Capítulo 2 Ciúmes Inconfessáveis
Maria: Eu não assassinei a Patrícia, não sei quem foi. Mas isso não vem ao caso agora. Tudo o que quero é ver os meus filhos.
Estevão: Não posso fazer isso, Maria... — falou nervoso.
Maria: Você não só pode como vai. Eu tenho esse direito, sou a mãe deles... — falou alto.
Estevão: Maria, os meninos pensam que a mãe está morta... — falou de uma vez.
Maria: Você não fez isso... você não seria capaz de tamanha crueldade comigo... com seus filhos... — já não controlava suas emoções, deixando algumas lágrimas caírem.
Estevão: Eu não tive outra escolha... O que queria que eu falasse?... Meus filhos, a sua mãe foi presa acusada de assassinato... Simples assim?... Não... — falou ironicamente.
Maria: Não quero saber de desculpas, Estevão... Você inventou essa mentira, agora trate de falar a verdade... ou falo eu... Você terá alguns dias para contar a verdade, ou eu mesma procurarei os meninos e contarei tudo.
Estevão: Me dê alguns dias para conversar com eles... — pediu contrariado.
Maria: Muito bem, terá duas semanas, nem mais nem menos. Tenho outra exigência. — falou de uma vez.
Estevão: O que quer?... — perguntou irritado.
Maria: Quero assumir as minhas ações na empresa... as mesmas que você me presenteou em nosso aniversário de casamento.
Estevão: Justo, são suas por direito. Não vejo problema algum... — vai até o telefone e chama Lupita à sua sala. Ela bate na porta e entra.
Lupita: Com licença, Sr. Salvatierra... — falou, entrando na sala.
Estevão: Lupita, preciso que prepare uma sala para a nossa nova sócia. A Maria assumirá suas ações na empresa.
Lupita: Claro, Sr., irei providenciar e amanhã estará pronta. — falou, olhando para Maria.
Maria: Obrigada. Amanhã está perfeito... — agradeceu a Lupita.
Estevão: Por hora é apenas isso... obrigado.
Lupita: Com licença... — falou e saiu da sala.
Maria: Ótimo! Amanhã estarei aqui para começar a trabalhar... — pega sua bolsa e se vira para sair.
Estevão: Maria... — segura seu braço.
Maria: O que quer?... — se vira e olha para ele.
Os dois estavam bastante próximos. Ambos sentiam a respiração ofegante um do outro. Estevão olha nos olhos de Maria e se aproxima ainda mais dela, como se fosse beijá-la.
Até que alguém bate na porta...
Maria recobra a consciência, saindo do transe, e se afasta de Estevão, ficando de costas. Antes que ele pudesse contestar, a porta se abre.
Leonel: Estevão, me desculpe. Eu não sabia que estava ocupado... — fala olhando para Maria, que se vira para encará-lo.
Estevão: Não se preocupe, Leonel, não atrapalha. Deixe-me apresentá-los. Esta é a Maria, nova sócia da empresa, e ele é o Leonel, um dos sócios e também parte da família. — fala olhando para Maria.
Leonel: É um imenso prazer conhecê-la, Srta. Maria... — fala, cumprimentando-a, e fica encantado com sua beleza.
Maria: O prazer é todo meu, Leonel... — o cumprimenta educadamente.
Leonel: Então fará parte da empresa?... — pergunta com um brilho nos olhos.
Maria: Sim, a partir de agora... — responde.
Leonel: Mas o que uma bela dama como a Srta. veio fazer em um mundo tão complicado como o nosso?... — pergunta sorrindo. — Não me entenda mal, será muito bem-vinda a esta empresa.
Maria: Gosto muito desse mundo complicado. Essa é a minha área, sou formada em Administração. Sempre gostei dessa loucura... — fala rindo.
Estevão apenas observava o diálogo dos dois. Já começando a ficar nervoso, interrompe a conversa.
Estevão: Então, Leonel, aconteceu algo que tenha o trazido até aqui?
Leonel: Me desculpe. Já havia até esquecido. Preciso da sua assinatura nestes documentos... A Lupita não está em sua mesa, então eu vim direto... — fala olhando para Maria.
Estevão: Não se preocupe. A Lupita está resolvendo algumas coisas que eu pedi. Quais são os documentos?
Leonel: São estes, mas não tem pressa. Pode revisar que depois eu pego... — fala, entregando-lhe uma pasta.
Maria: Não vou mais tomar seu tempo, Estevão. Depois terminamos o nosso assunto... — fala, pegando sua bolsa.
Estevão vai até ela.
Estevão: Não, Maria, fique. Ainda não terminamos nossa conversa... — fala, segurando seu braço.
Maria: Não, Estevão, já terminamos... — puxa o braço das mãos dele e vai em direção à porta.
Maria vai embora, deixando Estevão pensativo, ainda em choque com o reencontro que teve com Maria. Na sala ficam apenas Leonel e Estevão.
Leonel: Estevão, de onde você conhece a Maria? São amigos?... — pergunta olhando para ele.
Estevão olha para Leonel um pouco nervoso.
Estevão: Por que está me perguntando isso, Leonel?
Leonel: Bom, ela é uma mulher muito bonita, e deu para notar que você ficou muito nervoso com a presença dela. Acaso você já teve alguma coisa com ela no passado?
Estevão: De onde tirou isso, Leonel?... Apenas somos amigos... velhos amigos... — fala olhando para o nada.
Leonel: Tudo bem! Fico feliz por isso... — fala com um sorriso no rosto.
Estevão: Por que fica feliz?... — pergunta curioso.
Leonel: Ela é muito linda, além de ser uma mulher bem atraente. Você sabe se ela é casada?... — pergunta olhando fixamente para Estevão.
Estevão: Que eu saiba, ela não é comprometida com ninguém. Mas por que pergunta isso?
Leonel: Por nada, só curiosidade mesmo. Uma mulher tão atraente como ela não ser comprometida é bem raro.
Estevão já ficava irritado com as perguntas de Leonel.
Estevão: Me parece que você está interessado nela... — fala olhando para ele.
Leonel: Por que não estaria?... — responde com outra pergunta.
Estevão: Leonel, a Maria não é mulher para você... — tentava manter a calma.
Leonel: Como pode ter tanta certeza, Estevão?
Estevão: Por... por... porque se nota... — fala nervoso.
Leonel: Não entendo, Estevão. Se ela é uma mulher solteira, eu posso me interessar por ela. Não vejo problema nisso.
Estevão: Não! Não pode!... — fala alto.
Leonel: Por que não posso? Acaso você é apaixonado por ela?... — pergunta curioso.
Estevão: Não é isso, Leonel... A Maria tem idade para ser sua mãe. Ela não se interessaria por você.
Continua...
