Capítulo 5
A sala de imprensa estava lotada de repórteres, todos atraídos pelo grande evento do dia: o pedido público de desculpas de Leopold e Elora.
— Você acha que esse pedido de desculpas é de verdade? — sussurrou uma jornalista.
— Eles não iam mentir numa coletiva oficial, iam?
— Então eles realmente difamaram a Lisbeth?
— Se for verdade, isso é capa na certa. Pega uns cliques bons.
Os cochichos foram morrendo quando Leopold e Elora finalmente entraram. O rosto dele era uma máscara de contrariedade — resultado das lágrimas de Elora implorando a noite inteira.
Toda vez que ele se recusava, ela caía no choro, tão lamentável que Leopold acabou cedendo.
Agora, no palco, a expressão dele continuava rígida, os lábios apertados num traço fino. Antes que pudesse falar, as portas principais se abriram, revelando duas presenças inesperadas.
Lisbeth, com sua jovem assistente ao lado.
Ela parou na entrada, sentindo o peso de incontáveis olhares como facas — examinando, julgando, dissecando cada um de seus movimentos.
Do lado de fora, Sebastian esperava no carro. O motivo de ele ter ficado foi simples: aquele momento era dela e, como ator famoso, só a presença dele já desviaria toda a atenção do pedido de desculpas.
Quando Leopold a viu, o rosto se contorceu de nojo. Elora cutucou-o de leve com o cotovelo.
— Esta coletiva é para esclarecer que as declarações que fiz antes eram falsas — Leopold começou, a contragosto. — A Lisbeth nunca me traiu. Depois que acordei do coma, esqueci tudo o que aconteceu entre a gente. Eu admito — eu não amo mais ela. Agora eu amo a Elora.
A sala explodiu em caos. Os repórteres avançaram, enfiando microfones na cara dele.
— Então você esteve jogando lama o tempo todo? Inventando tudo?
— Você vai mesmo escolher a Elora em vez da sua esposa e do seu filho?
— Você está abandonando sua família! A gente soube que as cicatrizes da Lisbeth são de quando ela salvou a sua vida. Você não sente culpa nenhuma?
Leopold respondeu sem rodeios:
— Como é que eu vou me sentir culpado por algo de que eu nem me lembro?
Os repórteres emudeceram, atônitos. Então Leopold olhou diretamente para Lisbeth.
— Eu não quero me esconder atrás da perda de memória. Eu admito que meu coração mudou. Talvez a gente tenha se amado muito um dia, mas isso ficou no passado.
A voz dele endureceu:
— Eu disse aquelas coisas porque queria o divórcio, mas não é completamente culpa minha. Você é que se recusou a me deixar ir, se agarrando a um casamento que já tinha acabado. Eu estava desesperado.
Ele falava com uma calma perturbadora, o rosto encenando um arrependimento falso.
— Eu só quero ficar com a pessoa que eu amo. Quanto à criança, se for minha, como você afirma, eu vou assumir. Mas espero que você pare de correr atrás de mim. Vamos dar nossas dívidas por quitadas e nunca mais nos ver.
— Talvez eu já tenha te amado um dia, mas agora, a pessoa que eu amo está bem aqui do meu lado. — Ele passou o braço em volta de Elora, e a expressão se suavizou num gesto de ternura.
Todos se viraram para olhar Lisbeth. Mesmo vestida de forma deslumbrante, mesmo com as cicatrizes no rosto incapazes de apagar o brilho dela, naquele momento ela parecia de uma vulnerabilidade de partir o coração.
Duas imagens piscaram diante dos olhos de Lisbeth.
Anos atrás, quando tinha chegado ao fundo do poço, as pessoas jogavam lixo nela e a encharcavam com água suja quando saía à rua.
Leopold era sempre o primeiro a se colocar na frente dela, protegendo-a de toda a sujeira e escárnio, e anunciando em voz alta para quem quisesse ouvir:
— A Lisbeth é o amor da minha vida. Eu não vou permitir que ninguém machuque ela.
Atordoada, ela viu essa lembrança se sobrepor ao Leopold que estava diante dela agora. A diferença era que ela já não era mais a garota nos braços dele.
Ela de repente sorriu — um sorriso tingido de tristeza, mas muito mais de aceitação.
