Capítulo 6
"Eu só não queria que a Katniss te entendesse mal. Eu estava tentando explicar para ela, mas nunca imaginei que ela fosse ficar tão brava..."
Lillian estava parada com lágrimas se acumulando nos olhos, seus longos cílios tremendo delicadamente. Ela parecia tão frágil quanto uma flor delicada, intimidada demais até para encarar Katniss.
Essa atuação... que desperdício de talento não estar em Hollywood.
"Solte-a primeiro."
A expressão de Cedric se fechou. Como Katniss continuou impassível, o olhar dele disparou para os pedestres que agora assistiam à confusão se desenrolar. "Que tipo de impressão você está passando em público desse jeito?"
Então ele estava preocupado que ela estivesse envergonhando a família York?
"Katniss, por favor, me solta. O que quer que eu tenha feito, eu peço desculpas, tá bom? Não coloque o Cedric numa posição tão constrangedora entre nós duas."
Lillian se mostrava tão compreensiva que preferia sofrer em silêncio. Qualquer estranho que presenciasse isso sem dúvida sentiria pena dela e condenaria Katniss como a vilã.
"Tudo bem, então me peça desculpas primeiro."
A voz de Katniss era puro gelo. Já que ela já tinha sido escalada como a vilã, ela bem que poderia fazer algo para merecer a atuação digna de Oscar de Lillian.
"Eu..."
Lillian tinha presumido que Katniss mostraria algum comedimento na frente de Cedric. Em vez disso, ela parecia ainda mais descarada.
Embora a fúria queimasse dentro dela, Lillian mordeu o lábio, forçando-se a manter sua imagem angelical aos olhos de Cedric. "Me desculpe."
Katniss soltou uma risada fria e largou o braço dela.
Lillian tropeçou, claramente esperando recriar sua performance anterior ao cair dramaticamente nos braços de Cedric com toda a sutileza de uma atriz de novela.
Desta vez, no entanto, o homem não mordeu a isca. Ele a amparou e a manteve ao seu lado.
"Não vá embora ainda. Eu preciso falar com você", disse Cedric, bloqueando o caminho de Katniss quando ela tentou passar por eles. Os clientes ainda estavam esperando na sala privativa.
"Cachorro bom não fica no meio do caminho!"
Depois de ser manipulada repetidamente, Katniss havia perdido toda a paciência.
"Cedric, meu braço está doendo."
Vendo que a atenção de Cedric estava fixada em Katniss, Lillian xingou mentalmente antes de agarrar o próprio braço e soltar um gemido lamentável.
O olhar de Cedric recaiu sobre o pulso avermelhado dela. Ele hesitou brevemente antes de tranquilizá-la com suavidade.
"Vá descansar na sala privativa e peça para o garçom te trazer algum remédio. Eu me junto a você em breve."
"A culpa é toda minha. Por favor, não briguem por minha causa."
Lillian, relutante em dar privacidade aos dois, fez sua figura esbelta parecer balançar precariamente enquanto falava baixinho.
"Não se preocupe, volte lá para dentro."
Observando Cedric falar com tanta gentileza para confortar Lillian, Katniss sentiu seu coração apertar de forma desconfortável. Um sentimento indescritível tomou conta dela, e a exaustão dos últimos dias mais uma vez a invadiu.
"Tudo bem, então."
Lillian sabia que uma mulher inteligente entende a hora de recuar. Ela lançou vários olhares demorados para Cedric antes de se virar com relutância.
Só depois de confirmar que Lillian havia desaparecido pelo corredor é que Cedric finalmente encarou Katniss.
Sob a luz, os traços refinados de Cedric se destacavam nitidamente, assim como a frieza que Katniss podia ver com clareza em sua expressão.
"Como você teve coragem de deixar a Lillian passar o remédio sozinha? Não vai correr atrás dela e cuidar dela pessoalmente?"
O sarcasmo na voz de Katniss era mais amargo do que provocativo.
Afinal, não seria a primeira vez que ele a abandonava. Por que fazer esse teatrinho na frente dela?
"Isso é entre nós. Ela é inocente. Você sempre implica com a Lillian desse jeito."
Cedric franziu a testa, soltando um suspiro suave enquanto falava.
