Capítulo 4 Um beijo inesperado
Narrado por Amélia Peterson
Ele era tão convencido e arrogante! E isso era algo que eu não suportava. Talvez achasse que todas as mulheres cairiam a seus pés, mas estava muito enganado. Eu não me importava nem um pouco com ele.
Vi quando uma linda morena se aproximou do conde para cumprimentá-lo e percebi como ele a devorava com os olhos. Minha observação furtiva foi interrompida por uma cotovelada de Megan, que disse, sorrindo:
— Se continuar secando o conde com os olhos, logo todos os presentes no baile perceberão que você está interessada nele.
Ainda sorrindo, Meg continuou:
— Olhe só quem vem ali, Amélia! Se tivesse aceitado o convite de lorde Howard, não precisaria fugir desse seu horrível pretendente.
Acompanhei o olhar de Megan e vi o insuportável lorde Elliott caminhando a passos largos em minha direção. Para piorar a situação, seus olhos estavam fixos em meu decote.
Antes que ele chegasse até nós, afastei-me rapidamente de Megan e segui em direção ao jardim. Enquanto isso, lorde Elliott se atrapalhava entre os casais que dançavam elegantemente. Reconheci a mulher com quem ele quase esbarrou: era a mesma linda morena que o conde devorava com os olhos.
Apressei o passo e abri a grande porta que dava acesso ao jardim.
O lugar estava pouco iluminado, e apenas a luz da lua, como um disco de prata resplandecente, brilhava no céu. Sentindo o ar refrescante tocar minha pele, comecei a caminhar pelo jardim, segurando a saia pesada do vestido.
De repente, desequilibrei-me ao prender um dos pés em uma planta próxima a uma cerca viva. Soltei um grito abafado e me preparei para a inevitável queda.
Para meu espanto, porém, senti braços fortes me ampararem, puxando-me de encontro a um peito sólido.
Com a respiração acelerada, abri os olhos, que nem sequer havia percebido que fechara, e fiquei paralisada ao dar de cara com o conde Jhon Howard. Em seu belo rosto havia um sorriso convencido, que se tornou ainda mais amplo quando ele disse, mantendo-me em seus braços:
— É um prazer revê-la, senhorita Peterson! E um prazer ainda maior tê-la em meus braços!
Seu sorriso convencido parecia ocupar todo o rosto. Senti minhas faces esquentarem de vergonha e, fazendo força para me livrar de seus braços, acabei desequilibrando nós dois.
Caí de costas no chão, com as pernas à mostra por causa da saia que havia subido. Mas o mais constrangedor foi perceber que lorde Howard caíra sobre mim.
Seu rosto bonito estava a poucos centímetros do meu. Uma de suas coxas se encontrava entre minhas pernas, pressionando-as levemente.
Nenhum de nós disse uma palavra.
Então, para minha absoluta surpresa, lorde Howard cobriu meus lábios com os seus.
O beijo começou suave. Seus lábios macios foram tomando os meus de maneira inesperadamente prazerosa. Não resisti à sua investida e acabei correspondendo. Ele pressionou o corpo contra o meu, e uma onda de calor percorreu minhas pernas, instalando-se em um lugar que eu jamais imaginara ser capaz de despertar tamanha sensação.
Interrompi o beijo imediatamente ao sentir algo duro como ferro pressionar lugares que jamais deveriam ser tocados daquela maneira.
Empurrei-o, levantei-me desajeitadamente e saí correndo de volta para o salão de baile, sem sequer olhar para trás.
Narrado por Jhon Howard
Em um momento de fraqueza e desejo desenfreado, beijei os lábios da senhorita Peterson.
Nunca antes havia experimentado um beijo tão ardente. Aquela mulher era fogosa ao mais simples toque — ou melhor, ao mais simples beijo. Havia certa inexperiência em seus movimentos, algo que apenas confirmava sua inocência. Ainda assim, não consegui resistir quando ela, involuntariamente, pressionou os belos quadris contra minha masculinidade.
O desejo desenfreado sussurrava que eu deveria possuí-la ali mesmo, sobre a grama do jardim. Minha razão, entretanto, dizia que era melhor esperar.
Assustada com minha atitude, ela praticamente me empurrou e saiu correndo, deixando-me estirado no chão.
Agora, com as roupas cobertas de grama, eu estava sentado, tentando lidar com uma maldita ereção que permanecia firme dentro da calça. Precisava fazer alguma coisa a respeito daquilo, ou como voltaria ao baile com um volume tão evidente pressionando o tecido?
Os belos seios da senhorita Peterson haviam sido a visão mais encantadora de todas, movendo-se sob o vestido enquanto ela respirava aceleradamente. Aquela mulher parecia, ao mesmo tempo, um coelhinho assustado e um vulcão prestes a entrar em erupção.
— Que diabos de pensamentos são esses? — praguejei ao perceber que minha ereção só aumentava à medida que minha imaginação seguia por caminhos cada vez mais imprudentes.
Levantei-me, limpei a grama presa às roupas e esperei por uma oportunidade de pôr fim àquele inconveniente.
Não precisei esperar muito.
Logo avistei lady Daisy vindo em minha direção. Assim que se aproximou, ela correu para meus braços e me abraçou.
— Até que enfim consegui sair um pouco para ver você! Está tão lindo! — exclamou.
— Você é quem está perfeita! Além de muito desejável — respondi, antes de beijar seus lábios.
O desejo que senti por Daisy era muito diferente daquele despertado pela senhorita Peterson.
Daisy correspondeu com a experiência de uma mulher que conhecia bem os próprios desejos. Casada com um homem com idade para ser seu pai, ela dizia nunca se sentir satisfeita na cama. Como cantora de ópera, jamais fora bem-vista pela sociedade, mas o casamento com um nobre lhe concedera o título de baronesa.
Como quase nunca estava acompanhada do marido, mantinha vários amantes.
Conduzi-a até um banco próximo ao jardim. Entre beijos e carícias, deixamos de lado qualquer preocupação com o baile e nos entregamos à intimidade daquele encontro.
Fechei os olhos enquanto me perdia naquele momento, mas, em minha mente dominada pelo desejo, era o rosto da senhorita Peterson que insistia em aparecer.
Imaginava-a despida de qualquer veste, com os longos cabelos castanhos caindo sobre os ombros, os seios fartos que eu tinha certeza de que mal caberiam em minhas mãos e os quadris largos que tornavam sua figura ainda mais atraente.
Aqueles pensamentos me fizeram perder o pouco de controle que ainda me restava. Quando finalmente recobrei a consciência do momento, afastei-me de Daisy e respirei fundo, tentando recuperar o fôlego.
Ainda de olhos fechados, ouvi-a dizer, com um sorriso nos lábios vermelhos:
— Poderia dizer que pensei que você fosse me partir ao meio!
Abri os olhos e encontrei seu sorriso provocador.
— Faça-me uma visita amanhã à noite — continuou ela. — Gostaria de prolongar este momento por várias horas.
Recompondo-se, Daisy depositou outro beijo em meus lábios e se afastou, dizendo:
— Você é o melhor dos amantes. Dispensarei Charles. Ele é jovem demais e chega ao clímax só de ver uma mulher despida. Preciso de você: forte e capaz de dar prazer a uma mulher.
Fiquei observando-a se afastar, ainda com os pensamentos perturbados pela mulher que eu não conseguia tirar da cabeça: Amélia Peterson.