— Leopold, a partir de hoje você não me deve mais nada, e eu não te devo nada. Estamos quites.
Ele um dia já tinha aguentado tanto ódio e tanta humilhação por causa dela. Agora era a vez dela encarar aquela vergonha. E tudo bem.
Leopold olhou para ela, sentindo um aperto inexplicável no peito, que sumiu quase no mesmo instante. Ele interpretou aquilo como alívio por finalmente estar livre de Lisbeth.
Desde que acordara, não suportava olhar para ela, por mais que tentasse. Mas agora, seu coração se sentia estranhamente em paz.
— Só lembra do que você disse.
— Eu vou lembrar.
Lisbeth sempre fora teimosa. Diziam que era teimosa feito uma mula — quando colocava uma coisa na cabeça, nada conseguia tirar.
Assim como um dia tinha largado a carreira sem hesitar para se casar com Leopold, hoje ela tomava outra decisão da qual nunca iria voltar atrás.
Ela olhou para Leopold pela última vez — e não o viu como ele era agora, mas como era três anos atrás: o homem de terno que tinha acabado de erguê-la no colo, rindo, e rodopiado com ela no dia do casamento.
“Beth, eu finalmente consegui casar com você.”
“Beth, eu vou ser bom pra você pro resto da minha vida!”
“Beth, amor, agora você é minha esposa.”
“Beth, de hoje em diante você é o meu tesouro.”
“Beth, a gente vai ficar junto pra sempre. Eu vou te amar pra sempre.”
Ele tinha dito tanta coisa no dia do casamento. Mas nunca disse que um dia iria embora sem aviso, pegando-a totalmente de surpresa.
Ela já tinha odiado Leopold. Odiou a frieza dele, odiou o fato de ele não conseguir acreditar que ela era a mulher com quem tinha dividido a vida, odiou que perder a memória significasse poder amar outra pessoa.
Mas hoje ele admitiu sem rodeios — não era por causa da memória. Ele simplesmente não a amava mais.
Ela finalmente entendeu como o amor é absurdo — num momento está ali, no outro, acabou.
Enquanto o ódio queimava dentro dela, Lisbeth descobriu que, no fim, o amor ainda pesava mais, porque ele tinha sido o único a estender a mão quando ela caiu no abismo.
“Um dia eu me arrependi porque a nossa despedida foi tão feia”, ela pensou. “Mas hoje eu me arrumei, fiquei bonita, e me despedi de você com dignidade.”
— Leopold, adeus — ela disse baixinho. — E eu te desejo felicidade.
Ignorando os repórteres que se aglomeravam ao seu redor, ela se virou e foi embora. Dessa vez, não olhou para trás.
Os jornalistas se calaram, acompanhando aquela silhueta esguia com o olhar por muito, muito tempo.
Até que alguém murmurou, por fim:
— Essa é a Lisbeth que a gente lembra. Ela nunca mudou.
Linda, afiada, forte e corajosa.
Leopold fitava a figura de Lisbeth se afastando, hipnotizado.
Por um breve momento, sua cabeça latejou com uma dor insuportável, como se tivesse levado uma pancada enorme. Ele se curvou de repente e começou a vomitar.
Elora se desesperou e rapidamente chamou uma ambulância. Os repórteres não conseguiram fazer mais perguntas enquanto Leopold era levado às pressas para o hospital, encerrando a coletiva de imprensa de forma abrupta.
A ambulância e o carro de Lisbeth seguiram em direções opostas — como dois caminhos que se bifurcam, destinados a nunca mais se encontrar.
A assistente olhou para Lisbeth e lhe estendeu um lenço de papel:
— Senhora Whitaker, por favor, enxugue o rosto.
Lisbeth pegou o lenço e tocou o próprio rosto, só então percebendo que o frio na pele não vinha do vento, mas das lágrimas.
Ela riu de repente.
— Que falta de dignidade a minha.
Mas as lágrimas continuaram a cair, como uma represa arrebentada.
A assistente olhou para ela, com o coração apertado:
— Senhora Whitaker, se a senhora precisar chorar, então chora. Deixa sair.
Rir e chorar ao mesmo tempo daquele jeito era doloroso demais de se ver.