— Eu a estou perseguindo?
Katniss riu com amargura, quase admirando a capacidade dele de inverter as acusações.
Então ele havia mandado Lillian embora só para confrontá-la.
— E não está? Agora há pouco no corredor, você foi hostil desde o início e a empurrou. Se eu não tivesse chegado a tempo, você planejava bater nela?
Cedric sentiu-se exasperado com a atitude desafiadora de Katniss.
De repente, Katniss não conseguiu formular uma única resposta. Ele acreditava em Lillian, o que o tornava cego para as repetidas provocações dela.
— O seu silêncio significa que concorda?
— Se pedir o divórcio não serviu para alcançar o seu objetivo, e agora você está usando essas táticas para chamar a minha atenção, eu...
Ao vê-la abaixar a cabeça sem responder, Cedric presumiu que ela estava admitindo a culpa. Infelizmente, ele foi interrompido no meio da frase.
— Cedric!
Uma onda de impotência espalhou-se dos pés por todo o seu corpo. Ela não queria se explicar, mas recusava-se a ser mal-entendida daquele jeito.
— Tem câmeras de segurança aqui perto. Sugiro que você olhe as gravações.
— Veja quem realmente tem culpa antes de condenar alguém sem saber dos fatos.
— E você deveria dizer essas coisas para a Lillian, não para mim.
A raiva de Katniss só aumentava enquanto falava, finalmente encontrando uma válvula de escape para as suas emoções.
Suas bochechas claras ficaram vermelhas. Aqueles olhos, normalmente límpidos como água de nascente, agora brilhavam de raiva enquanto ela falava praticamente entre dentes: — Controle a sua gente! E pare de me incomodar!
Ao ouvir as últimas palavras dela, Cedric claramente interpretou algo de forma errada.
Como se sentisse a frustração de Katniss, o tom dele de repente se suavizou.
— Tudo bem, vou arranjar um tempo para ir para casa hoje à noite e ficar com você. Pare de fazer escândalo.
— Lembro que hoje é o seu dia de ovulação.
A intenção dele não poderia ser mais clara.
Katniss sentiu como se estivesse falando com uma parede. Mesmo agora, ele ainda achava que ela estava disposta a ter um filho dele. Ele sequer havia notado que ela já tinha se mudado da casa deles.
— Eu não vou ter um filho seu! Eu quero o divórcio, o divórcio! Você está me ouvindo?
A fúria de Katniss atingiu o ápice. Se houvesse qualquer coisa ao seu alcance, ela teria perdido o controle e atirado no chão só para fazer Cedric entender a sua posição.
— Você não está ameaçando com o divórcio por causa da questão do bebê?
— Não! Eu nem...
Naquele lugar público, Katniss quase revelou o seu segredo — aquele que o faria entender que ela não tinha o menor interesse nos dez por cento das ações da família York.
A expressão de Cedric fechou-se instantaneamente. Bem quando o ar entre eles parecia congelar, o celular dele tocou, interrompendo o impasse.
— Alô?
— O que você disse? Estou indo para aí agora.
Cedric desligou e olhou para o rosto obstinado de Katniss, sentindo uma dor de cabeça se formar.
— Surgiu um problema urgente no trabalho que preciso resolver. O que quer que você tenha a dizer, podemos discutir quando eu chegar em casa.
Cedric não deu a Katniss nenhuma chance de responder antes de sair apressado.
Como estava perto o suficiente, Katniss viu claramente o nome de Lillian na tela do celular.
Problema no trabalho? Que desculpa conveniente!
— Chefe! Você está bem?
Flora, a assistente de Katniss, tinha vindo procurá-la após notar sua longa ausência, preocupada com o estado dela. Ela encontrou Katniss parada sozinha no corredor. Sua silhueta, alongada pela iluminação, parecia particularmente solitária e desolada. Ao ver o rosto perdido e inexpressivo da chefe, Flora correu em passos rápidos para ampará-la, perguntando com preocupação.
— Acho que bebi um pouco demais. Estou bem, vamos voltar.
Pensando nos clientes que aguardavam na sala privativa, Katniss acenou com a mão em um gesto de dispensa, dando uma desculpa esfarrapada.
