salvatierra. Eu falei que só poderia atendê-la com hora marcada, mas ela não me ouviu e entrou aqui dessa forma... — explicava, nervosa, toda aquela situação.

Maria: Vejo que estava em uma reunião muito importante, Sr. Salvatierra. Creio que nada é tão importante quanto a nossa reunião... — falou ironicamente.

Ana Rosa: Mas quem você pensa que é para entrar dessa forma aqui e nos atrapalhar?... — perguntou, cheia de ódio, pois estava conseguindo o que queria com Estevão.

Estevão: Já chega. Lupita, não se preocupe, vou receber a Srta... — falou, olhando para Maria.

Ana Rosa: Estevão, você não pode me deixar agora... — falou chateada.

Estevão: Ana Rosa, já te falei. Não temos nada e não teremos. Então, por favor, pode nos deixar a sós. Tenho um compromisso muito importante agora. — falou, indo até a porta.

Maria nada falou, apenas olhava tudo com um sorriso de vitória no rosto. Ana Rosa saiu fumaçando de raiva por ter perdido sua oportunidade de conquistar Estevão.

Ele fecha a porta e olha para Maria, que estava de frente para ele.

Maria: Sim, Estevão, sou eu. A Maria está de volta. Voltei para os meus filhos, Heitor e Estrela... — falou um tanto emocionada, mas não demonstrou a ele.

Estevão: Mas... como... como... você... você... — gaguejava, não conseguia falar.

Maria: Sim, eu estava presa. Já não estou mais. Voltei para recuperar tudo o que me foi tirado... tudo... e provar minha inocência... — falou com raiva.

Estevão: Maria, você tem que entender que não pode simplesmente aparecer assim na frente de seus filhos. Depois de 20 anos ausente da vida deles, como acha que vão te receber?

Maria: Sim, Estevão. Vinte anos ausente da vida deles. Mas não por escolha, e sim por obrigação. Eu jamais abandonaria os meus filhos... — gritou com ele.

Estevão: O que quer que eu faça?... Me diz, porque eu não sei o que fazer. Você não abandonou apenas os seus filhos... me abandonou também, Maria... eu não soube o que fazer com a sua ausência... minha única escolha foi inventar uma mentira para os meninos... — gritou aquelas palavras que tanto o atormentavam.

Maria: Não queira ser a vítima, Estevão... Aqui a única vítima fui eu... vítima de uma crueldade que me afastou dos meus filhos... Não tiveram dor nem piedade, me arrancaram da vida deles... você me abandonou... me deixou sozinha à própria sorte... onde estava o amor que sempre me jurou?... Onde?... Me diz, Estevão... na primeira dificuldade que enfrentamos, você me deixou e nem pensou duas vezes... — falou tudo o que estava engasgado durante anos.

Estevão: Você foi acusada de um crime... estava com a arma nas mãos... ao lado do corpo da vítima... Queria que alguém acreditasse em você nas circunstâncias em que foi encontrada?

Continua...

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