Capítulo 5 CAPÍTULO 5

AURORA

A porta se fechou.

E, por alguns segundos, ninguém disse nada.

Fiquei parada no meio da sala, olhando para o lugar onde Vincent Scott estive segundos antes.

Era estranho como a presença de uma pessoa podia continuar preenchendo um ambiente mesmo depois que ela ia embora.

O apartamento parecia menor. Mais escuro. E eu conseguia respirar melhor, ou pelo menos era isso que deveria acontecer.

Mas meu peito continuava apertado.

Vinte milhões de dólares. Meu pai devia vinte milhões de dólares.

E, aparentemente, tinha decidido que a melhor maneira de resolver aquele problema era me entregar para um homem que eu nunca tinha visto.

Olhei lentamente para Richard, meu pai. Ou para o homem que eu achava que conhecia.

— Fala alguma coisa.

Ele passou as mãos pelo rosto.

— Aurora...

— Não.

Minha voz saiu baixa e estranhamente calma.

— Não começa com o meu nome como se isso fosse resolver alguma coisa.

— Eu não queria que você descobrisse dessa maneira.

Soltei uma risada.

Dessa vez, amarga.

— Ah, então você pretendia me contar?

Ele não respondeu.

Assenti devagar.

— Foi o que imaginei.

Caminhei até o sofá e me sentei.

Minhas pernas estavam fracas. Eu odiava demonstrar fraqueza. Ainda mais naquele momento, mas parecia que alguém tinha tirado o chão sob meus pés e esperado que eu continuasse de pé.

— Quanto tempo?

Meu pai ficou em silêncio.

— Quanto tempo você está escondendo isso?

— Alguns anos.

Ergui os olhos.

— Anos?

— Aurora, eu tentei resolver.

— Você tentou resolver uma dívida de vinte milhões escondendo isso de mim?

— Eu não queria envolver você.

— Engraçado. — Minha garganta apertou. — Porque agora parece que estou bem envolvida.

Ele se sentou na poltrona.

Pela primeira vez, meu pai parecia velho. Não era mais o homem que eu lembrava da infância. O pai que me levava para comprar sorvete aos domingos. O homem que segurou minha mão no funeral da minha mãe enquanto eu chorava tanto que mal conseguia respirar. Naquele momento, ele parecia apenas cansado. E covarde.

— Como aconteceu? — Perguntei.

— Foram investimentos.

— Que investimentos?

— Empresas.

— Que empresas?

Ele suspirou.

— Aurora...

— Para de fazer isso.

— Fazer o quê?

— Me tratar como se eu fosse uma criança. — Levantei-me novamente. — Eu tenho vinte e dois anos. Trabalho desde os dezoito. Pago minhas próprias contas. Ajudei a manter esse apartamento quando você dizia que as coisas estavam difíceis. — Apontei para os papéis espalhados sobre a mesa. — E agora descubro que você está envolvido em alguma coisa grande o suficiente para fazer Vincent Scott aparecer na nossa sala.

Meu pai desviou o olhar.

— Não foi apenas investimento.

Meu estômago se contraiu.

— Então o que foi?

Silêncio.

Sempre o silêncio.

Aquele maldito silêncio que parecia ter se tornado parte da nossa casa.

— Pai.

— Algumas pessoas me procuraram para fazer negócios.

— Que tipo de negócios?

— Eu não sabia tudo no início.

— Mas descobriu depois.

Ele assentiu.

Meu coração começou a bater mais rápido.

— O que você fez?

Ele se levantou.

— Não quero que você se envolva nisso.

— Já estou envolvida!

Minha voz ecoou pela sala.

Ele ficou imóvel.

Respirei profundamente tentando não perder o controle, mas era difícil. Muito difícil.

— Vincent disse que eu tenho até amanhã.

— Você não precisa ir.

Virei lentamente.

— Não?

— Eu vou encontrar uma solução.

Olhei para ele.

Por alguns segundos, esperei que dissesse alguma coisa capaz de consertar aquilo. Qualquer coisa. Uma explicação. Um plano. Uma mentira convincente. Mas tudo que encontrei em seu rosto foi desespero, e percebi que Vincent estava certo sobre uma coisa: meu pai não tinha mais opções.

— Você assinou um contrato.

— Eu estava desesperado.

— Você assinou um contrato usando minha vida como pagamento.

— Não é assim.

— Então como é?

Ele abriu a boca.

Nenhuma palavra saiu.

Assenti lentamente.

— Foi o que pensei.

Peguei minha bolsa e caminhei em direção ao corredor.

— Para onde você vai?

— Para o meu quarto.

— Aurora, precisamos conversar.

Parei, dem olhar para trás.

— Não. — Minha voz saiu baixa. — Você precisava conversar comigo antes de colocar minha vida em uma mesa de negociação.

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