Capítulo 1 Capitulo 01
Sombra narrando
— Vai, vai, vai caralho. O chefe foi atingido, pega a porra da grana e mete o pé porra. — ele fala desesperado enquanto eu tento me manter com os olhos abertos, essa porra tinha que aparecer, esse Neves filho da puta, se ele acha que esse tiro vai me parar ele tá muito fudido.
— Preciso de atendimento, com eles na bota não vamos conseguir voltar pro morro, acha alguém que possa cuidar dos ferimentos. — eu falo já me sentindo fraco e apago no banco de trás do carro.
Aê mulherada vou me apresentar pra vcs e explicar como foi que cheguei até esse momento, meu nome é Theo e eu tenho 32 anos, não sou brasileiro tá ligado, eu sou russo, pra ser mais preciso, sou herdeiro da máfia Russa, mas como eu não queria assumir a máfia por conta dos costumes, eu meti o pé igual uma sombra e vim parar no Rio de Janeiro. A máfia é foda e eu sei que é só questão de tempo até o meu pai me encontrar, mas enquanto eu conseguir me manter escondido e longe de lá, eu vou fazer.
Quando eu cheguei no Rio de Janeiro, já logo meti o pé pro primeiro morro que eu encontrei, então vim parar no Vidigal, o dono daqui ficou meio desconfiado de mim, tudo o que eu tinha era uma bolsa lotada de dinheiro e mais nada, comprei uma casa, e ficava na minha de boa. Procurava chamar menos atenção possível, não queria que a máfia me encontrasse e nem que ninguém daqui soubesse de mim, fiz amizade com o Perigo que tinha acabado de entrar no movimento pra ajudar a sua irmã que tinha uma doença aí, então era só os dois. Meu plano de parecer uma sombra e não ser notado tava dando certo até a porra de uma invasão começar e eu precisar ir ajudar o Perigo que estava na porra de um beco encurralado por três policiais que estavam descendo a porrada nele, peguei a única arma que era uma glock que eu tinha e fui na direção de onde ele estava, matei dois policiais praticamente com a mesma bala e o outro um tiro certeiro no meio da testa. Depois disso ele ficou ainda mais na minha cola, quando não tava de plantão tava na minha casa enchendo o saco.
E como as coisas aqui no morro eram imprevisíveis, e era uma invasão atrás da outra, aconteceu do Fantasma que era o dono do morro ir parar dentro da minha casa pra se esconder dos botas, naquele dia eu livrei ele da morte, da prisão e ainda matei o arrombado do coronel do BOPE, ele me chamou pra comandar o morro junto com ele e eu neguei, disse que não queria comandar nada. Ele não contente com a minha resposta já logo não gostou, ele era o tipo de cara que não aceitava ouvir um não, e foi onde meus problemas com ele começaram, salvei a vida do cara e ele foi fazendo da minha um inferno, a única solução que eu achei foi dar um tiro no meio da cara dele, e sabe no que deu essa porra? Eu tive que assumir a porra do morro mesmo sem querer, porque o sub dele começou a fazer um monte de merda e o morro virou uma bagunça, a filha dele ainda mora por aqui e vive a todo custo tentando virar a minha fiel, disse que é o mínimo que posso fazer por ela já que matei seu pai, mas se eu já fugi da máfia porque não queria assumir os costumes de lá, não vai ser aqui que sou livre agora pra tomar minhas decisões que vou casar com uma maluca. A principal regra da máfia era casar com uma mulher que o conselho escolhesse e que fosse virgem, eu acho que já que Deus nos deu livre-arbítrio temos o direito de escolha, e a mulher com quem eu vou casar vai ser a que eu escolher e não ninguém.
Acordei e ainda estávamos no carro, tomei a porra de três tiros, dois na barriga e um no braço, já perdi sangue pra caralho e nada de chegar em lugar nenhum.
— Aonde a gente tá Perigo? — eu pergunto já fraco pra ele que me olha.
— Não podemos te levar pra um hospital, fecharam as entradas do morro, e qualquer hospital que te levarmos eles vão te pegar, agora só nos resta a porra da clínica veterinária.
— Sou animal não caralho, como uma médica de bicho vai cuidar de mim porra? — eu falo ficando nervoso, se eu não receber atendimento logo eu vou morrer.
— Ela cuida de bicho porra, faz cirurgia do mesmo jeito, vai ter que servir. — ele fala e eu apago mais uma vez, esse porra não sabe nem o que tá falando e desse jeito eu vou morrer mesmo. Acordei mais uma vez e vi uma mulher linda na minha frente, ela tá com o semblante de medo e muito assustada, meus homens estão todos na sala e Perigo do meu lado apontando a arma pra ela obrigando ela a cuidar de mim.
— Tá brincando comigo? Ele não é um animal, ele é uma pessoa, não é a mesma coisa, eu não vou fazer isso, se não ele vai morrer.
— Se tu não salvar a vida dele quem vai morrer é você caralho, agiliza essa porra aí e começa logo. — ele fala com ela que olha com muito ódio pra ele, ela fica parada no lugar sem se mexer e ele destrava a arma encostando na cabeça dela. — Aí doutora só quero salvar meu mano, não me obriga a fazer isso não já é. — ele fala e ela se abaixa auscultando meus pulmões.
— Acho que seria até um favor que você me faz. — ela fala baixo, mas como um resmungo, então só eu entendo, porque será que ela não se importa?
Não me lembro de muita coisa depois disso, acho que ela me sedou porque eu apaguei e não vi mais porra nenhuma, só espero que essa mulher consiga me salvar, porque eu ainda vou atrás do Neves aquele arrombado vai me pagar pelos tiros.
