Capítulo 2 CAPÍTULO 2

AURORA

— O CEO? — Perguntei, antes de conseguir impedir minha boca.

Um leve sorriso apareceu no canto de seus lábios.

— Imagino que seja essa a minha apresentação mais conhecida.

— O que você está fazendo na minha casa?

O sorriso desapareceu.

— Resolvendo um problema.

Olhei para meu pai.

— Que problema?

Ele desviou o olhar.

E foi naquele instante que meu coração começou a afundar.

— Pai?

— Aurora, não se preocupe.

— Não me preocupar? Existem três homens desconhecidos na nossa sala e você está agindo como se isso fosse normal.

— Aurora.

— Que problema?

O silêncio se prolongou.

Olhei novamente para Vincent.

Ele não parecia interessado em me poupar da verdade, muito pelo contrário. Parecia estar esperando para ver o que aconteceria.

Meu pai passou a mão pelo rosto.

— Eu tenho algumas dívidas.

Meu corpo ficou imóvel.

— Que tipo de dívidas?

— Negócios que não deram certo.

— Quanto?

Ele não respondeu.

— Pai, quanto?

— Isso não importa.

— Claro que importa! — Minha voz ecoou pela sala. — Estamos falando de quanto dinheiro?

Meu pai finalmente me encarou.

E naquele momento eu percebi que a resposta seria muito pior do que imaginava.

— Vinte milhões de dólares.

Por alguns segundos, não consegui respirar.

Vinte milhões.

Ri. Nervosa e sem humor.

Foi uma reação automática.

— Isso não é engraçado.

Ninguém respondeu.

Meu sorriso desapareceu lentamente.

— Você está falando sério?

Meu pai fechou os olhos.

— Sim.

Olhei ao redor da sala. Para os documentos. Para os homens. Para Vincent Scott.

— E o que isso tem a ver com ele?

Foi Vincent quem respondeu.

— Seu pai me deve dinheiro.

Meu olhar voltou para Richard.

— Você pegou vinte milhões de dólares emprestados com Vincent Scott?

— Não foi exatamente assim.

— Então como foi?

— Aurora, eu vou resolver isso.

— Como?

Ele ficou em silêncio.

O silêncio respondeu por ele. Meu pai não tinha como resolver.

Meu peito apertou. Eu queria gritar. Queria perguntar como ele tinha conseguido esconder algo daquela proporção de mim. Mas então percebi uma coisa. Vincent estava me observando. Não como um estranho observando uma discussão familiar. Havia atenção demais em seus olhos. Como se eu fosse parte daquela conversa. Como se a dívida do meu pai tivesse alguma coisa a ver comigo.

Um arrepio percorreu minha nuca.

— Por que você está olhando para mim assim?

Meu pai ficou pálido.

Vincent inclinou levemente a cabeça.

— Porque, senhorita Bennett, acredito que seu pai encontrou uma solução interessante para o nosso problema.

Meu coração parou.

Olhei para meu pai.

— Que solução?

— Pai?

Ele não respondeu.

Dei um passo para trás.

— O que você fez?

— Aurora, me escute...

— O que você fez?

Minha voz saiu mais alta. Desesperada.

Vincent continuou parado diante de mim. Calmo. Assustadoramente calmo.

Meu pai parecia incapaz de olhar nos meus olhos.

E, naquele instante, compreendi.

Ainda não sabia todos os detalhes. Não sabia o que estava escrito naqueles documentos. Mas entendi uma coisa. Meu pai não tinha oferecido dinheiro. Não tinha oferecido uma propriedade. Nem ações. Ele tinha oferecido algo que não lhe pertencia. Ele tinha me oferecido. E quando finalmente encontrei os olhos escuros de Vincent, tive a terrível sensação de que minha vida acabava de deixar de me pertencer.

— Bem-vinda ao acordo, Aurora.

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