Capítulo 5 Um Coração Em Disputa
Maria: Você realmente não sabe o que eu quero aqui?... — pergunta ironicamente, cruzando os braços sobre os seios.
Estevão: Não, Maria... Você não tem mais nada o que ver aqui... O que queria eram as ações, já as tem... Por que não vai embora de uma vez e nos deixa em paz?
Maria: Eu não vou a lugar nenhum, Estevão... O que eu quero está aqui... Eu voltei para recuperar tudo o que me foi tirado... Tudo.
Estevão: Você foi a culpada... Ninguém te tirou nada... Se você não tivesse matado a Patrícia, nada disso teria acontecido.
Maria: Eu não a matei e vou provar isso... Só te aviso uma coisa, Estevão: você vai se arrepender por não ter acreditado em mim... Não vou sair de perto dos meus filhos... Eu vou conquistá-los e terei o meu devido lugar na vida deles.
Estevão: E como vai fazer isso?... Seus filhos sabem que a mãe está morta... Como pensa em se aproximar?... Acha mesmo que eles irão te receber de braços abertos?
Maria: Não se preocupe, Estevão, que tudo acontecerá no seu devido tempo... E um dia essa mentira virá à tona, e eu poderei contar a eles a verdade.
Maria se encaminha para a porta. Quando chega perto dela, vira-se e olha para Estevão.
Maria: Guarde bem o que vou te falar... Um dia você vai estar à minha frente pedindo perdão e diante de Deus rogando sua clemência.
Estevão: Isso é o que veremos, Maria... Acha mesmo que poderá conquistar os seus filhos?... Não pensa no mal que poderá causar a eles?
Maria: E você não pensa no mal que causou a eles nesses 20 anos?... Não pensa que eles poderão te odiar quando descobrirem a verdade?... Não pensa no mal que está causando em mim também?... — Maria fala com os olhos lacrimejando.
Estevão: Você quer me culpar por algo que você mesma fez?... A culpa não é minha, é toda sua... Quando pegou naquela arma, você mesma se incriminou, mesmo dizendo que era inocente... Foi você quem causou tudo isso... Você não sabe o mal que me causou e ainda me causa. — ele fala e sai da sala, deixando-a sozinha.
Maria fica sem ação com tudo o que escutou de Estevão. Ela senta na cadeira e começa a chorar.
Maria: Ai, Estevão, por que você faz isso?... — Maria chorava, falando isso para si mesma.
Heitor entra na sala e a vê chorando.
Heitor: Está tudo bem, senhora?... — pergunta, aproximando-se dela.
Maria: Está sim... Desculpe, não deveria estar mais aqui. — fala se levantando da cadeira.
Heitor: Não se desculpe. Espero que fique bem... O que precisar, pode contar comigo. — lhe dá um sorriso.
Maria: Muito obrigada. — retribui o sorriso.
Heitor: Esqueci a pasta aqui... Pode isso? — pergunta rindo e pega sua pasta na mesa.
Maria: Pode, sim. — ri junto com Heitor e fica feliz por estar próxima de seu filho.
Heitor: Assim fica bem melhor. — fala olhando para ela.
Maria: Ai, Heitor, só você para me fazer rir. — fala rindo.
Heitor: Uma mulher como a senhora não deve chorar, apenas rir.
Maria: Você tem razão, Heitor. Eu prometo não chorar mais. — sorri olhando para ele.
Heitor: Assim espero. Bom, agora, se me der licença, preciso voltar ao trabalho... Se precisar, pode me procurar em minha sala.
Maria: Claro, Heitor. Pode ficar tranquilo e, mais uma vez, obrigada. — lhe dá um sorriso.
Heitor: De nada. Com licença. — fala e sai da sala.
Maria fica olhando Heitor sair, pega suas coisas e sai da sala, voltando para seu escritório. Passam-se as horas e chega a hora do almoço. Leonel resolve convidar Maria para almoçar. Vai até a sala dela, bate na porta e entra.
Leonel: Maria, com licença. — fala entrando.
Maria: Pode entrar, Leonel.
Leonel: Maria, como já está tarde, eu vim te convidar para almoçar e não aceito "não" como resposta.
Maria: Eu aceito. Vamos? — deixa suas coisas na mesa, levanta-se e pega sua bolsa.
Leonel: Vamos. — os dois saem da sala. Ao chegarem à recepção, encontram Estevão.
Estevão: Está de saída, Leonel? — pergunta olhando para os dois.
Leonel: Sim! Maria e eu vamos almoçar. — sorri olhando para Maria.
Estevão: Bom apetite. — fala e sai para sua sala com muita raiva.
Maria olha para ele, pensa em ir atrás, mas desiste.
Maria: Vamos, Leonel? — pergunta olhando para ele.
Leonel: Sim! — segura em seu braço e saem da empresa, indo a um restaurante que ficava perto.
Maria vai com ele, mas estava pensando em Estevão. Enquanto isso, na sala da presidência, ele estava com muita raiva por Maria ter saído com Leonel.
Estevão: Por que teve que voltar, Maria?... Por quê?... Não foi suficiente toda a dor que me causou, deixando a mim e aos seus filhos?... — fala sozinho em sua sala.
No restaurante, Maria estava tão pensativa que não prestava atenção nas coisas que Leonel falava. Leonel para de falar, olha para ela e segura sua mão.
Leonel: Maria. — chama sua atenção.
Maria: Oi, Leonel. — fala pensativa.
Leonel: Está tudo bem?
Maria: Sim, está. — sorri para ele.
Leonel: Você estava tão pensativa que provavelmente não deve ter me ouvido. — fala rindo.
Maria: Desculpe! Me fale de você. Tem namorada?
Leonel: Não! Até ontem, não havia encontrado alguém que pudesse ocupar esse espaço em minha vida.
Maria para ao ouvir o que ele falou. Ficou receosa de perguntar por que ele disse "até ontem".
Leonel: Está tudo bem? — pergunta ao ver que ela estava sem reação.
Maria sorri para ele.
Maria: Sim, está... Então me fale: você está apaixonado por alguém?
Leonel: Não sei te explicar ao certo se é uma paixão ou se estou amando verdadeiramente. — fala olhando para ela enquanto acariciava sua mão.
Maria: Entendo, Leonel. — fala, tirando sua mão da dele.
Leonel: Me pegou de repente. — fala rindo.
Leonel: E você, Maria, é comprometida? — pergunta de uma vez.
Continua...
