Capítulo 4 Planos para você.

Um pouco desapontada, Eveline abaixou a cabeça.

— Mas o doutor disse que eu poderia levá-lo para casa. — Seus olhos já estavam marejados de lágrimas.

— Eu sei, mas, analisando os prós e os contras, acredito que você não terá condições de mantê-lo em casa. — disse com pena dela, afagando-lhe os cabelos.

— Eu consegui duzentos mil. Vou dar entrada em um apartamento e comprar os aparelhos.

— Olha, eu sei do seu esforço, mas isso não dá nem para começar, infelizmente. Você já parou para pensar nos custos com enfermeiros vinte e quatro horas por dia? Médicos? Medicamentos? Energia? Instalações? Posso lhe dar um conselho? Pense com calma e depois decida.

Ela assentiu, secando as lágrimas que escorriam por suas bochechas.

— Pegue esse dinheiro e guarde para as despesas da clínica. Ele deve cobrir de três a quatro meses. Transferimos o Nicolas para o meu hospital, você aluga um apartamento próximo e poderá vê-lo sempre que quiser. Nossa equipe cuidará dele com muito carinho, e você poderá trabalhar para arcar com os gastos sem se preocupar, porque ele estará conosco. Pense nisso.

O médico levantou-se e, ao abrir a porta, voltou-se para ela.

— Agora preciso ir. Pense no que conversamos e depois me dê sua resposta.

Eveline permaneceu olhando para o filho.

Rezou por ele.

Era tão pequeno...

Pensou em tudo o que o médico havia dito. Estava ansiosa para levá-lo para casa, mas, de fato, não havia considerado todas aquelas dificuldades.

Ela precisava trabalhar.

Caso contrário, os dois passariam fome.

Estava exausta.

Havia três meses dividindo seus dias entre o hospital e a busca desesperada por emprego e dinheiro.

De um dia para o outro, sua vida, que já não era fácil, virou completamente de cabeça para baixo.

Precisou recomeçar do zero, juntar os próprios cacos e seguir em frente sozinha, criando o filho.

Depois que Nicolas nasceu, nada mais a afetava.

A única coisa que importava era a vida dele.

Chegara até a se humilhar diante de Joshua.

Faria qualquer coisa pelo filho.

Olhou para o celular.

Já passava das dezoito horas.

Precisava cumprir a palavra que dera.

Foi para casa se arrumar.

Enquanto tomava banho, pensava na figura do chefe.

Já o havia visto uma vez, embora ele aparentemente não se lembrasse dela.

Vladimir fora o palestrante da aula inaugural de sua faculdade de Arquitetura.

Na época, ela o achara um homem muito atraente.

Joshua também era bonito, mas, na maior parte do tempo, era insosso e sem graça.

Quando o conheceu, era alegre e cheio de vida.

Depois foi se tornando ranzinza, falando apenas de dinheiro.

Ela acreditava que aquilo fosse normal.

Mesmo infeliz, continuava amando o marido e fazia de tudo para que o casamento desse certo.

Perdida em pensamentos, ficou diante do guarda-roupa sem saber o que vestir.

Seus olhos pararam sobre um vestido delicado.

Era um modelo envelope, ajustado na cintura, com mangas três quartos.

Não queria usar nada provocante.

Embora estivesse, literalmente, se vendendo, ninguém precisava perceber isso.

Parou diante do espelho.

Gostou do que viu.

O vestido era elegante e delicado.

Ela naturalmente chamava atenção.

Era esguia, de pernas longas, cintura fina, cabelos compridos e grandes olhos verdes que pareciam sempre brilhantes.

Escovou os cabelos, deixando apenas as pontas levemente onduladas.

Nos lábios, passou apenas um balm para lhes dar um aspecto saudável.

Já estava quase na hora.

Não queria se atrasar.

Vladimir não costumava ser um homem rude, mas não tolerava atrasos.

Ela não queria provocá-lo.

Chamou um carro por aplicativo.

Durante o trajeto, tentou imaginar o que faria dali a pouco.

Desde que conhecera Joshua, nunca mais estivera com outro homem.

Na verdade, entregara-se a ele ainda muito jovem.

Depois vieram o casamento, a rotina e nunca existiu ninguém além dele.

Estava nervosa.

— Chegamos. — avisou o motorista.

Ela quase respondeu "já?", mas apenas pagou a corrida e desceu.

Entrou no hotel.

Nunca estivera naquele lugar.

Permaneceu alguns segundos parada no saguão, procurando Vladimir.

Uma recepcionista aproximou-se.

— Senhorita Eveline?

— Sim.

— O senhor Vladimir a aguarda no restaurante.

A recepcionista sorriu educadamente e abriu passagem para que ela a acompanhasse.

Ao entrar no restaurante, Eveline encontrou Vladimir sentado de maneira descontraída, folheando o que parecia ser uma agenda.

— Boa noite, senhor. — disse timidamente.

Ele levantou-se imediatamente e puxou a cadeira para ela.

— Boa noite, Eveline. Confesso que achei que você não viria.

Havia um discreto sorriso sedutor em seus lábios.

— Eu me atrasei, mas estou aqui. — respondeu, nervosa.

— Está com fome?

Ela estava.

Mas também estava tão nervosa que não sabia se adiava aquele momento o máximo possível ou se acabava logo com toda aquela tortura.

— Estou bem. Não se preocupe.

— Vamos jantar. Tudo bem para você?

Ele percebeu o nervosismo dela.

— Está bem. — respondeu com um sorriso educado.

Vladimir gostou da obediência dela.

Não sabia explicar exatamente por quê.

Por trás daquela aparência dócil, parecia existir uma personalidade forte.

Quase indomável.

Ele lhe entregou o cardápio.

— O que você escolher está bom para mim. — respondeu.

Pensou por um instante e acrescentou:

— Só não gosto muito de frutos do mar.

— Poxa... só porque dizem que são afrodisíacos? — brincou.

— Não... é que...

Ela tentou explicar.

— Não se preocupe. Não vou decepcioná-la. Não sou um homem que precise disso.

Ele sustentou o olhar dela.

Eveline engoliu em seco.

Sentiu o estômago se contrair e as mãos ficarem geladas.

Vladimir fez o pedido e voltou a observá-la.

Ela continuava inquieta.

Aquilo o divertia.

E, ao mesmo tempo, o excitava.

— Então me diga... o que a levou a procurar meu escritório?

Queria puxar assunto para ajudá-la a relaxar.

— Eu me formei há um ano. Você deu a aula inaugural na minha faculdade.

Ela levou a bebida aos lábios para umedecer a garganta.

— Eu precisava de um emprego novo. Um professor indicou seu escritório, então deixei meu currículo.

Sorriu discretamente.

— Admiro seu trabalho há bastante tempo.

— Muitos arquitetos fizeram aquele teste. Quando peguei o seu projeto, achei incrível. Não fazia ideia de que era de uma garota tão jovem, com uma visão tão madura e, ao mesmo tempo, tão audaciosa.

Ele sorriu ao recordar.

— Confesso que imaginei que o autor daquele projeto fosse um arquiteto experiente, alguém que já tivesse trabalhado para mim e estivesse tentando voltar para a equipe.

Ela sorriu, lisonjeada.

— Obrigada.

— Não precisa agradecer.

Ele continuou olhando para ela.

— Tenho grandes planos para você.

Capítulo Anterior
Próximo Capítulo