Capítulo 1 Uma solteirona por escolha

Narrado por Amélia Peterson

— Meu irmão, será que não entendes? Não irei me casar com lorde Elliott!

— Entenda, minha irmã: você já passou da idade de se casar e continua rejeitando bons partidos. Lorde Elliott será um bom marido para você!

— Minha palavra final é NÃO! — declaro, saindo a passos firmes em direção ao meu quarto. — Não preciso de um marido!

Já estava cansada daquele tipo de conversa havia quatro anos, desde que minha família decidira que eu já havia ultrapassado a idade ideal para me casar. Desde então, não tive mais paz, pois todos pareciam determinados a arranjar um marido para mim.

Já disse e cansei de repetir: simplesmente não quero um homem em minha vida!

Alguns anos atrás, era justamente o que eu mais desejava. Sonhava em ser apresentada à sociedade e, durante um belo baile, conhecer meu futuro marido, aquele que seria o pai dos meus filhos e me amaria até o fim de nossas vidas.

Tudo isso, porém, foi por água abaixo quando minha melhor amiga se casou.

A moça alegre e cheia de vida que eu conhecia transformou-se em uma mulher temerosa, sempre receosa das reações do próprio marido. Em certa ocasião, durante uma breve visita que me fez na ausência dele, ela finalmente desabafou:

— Se pudesse voltar atrás, nunca teria me casado! Você não imagina como é humilhante... O que ele fez comigo no dia em que pensei que seria o mais especial da minha vida! E as humilhações e os maus-tratos continuam até hoje. Para piorar, tudo ficou ainda mais difícil depois que descobrimos que não posso lhe dar um filho!

Suas palavras permaneceram gravadas em minha memória.

Se aquele era o destino que aguardava as mulheres depois do casamento, eu simplesmente mudaria o meu. Jamais me submeteria a homem algum, muito menos aceitaria viver sob o domínio de alguém que acreditasse ter o direito de me humilhar.

Se, para ser feliz e me livrar dos maus-tratos, precisasse permanecer solteira pelo resto da vida, que assim fosse!

Eu preferia ser chamada de solteirona a entregar minha liberdade a um homem que pudesse transformá-la em minha maior prisão.

E, se minha família ainda não havia compreendido isso, teria de aprender da maneira mais difícil: eu não me casaria apenas para satisfazer as expectativas alheias.

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Narrado por Jhon Howard

— Isso... assim! Só mais um pouquinho! Estou quase lá!

A bela morena em meus braços entregava-se ao prazer, e logo seus suspiros se transformaram em um grito de satisfação. Quando finalmente se recompôs, deitou-se ao meu lado e me abraçou carinhosamente.

— Estou de partida para Londres — anunciei.

Ela ergueu o rosto para me olhar.

— Querido, será mesmo necessário partir?

— Sim. Tenho algumas coisas para resolver por lá. Também preciso visitar minha família e rever alguns amigos que não vejo há anos.

Eu não estava contando toda a verdade sobre o motivo da minha partida.

Não fazia ideia de como minha mãe conseguira enviar uma carta até aquele lugar tão remoto, mas a mensagem havia chegado. E, por mais difícil que fosse admitir, ela tinha razão em um ponto: eu precisava de uma esposa e, acima de tudo, de um herdeiro.

Apenas pensar na possibilidade de me prender a um casamento fazia com que eu desejasse prolongar minha estadia naquele lugar.

Olhei de relance para a mulher deitada ao meu lado. Seus olhos negros estavam cheios de compreensão. Eu nem precisava explicar o que se passava em minha mente; Sophie parecia entender meus pensamentos sem que eu precisasse pronunciá-los.

Era assim entre nós havia dois anos.

Éramos amantes, e eu sempre retornava para visitá-la. Sophie, como eu a chamava, era mestiça, filha de uma mulher africana e de um aventureiro inglês. Sua pele era mais clara que a de muitos de seus conterrâneos, e sua beleza jamais passara despercebida por mim.

Além de bonita, era uma mulher criativa e apaixonada, que sabia tornar nossos encontros inesquecíveis. Nunca me cobrava promessas, não exigia compromissos nem tentava prender-me a um futuro que nenhum de nós havia planejado.

Talvez fosse justamente por isso que nos entendêssemos tão bem. Ambos sabíamos aproveitar o presente sem nos preocuparmos com o amanhã.

Naquele momento, porém, o amanhã finalmente me alcançara.

Minha família esperava que eu assumisse minhas responsabilidades, e não poderia ignorar essa obrigação para sempre.

Sophie sustentou meu olhar por alguns instantes antes de fazer a única pergunta que realmente parecia importar:

— Irá voltar algum dia?

Olhei para ela e respondi sem hesitar:

— Sim. Prometo que voltarei para vê-la.

Ela pareceu satisfeita com minha resposta, e eu preferi não pensar no peso daquela promessa.

Afinal, eu estava prestes a retornar a Londres, onde me aguardavam uma família ansiosa, uma sociedade cheia de expectativas e a desagradável tarefa de encontrar uma esposa.

Eu ainda não sabia quem seria a mulher escolhida para ocupar o título de condessa Howard.

Muito menos imaginava que aquela decisão mudaria tudo o que eu acreditava saber sobre o amor, o casamento e a liberdade.

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