Capítulo 5 05
—Como você ousa comparar aquele patinho feio comigo? —Sandra lançou um olhar fulminante para a garota morena.
—E-eu não disse nada —a morena tremia, junto da amiga. As duas estavam apavoradas.
—Ah, é? Vai me dizer que eu não tenho ouvidos? Eu escuto qualquer coisa que falem de mim lá do outro lado do mundo —ela se gabou, toda pomposa, e eu zombei por dentro.
Tentei virar de fininho e cair fora. Eu não estava fugindo, mas senti cheiro de confusão —e onde essa Sandra estava, era certeza que dava merda. Então, quanto antes eu me poupasse do estresse, melhor.
—Onde você pensa que vai, pato? Ou tá com medo? —disse uma das meninas maldosas.
Tentei ignorar, mas alguém agarrou meu braço e me puxou de volta com força. Bati no chão e gemi de dor. Tomara que eu não tenha quebrado nada, porque ouvi um estalo na bunda quando caí.
A pessoa tinha usado a habilidade de lobo pra me jogar no chão.
—Que porra é essa? —eu disse, erguendo o olhar, e vi Sandra com um sorrisinho nos lábios, braços cruzados no peito, me encarando enquanto se aproximava.
Todo mundo abriu espaço ao nosso redor, assistindo.
—Você—
Um assobio alto interrompeu o que estava prestes a acontecer entre Sandra e eu. Vai saber se aquilo teria terminado com um soco naquela cara bonitinha dela —e eu teria o maior prazer em dar.
—Todo mundo, em fila —ordenou uma voz grave, e a galera correu pra se alinhar.
Sandra olhou para quem tinha falado e deu uma risadinha, depois voltou o olhar para mim. —A gente continua de onde parou —ela rosnou. Passou por mim e usou o joelho pra empurrar meu ombro, me tirando do caminho.
As três garotas com ela me fuzilaram com os olhos e foram atrás imediatamente.
Eu nem culpo. Elas não passam de um bando de cadelas.
Vi uma mão fina estendida na minha frente e encarei a pessoa: uma garota de altura mediana, cachos ruivos e sardas claras no rosto.
Suspirei e bati na mão dela. —Valeu. Eu não preciso da sua ajuda —falei, carrancuda.
A expressão dela desabou, e eu revirei os olhos. Consegui me levantar e fui me juntar ao resto dos alunos na fila.
Meu olhar caiu nos gêmeos, e eles nem fizeram questão de disfarçar que estavam me encarando.
O mais atirado deu um sorrisinho quando nossos olhos se encontraram, e eu soltei um chiado, xingando baixinho enquanto desviava o olhar deles.
—Eu vou ser o treinador de vocês nesta sessão. Podem me chamar de Ralph —se apresentou um homem alto, com um rosto marcado e bonito. O físico dele era de cair o queixo, e os músculos dos braços quase rasgavam a camiseta preta que ele vestia.
Começaram a nos dividir em duplas. E parecia que, desde que eu atravessei os portões dessa escola, o azar vinha me seguindo —porque me diz por que diabos eu tinha que cair logo com a advogada do diabo.
Fui pareada com a rainha das vadias: Sandra.
Quando olhei para ela, tinha um sorriso sonsinho no rosto, como se ela já soubesse que ia ganhar de mim.
Só nos sonhos dela.
Eu também não vou recuar sem lutar, mesmo que eu acabe levando uma surra por causa disso.
— Nesta aula de combate de hoje, ninguém está autorizado a usar as habilidades de lobo. Quem usar vai ser desclassificado na hora. Primeiro, a gente precisa trabalhar a força física de vocês — informou o instrutor.
Graças a Deus!
Sem a habilidade de lobo da Sandra na jogada, ela fica praticamente inútil.
Virei para olhar para ela e abri um sorriso de canto. Ela me encarou com raiva e fez uma careta.
A luta começou… Os alunos eram bem bons no confronto. Alguns aguentaram por minutos antes de serem eliminados, enquanto outros, que mal tinham começado a lutar, já eram derrubados pelo oponente.
Eles foram divididos em dois grupos: os perdedores e os vencedores.
Quem perdesse ia para o grupo dos perdedores e precisaria de um treino especial, enquanto os do grupo dos vencedores seriam pareados entre si de novo para lutar.
Finalmente chegou a minha vez de lutar com a Sandra. Minhas palmas ficaram suadas, enquanto ela parecia tão confiante, tão pronta para me derrubar assim que pudesse.
Os outros alunos se juntaram ao nosso redor para assistir.
— Na contagem de três, vocês começam — disse o instrutor Ralph, e eu assenti.
Fixei a atenção na Sandra, que estalava os dedos e inclinava o pescoço para a direita e para a esquerda.
— Um…
Apoiei bem as pernas no chão, me equilibrando com firmeza.
— Dois…
Ergui os braços, me colocando em posição de luta.
— Três…
Sandra veio para cima de mim a toda velocidade, e mesmo sem as habilidades de lobo ela não ia ser tão fácil de derrubar.
Ela disparou o braço direito, com a mão fechada em punho, tentando acertar um soco — mirando bem no meu rosto — e foi aí que entrou o erro idiota dela.
Para mim foi fácil demais ler e calcular o movimento dela.
Joguei a cabeça para trás, fiz um movimento rápido, me abaixando por baixo do braço que ela balançava, e acertei um soco forte no estômago dela.
Ela cambaleou para trás e gemeu de dor.
— Sua vadia! — ela gritou e veio para cima de mim de novo.
Ela é uma idiota.
Do tipo promíscua, que não lê o ambiente antes de tomar decisão nenhuma.
Dei um passo rápido, meio que saltando, abrindo os braços quando ela se aproximou, e consegui acertar um golpe no queixo dela. Uma comemoração alta estourou entre os alunos.
— Ops — provoquei, e os olhos dela ficaram vermelhos.
— Como você ousa acertar o meu rosto, sua vadia?! — ela gritou, frustrada, e eu arqueei uma sobrancelha, me divertindo.
Ela tentou me alcançar de novo e, por mais que eu quisesse prolongar a luta só defendendo os ataques dela, eu queria era acabar com aquilo o mais rápido possível e seguir com o resto do dia.
Em vez de deixar ela vir para cima, eu levei a luta até ela.
Chutei o joelho dela com a perna, e ela perdeu o controle. Aí eu dei um pulinho e girei o corpo no ar; balancei as pernas e derrubei ela com força no chão.
Aquilo era o troco por ela ter me jogado no chão mais cedo.
