Capítulo 5 Amor no elevador.
Ele completou, ao vê-la corar:
— Estou com um projeto que pretendo deixar em suas mãos. Ele é muito importante para o nosso portfólio.
— Farei o meu melhor. — respondeu seriamente.
A refeição chegou.
— Vamos comer e esquecer o trabalho. Não viemos aqui para isso, certo? — disse, servindo uma taça de vinho tinto para ela.
Vladimir divertia-se ao ver os olhos espantados de Eveline sempre que fazia algum comentário de duplo sentido.
Jantaram enquanto conversavam sobre política, música e arte.
Ele descobriu que ela cursava Direito à noite e ficou admirado.
Ela soube que a família dele morava na Irlanda e que ele parecia ser um solteiro convicto.
Em nenhum momento comentou que já havia sido casada ou que tinha um filho.
Quando o jantar terminou, a sensação de bem-estar desapareceu.
A tensão voltou com força.
Tanta que ela tomou o último gole de vinho de uma só vez.
— Calma! Quer mais? — perguntou, percebendo a pressa com que ela esvaziara a taça.
— Não, obrigada. Não costumo beber.
— Estou vendo.
Ele sorriu ao notar as bochechas levemente coradas e os lábios ainda mais vermelhos que o normal.
Pareciam muito apetitosos.
Depois de pagar a conta, Eveline pediu licença para ir ao toalete.
Quando voltou, Vladimir já a esperava na saída do restaurante.
— Você mora aqui? — perguntou.
— Não, mas gosto de jantar aqui.
Enquanto caminhavam para a saída do hotel, ele apoiou delicadamente uma das mãos em suas costas.
Seu carro já os aguardava na porta.
Vladimir abriu a porta para ela, esperou que entrasse e depois deu a volta, acomodando-se ao volante.
Os dois seguiram conversando sobre projetos durante o trajeto.
Pouco depois, ele estacionou diante de um dos prédios residenciais mais luxuosos da cidade.
Desceu primeiro, abriu a porta para Eveline e lhe ofereceu a mão para ajudá-la a sair.
Entraram no edifício e caminharam até o elevador.
Vladimir passou um cartão na fechadura eletrônica.
Era um elevador privativo.
Apertou o botão da cobertura.
Enquanto o elevador subia, Eveline imaginava quanto deveria custar um apartamento naquele prédio.
Percebendo-a calada, Vladimir resolveu provocá-la.
Aproximou-se e sussurrou junto ao seu ouvido:
— Que tal fazermos amor aqui?
— Aqui?
Ela arregalou os olhos, completamente sem jeito.
— Por que não?
Ele insistiu, vendo-a corar.
Seu jeito delicado fazia sua pressão subir.
— Podem nos ver. Alguém pode entrar.
Ela parecia verdadeiramente ansiosa.
— Não podem.
Ele aproximou-se ainda mais, respirando o perfume suave de seus cabelos.
— Este elevador é de uso exclusivo meu.
Fez uma breve pausa antes de completar:
— Você é incrível, Eveline. Em todos os sentidos.
Uma das mãos deslizou até sua cintura.
A outra envolveu delicadamente sua nuca.
Então a beijou.
Ela não correspondeu ao beijo, mas sentiu o corpo aquecer.
Sua mente começou a se perder.
Fazia muito tempo que não era beijada daquela maneira.
Nos últimos meses ao lado de Joshua, ele nunca tinha tempo para ela.
E, quando faziam amor, era como se estivesse sozinha na cama.
Ele apenas satisfazia os próprios desejos, sem pensar nela antes, durante ou depois.
A lembrança fez seu coração doer.
O corpo forte de Vladimir a pressionou suavemente contra a parede do elevador.
Ela estava ali...
Diante de um homem bonito, poderoso e disposto a lhe dar duzentos mil reais por uma única noite.
Tentou esquecer que estava naquele lugar por necessidade.
Queria apenas cumprir a palavra que dera.
O dinheiro já estava em sua conta.
Precisava desesperadamente dele.
O mínimo que podia fazer era tentar tornar aquele momento menos desagradável para ambos, mesmo que precisasse deixar seus próprios princípios de lado.
— No que está pensando?
Ele sustentou seu olhar, tentando entender por que ela permanecera imóvel.
Parecia até assustada.
— Em nada.
Ela desviou os olhos.
— Estou com medo de que alguém nos veja.
Mentiu.
— Não há motivo para isso. Só eu uso este elevador.
Sorriu de maneira provocadora.
— Me diga... você nunca fez amor em um elevador, fez?
Ela corou imediatamente.
Gaguejando, respondeu tão baixo que ele quase não ouviu:
— Não...
— Imaginei.
Ele sorriu, puxando-a para mais perto.
A distância entre os dois praticamente desapareceu.
Beijou-a novamente.
Nesse instante...
O elevador parou.
A porta se abriu.
Assustada, Eveline tentou afastá-lo.
Só então percebeu que o elevador não dava para um corredor.
As portas já se abriam diretamente dentro da cobertura.
— Entre.
Ele caminhou até um pequeno bar instalado em um dos cantos da sala.
— Quer beber alguma coisa?
— Já bebi hoje.
Ela pensou por um instante.
— Acho que vou querer mais um pouco de vinho.
— Boa escolha. Tenho um muito bom.
Serviu uma taça enquanto continuava observando cada reação dela.
— E você não vai beber?
Ela perguntou, constrangida por estar bebendo sozinha.
— Não.
Ele sorriu.
— Quero estar completamente lúcido quando amar você. Não quero perder nenhum instante.
Depois virou-se para colocar uma música.
Envergonhada, Eveline aproveitou para observar a cobertura.
Era enorme.
Elegante.
Linhas retas, cores sóbrias e uma decoração refinada.
Parecia refletir perfeitamente a personalidade de Vladimir.
— Venha.
Ele estendeu a mão.
— Dance comigo.
Ela terminou a taça em um único gole.
Vladimir riu.
Sabia que ela estava nervosa.
E, curiosamente, isso o deixava ainda mais fascinado.
Abraçou-a com delicadeza.
A mão esquerda segurava a dela.
A direita repousava firme em suas costas, mantendo seus corpos próximos.
Ela podia sentir os músculos do peito dele sob sua mão.
Ele, por sua vez, percebia o coração dela bater acelerado.
— Relaxe.
Sorriu.
— Você está muito tensa.
Conduziu-a em um giro suave e, em seguida, inclinou delicadamente seu corpo para trás, apoiando-a no braço.
Sua mão deslizou lentamente do pescoço até a altura da cintura.
Ela estremeceu.
A música terminou.
Por um instante, Eveline sentiu-se aliviada.
Mas a sensação durou pouco.
Vladimir a tomou nos braços e começou a subir a escada.
— Onde estamos indo? — perguntou.
— Você vai descobrir.
