Capítulo 1 Capitulo 01
Beatriz narrando
(7 anos atrás)
— Senhorita Beatriz, sinto muito mas os seus pais não resistiram, o seu pai teve um traumatismo craniano, a sua mãe teve uma parada cardiorrespiratória no qual se agravou e não conseguimos salvá-los, sinto muito...
Naquele momento o meu mundo caiu, e eu fiquei sem saber o que fazer, o meu pai era advogado, ele não tinha escritório, mas tinha muitos clientes e vivia viajando para ajudá-los, às vezes via um senhor vir sempre aqui e entregar uma quantia em dinheiro para ele, meu pai amava esse lugar e morar aqui pra ele sempre foi tudo, a nossa casa era uma das casas mais bonitas da favela, sim eu moro na favela, moro no Complexo da Maré e aqui é um lugar muito bom de morar, tirando os dias que tem invasão, aí é um show de horror, várias mortes, bandidos que querem tomar o espaço do outro, polícia querendo pacificar mas o dono é uma pessoa até que boa, dá assistência às famílias e ajuda nos danos dos moradores.
Chego em casa e olho tudo e não controlo as lágrimas, deito na minha cama e choro até dormir, a minha tia, irmã da minha mãe, está chegando amanhã de Nova York, ela vai cuidar de todo o funeral e vou com ela pra Nova York já que ainda sou menor de idade, não vou vender a minha casa só vou fechá-la e ver se consigo alguém para limpá-la para não estragar as coisas. Minha tia tem uma filha que se chama Afrodite, ouvi dizer que ela investiu em bitcoins e conseguiu fazer uma fortuna.
Acordo no outro dia com meu celular tocando e minha tia disse pra mim deixar tudo pronto que depois do funeral estamos indo para os Estados Unidos. Chorei até não aguentar mais e pedi para fecharem o caixão antes do tempo.
Minha mãe era muito apegada a minha tia, elas eram melhores amigas porém minha mãe já não via a minha tia há alguns anos, ela me deu meu nome em homenagem a ela, eu espero que consiga me reconstruir novamente e superar e me adaptar nessa nova fase da minha vida.
— Já está tudo pronto Bea? Precisamos ir, o nosso voo é daqui uma hora. — ela fala assim que chegamos em casa depois do velório, eu assinto com a cabeça e a minha melhor amiga, a Bárbara, me chama.
— Bia, tô entrando!
— Oi, tô aqui. — falo com ela descendo as escadas.
— Não consigo acreditar que você está indo embora e que eu vou ficar aqui. — ela fala já com uma lágrima escorrendo.
— Não se preocupe amiga, eu vou voltar. — eu falo com ela já chorando também.
— Eu não tenho mais ninguém Bia, e pra ajudar fui mandada embora do meu serviço hoje, não sei o que fazer e nem sei como vou pagar meu aluguel. — ela fala e alguém nesse momento bate na porta. Quando abro vejo o dono do morro, vulgo Morte, parado na minha frente me encarando.
— Aê pirralha, eu tinha um acerto pra fazer com o seu pai hoje tá ligada, como ele trabalhou eu vou pagar pra você já é? — ele fala e eu assinto. — Seu pai era um homem de bem, sinto muito pela sua perda e se precisar de alguma coisa pode me procurar já é.
— Muito obrigada senhor, mas estou indo embora com a minha tia, vou pra Nova York e não sei quando volto.
— Já é baixinha, mas já tá avisada, precisando. — ele fala e já ia saindo e eu o chamo.
— Senhor Morte, a minha amiga, ela mora na casa do beco 3, será que ela pode entregar a casa lá e vir morar aqui pra cuidar da minha pra não ficar fechada.
— Pode sim, passa lá depois pra entregar a chave se não tiver com débito, fé aí.
Ele fala saindo e a Bia me olha com os olhos cheios de lágrima e me dá um abraço me agradecendo por ter deixado ela ficar aqui.
— Amiga pode ficar aqui, só cuida da minha casinha por favor, eu vou voltar eu prometo, você tem alguma dívida da outra casa?
— Tenho amiga, era pra pagar um aluguel hoje mas aquele safado do Nelson não me pagou os meus direitos, disse que favelado não tem direitos não.
— Sempre te falei que aquele homem não era boa coisa amiga, vamos ver quanto o Morte deixou aqui. — contamos e tinha 10 mil reais em dinheiro. — Amiga vou te dar 5 mil pra você pagar aluguel e fazer uma compra, eu soube que a tia Carmen tá precisando de gente para trabalhar lá na lanchonete, não desista e estuda que quando voltar vou abrir meu escritório e vc vai trabalhar comigo.
— Já não vejo a hora de você voltar. — ela fala já chorando de novo e minha tia desce as escadas com suas coisas e já pronta.
— Vamos filha, temos 30 minutos pra chegar.
— Vamos tia, tchau amiga vou sentir sua falta. — me despeço dela e vou descendo o morro com a minha tia que já vai chamando um uber, quando chegamos na barreira ele já está lá parado nos esperando para nos levar até o aeroporto.
Embarcamos e eu fiquei do lado da janela, olhando aquela imensidão azul eu só pedia forças e proteção para Deus para poder seguir em frente e sabedoria para conquistar tudo o que eu desejo.
Pensamentos: pai, mãe me ajudem a seguir em frente, me protejam aí de cima e cuidem de mim, eu sei que vocês nunca vão me abandonar, eu amo vocês e saibam que vocês vão ter muito orgulho de mim, vou me encontrar na vida e fazer tudo por vocês.
Acabo pegando no sono já que são 12 horas de viagens, acordo horas depois e minha tia Be diz que já já vamos pousar, o piloto diz para colocarmos os cintos que já vamos pousar e logo colocamos e pousamos, saio do avião sentindo uma paz enorme apesar da dor e do luto eu sei que é minha mãe e meu pai renovando minhas energias.
