Capítulo 3
Ao ver o olhar gelado de Lisbeth, Leopold sentiu um estalo na mente, uma fisgada dolorosa no peito.
Será que ela estava mesmo dizendo a verdade?
Quando ele abriu a boca para falar, Elora de repente deu um passo à frente, bloqueando sua visão de Lisbeth.
— Lisbeth, até agora você ainda tenta distorcer os fatos e caluniar o Leopold? Como você consegue ser tão cruel?
Lisbeth era alta e tinha traços marcantes — antes de ser desfigurada, cada uma de suas expressões era de tirar o fôlego. Elora, em contraste, tinha a delicadeza inocente de uma beleza tradicional.
Seu vestido branco esvoaçava ao vento enquanto ela abria os braços de forma protetora, escondendo atrás de si o muito mais alto Leopold, com uma expressão frágil e lamentosa.
Leopold afastou imediatamente aquele instante de dúvida e envolveu Elora com o braço, num gesto de proteção.
— Elora, pra quê perder tempo falando com alguém como ela?
Lisbeth soltou uma risada fria e se recusou a olhar para eles, abrindo caminho pela multidão.
— Já falei tudo o que tinha pra falar. Com licença.
— Srta. Whitaker! Srta. Whitaker! — os repórteres a chamaram.
— A reputação dela já está destruída. Do que é que ela ainda se acha? — alguém resmungou.
Apesar dos comentários, ninguém teve coragem de impedi-la fisicamente. Quando a multidão começou a se abrir, Elora deu um passo à frente de repente e agarrou o braço de Lisbeth.
— Lisbeth, me escuta…
— Não tenho nada pra falar com você. Sai da minha frente! — Lisbeth afastou a mão de Elora e tentou contorná-la.
Mas Elora soltou um grito assustado e desabou no chão.
— Lisbeth! — Leopold lançou um olhar cheio de ódio para ela antes de correr para ajudar Elora. — Você está bem?
Lançando um rápido olhar para Lisbeth, Elora fez uma careta de dor, mas o tranquilizou com os olhos marejados.
— Não se preocupa, eu tô bem.
Leopold tocou de leve a barriga dela antes de erguer Elora nos braços e acomodá-la em um banco ali perto. Em seguida, virou-se e avançou em direção a Lisbeth, com fúria em cada passo.
— Você diz que não é tão desprezível quanto eu penso, mas como chama isso? Você é capaz de machucar uma mulher grávida?
— Você é cego? Eu mal encostei nela! Ela claramente caiu de propósito…
Antes que Lisbeth terminasse, Leopold agarrou seu pulso e a arrastou até a frente de Elora.
— Pede desculpa pra Elora. Agora! — Seu rugido furioso explodiu ao lado do ouvido dela, que chegou a zumbir.
A imprensa avançou outra vez, enfiando câmeras no rosto deles. Em meio ao caos dos flashes, Lisbeth ficou tonta e cambaleou.
Uma mão firme a segurou antes que caísse. Ela ergueu os olhos e viu o rosto frio e composto de Sebastian.
Imediatamente, uma dúzia de homens de terno preto cercou o local, contendo a multidão de jornalistas que gritava e xingava.
— Sr. York, você… — Lisbeth mordeu o lábio e suspirou. — Você não devia ter se metido.
A expressão de Sebastian permaneceu impassível enquanto ele se dirigia à multidão:
— Em breve vou realizar uma coletiva de imprensa a respeito deste assunto. Por agora, peço que mantenham os padrões adequados de jornalismo e apaguem quaisquer registros falsos e material relacionado.
A imprensa não ousou desafiá-lo — não só por ele ser um grande ator, mas porque, como herdeiro da família York, sua influência nos círculos sociais da Cidade Soberana era imensa.
Eles permitiram que a equipe de segurança de Sebastian apagasse as imagens e as anotações.
Só depois que Lisbeth já estava em segurança no carro de Sebastian é que ela finalmente teve um momento para se acalmar e pensar nos próximos passos.
Ela não podia deixar que Dennis carregasse o estigma de ser chamado de ilegítimo. Precisava provar para todo mundo que não tinha traído ninguém — Leopold é que tinha mudado e se apaixonado por outra pessoa!
A casa de Sebastian ficava em um bairro de alto padrão no centro da cidade — um sobrado isolado de três andares.
Quando eles entraram, uma mulher de meia-idade os recebeu com um sorriso caloroso:
— Bem-vindo de volta, senhor York, e esta é…?
— Esta é a senhorita Whitaker.
— Senhorita Whitaker, olá! Por favor, entre.
Ava trabalhava para a família York havia quase trinta anos, cuidando de Sebastian esse tempo todo.
Era a primeira vez que via ele levar uma mulher para casa, e mal conseguia conter a animação. Conduziu Lisbeth até a sala de estar.
— Senhorita Whitaker, por favor, sente-se.
Ela se ocupou preparando chá e cortando frutas. Quando achou que o momento era oportuno, perguntou:
— Senhor York, o senhor vai almoçar em casa? Posso preparar alguma coisa.
— Vou, obrigado.
Quando Ava se virou em direção à cozinha, Lisbeth se levantou para acompanhá-la.
— Ava, deixa que eu te ajudo.
Logo depois que as duas saíram, o assistente de Sebastian, Noah Brown, chegou.
Ele se aproximou de Sebastian com respeito:
— Senhor York, concluí a investigação que o senhor pediu. Ela é, de fato, Emily Foster, a mulher que o senhor Declan York manteve ao lado dele anos atrás.
Sebastian tinha achado Elora familiar desde o momento em que a viu. Suas suspeitas estavam confirmadas.
— E tem mais — Noah entregou a Sebastian um maço de fotografias. — Além de Leopold, existem mais três homens que têm se relacionado de perto com Emily.
As fotos mostravam Elora em situações íntimas com homens diferentes. Com maquiagem pesada e uma postura sedutora, ela parecia completamente diferente da mulher frágil e inocente que ficava ao lado de Leopold.
Sebastian folheou algumas fotos, um sorriso frio curvando seus lábios.
Devolveu as fotos para Noah e limpou as mãos com um lenço umedecido, como se tivesse tocado em algo sujo.
— Manda uma cópia dessas fotos fascinantes para a senhorita Foster também.
Ao ver Lisbeth saindo da cozinha, ele mudou de assunto:
— Quero fazer uma coletiva de imprensa amanhã. Prepare tudo.
Amanhã? Lisbeth não esperava que Sebastian fosse bolar um plano tão rápido.
— O que você pretende fazer? — ela perguntou.
— Dizer a verdade — Sebastian respondeu sem rodeios. — Deixar todo mundo saber que o Leopold trai você há anos, que o casamento de vocês é só de fachada, e que ele forjou o resultado da compatibilidade do doador, ignorando a vida do próprio filho.
O breve brilho de esperança nos olhos de Lisbeth voltou a se apagar. Se fosse tão simples quanto apenas dizer a verdade, ela não estaria presa nessa situação em que precisava provar a própria inocência.
— Ninguém vai acreditar na gente — ela disse.
— Desta vez, vai ser diferente. — Ele fez uma pausa e encarou o olhar confuso dela com uma expressão cheia de significado. — Eles mesmos vão ter que admitir o que fizeram.
Ele estava falando de Leopold e Elora? Foram eles que causaram toda essa confusão! Por que é que viriam a público para limpar o nome dela?
— Isso não tem graça nenhuma.
Assim que Lisbeth terminou de falar, o celular de Sebastian, em cima da mesa de centro, começou a tocar.
