Capítulo 2 CAPITULO 02
Beatriz narrando
É aqui estou eu em solo americano, chegamos no apartamento da minha tia e ele é muito lindo, a minha prima Afrodite não deixa nada faltar para os meus tios, tudo que eles querem ela dá, parece aquelas crianças mimadas que tudo que quer os pais compram, aqui é ao contrário, eles querem e Afrodite compra.
Espero me acostumar aqui, já que nem inglês ainda eu sei falar, preciso terminar a escola e sei que vai ser difícil, chego na casa da minha tia e ela me leva até o meu quarto para eu poder descansar e vai pro quarto dela, tomo um banho bem relaxante e acabo guardando todas as minhas roupas, quando eu termino pego meu celular e vejo uma mensagem da Babi perguntando se já cheguei e se está tudo bem, respondi que sim e que amanhã falo com ela, que aqui estava de noite e eu estava indo dormir.
4 anos depois
E muita coisa aconteceu nesse tempo, a minha tia Be se mandou no mundo viajando com o meu tio, Afrodite me mandou uma mensagem falando que mais tarde vai me ligar que precisa falar comigo, daqui a um ano me formo em advogada criminal e vou voltar para o Brasil, a Afrodite tem pago todos os meus estudos, ela fez questão e disse que era pra mim guardar o que eu ganhava pra me ajudar quando eu voltar, tenho trabalhado em um escritório muito famoso aqui em Nova York, apesar da pouca idade e ainda sem mesmo ser formada, tenho uma lista enorme de clientes, nunca perdi sequer uma audiência, estou sendo muito requisitada por toda Nova York e isso me deixa muito feliz, me faz pensar que vou conseguir seguir os caminhos do meu pai e serei tão boa advogada quanto ele.
Ainda consigo lembrar como se fosse hoje minha conversa com a Afrodite. Poucos dias depois que me instalei aqui com a minha tia, ela veio nos visitar, e ver se estávamos precisando de alguma coisa, até que ela pediu para o marido dela ir com os tios fazer alguma coisa, e ficamos sozinhas em casa, ela me chamou no quarto dela aqui no apartamento, e tivemos a conversa mais inesquecível da minha vida.
Flashback on
— Bia vamo conversar lá no quarto? Tenho uma coisa séria pra falar com você.
— Vamos sim, eu fiz alguma coisa Afrodite? — pergunto com um certo medo, enquanto estamos indo para o quarto.
— Claro que não prima kkkkkk — ela fala e me tranquiliza, assim que entramos no quarto Afrodite passa e tranca a porta.
— Então... O que tem para falar?
— Bia, você conheceu o Morte certo?
— Conheci sim, porque?
— Assim que saiu nos jornais o jeito que eu estava enriquecendo, ele me procurou, me fez propostas tentadoras e eu acabei aceitando prima, e queria que você me entendesse, que tudo que eu fiz foi pela nossa família, assim como o seu pai fez por vocês... — quando a Afrodite fala do meu pai, eu entro em pânico e confusão ao mesmo tempo.
— Como assim Afrodite?! Minha cabeça está até girando, você está me dizendo que meu pai na verdade fazia parte do crime? E agora você também? É isso que eu entendi? — falo colocando a mão na cabeça meio perdida nos meus pensamentos.
— Não é exatamente desse jeito Bia, calma. Deixa eu te explicar com calma tá bom? Senta aqui e só escuta, quando eu terminar de falar, você pergunta o que quiser pode ser? — apenas balanço a cabeça que sim, me sentando na cama, e a minha prima me empurra pra deitar na cama e levanta as minhas pernas pra eu ficar deitada, ela se senta do meu lado na cama, com só uma perna na cama, e a outra fica balançando pra fora da cama.
— Anos atrás, no início da carreira do seu pai, Morte precisou de um advogado por ter ido preso pelos crimes que ele realmente cometeu, e nenhum advogado aceitou pegar o caso dele, exatamente por ser impossível de tirar ele da cadeia. Até que seu pai estudou muito bem o caso, e decidiu pegar, seu pai se dedicou exclusivamente durante meses ao caso dele, e conseguiu convencer o juiz de que o Morte era inocente, depois disso seu pai se tornou não só o melhor advogado criminalista do país, como o advogado de todo o Comando Vermelho, e amigo pessoal do Morte. Seu pai também começou a fazer parte do Comando Vermelho como um dos empresários que investia e lavava dinheiro do comando, ele não se envolvia na parte "suja" do crime, só nos lucros. E foi essa a proposta que eu recebi, entrar no lugar do seu pai no comando, investindo e lavando dinheiro. — quando Afrodite termina de falar, eu começo a entender o motivo de morar na favela, mesmo meu pai sendo tão rico, e de tudo que nós vivemos. E saber a história do meu pai que eu nunca soube, só me motivou.
— E você aceitou? — pergunto para a minha prima com algumas ideias na cabeça.
— Sim prima, para poder bancar tudo isso aqui — ela fala e gesticulando para o quarto — para a nossa família, e para você também, tudo o que você quiser, eu quero que saiba que pode me pedir, e você vai ter, mas quero muito que você se torne uma mulher independente, que estude e faça seu próprio dinheiro também. Mas estarei sempre aqui o tempo todo.
— Eu só quero uma coisa prima... Ser como meu pai já foi um dia. Quero fazer advocacia criminal, você pode me ajudar só com isso? — quando falo vejo minha prima me olhando com admiração e seus olhos brilham.
— Tenho uma proposta melhor ainda para te fazer. Vou bancar todos seus estudos, e a sua moradia, alimentação, tudoooooo que você precisar, eu pago. E você vai estudar o máximo que conseguir, vou pagar a melhor faculdade, e você vai ser a aluna número um. E eu só quero uma coisa em troca...
— O que você quiser prima.
— Assim que você se formar, você vai ser a nova Advogada do comando. Até lá, eu te dou uma mesada para viver bem aqui, e moradia e estudos eu mesma pago. Mas assim que você se formar, a hora que eu ou alguém do comando precisar, você vai largar tudo que esteja fazendo, e vai vir proteger a gente. Assim como seu pai fez por muitos anos... Aceita?
Flashback off
Chego no escritório e a minha amiga já vem correndo me falando que tem um cliente na minha sala me esperando e que ele é um dos homens mais poderosos de Nova York.
— Bom dia senhor. — falo estendendo a mão pra ele. — Sou a doutora Beatriz.
— Doutora, preciso dos seus serviços e gostaria de saber se pode me ajudar.
— Claro, e sobre o que seria?
— Meu filho foi morto por um policial racista e eu quero justiça.
— Primeiro preciso que o senhor me diga tudo o que houve e depois vamos ver o que vamos fazer senhor? — pergunto me referindo ao nome dele.
— Carlo, pode me chamar de Carlo, então senhorita Beatriz o meu filho está morto, ele estava tentando entrar em casa, ele sempre teve a mania de esquecer a chave e depois pulava a janela, no dia do ocorrido o policial viu e abordou ele e antes de perguntar já atiraram nele, ele já chegou no hospital sem vida e não conseguiram salvá-lo, os policiais tentaram alegar mas não tem justificativa pra matar um garoto de 17 anos que estava entrando em casa só pela cor da pele dele. — escuto tudo calada sentindo uma onda de ódio enorme dentro de mim como podem matar um garoto pela sua cor de pele, isso é um absurdo, se depender de mim esse policial vai mofar na cadeia. — falo com muita raiva.
