Capítulo 6 Ding Dong
O corpo dela estava leve e quente. Talvez fosse efeito das taças de vinho do jantar e da que havia tomado assim que chegou.
Ele a colocou no chão. Eveline olhou ao redor. O quarto era enorme, limpo e organizado. Nada estava fora do lugar.
— E então? Se quiser desistir, é agora. Mas, se ficar, garanto que não vai se arrepender. — disse, segurando delicadamente o rosto dela entre as mãos antes de beijar-lhe os lábios.
— Eu disse que faria e farei. — respondeu, determinada.
— Ótimo!
Ele desfez o laço do vestido dela.
Quando o tecido se abriu, seus olhos percorreram o corpo esguio e delicado de Eveline. A lingerie branca lhe dava uma aparência de pureza. Os olhos verdes, os lábios rosados e carnudos eram um verdadeiro pecado, e Vladimir queria pecar. Seus olhos brilhavam de desejo.
Sem conseguir mais se conter, voltou a beijá-la.
Ao sentir os lábios dele sobre os seus, Eveline percebeu um calor percorrer seu corpo. Levou as mãos ao peito dele e começou a desabotoar sua camisa. Vladimir a ajudou, deixando a peça cair aos pés da cama. O vestido dela também deslizou lentamente pelo corpo.
Ele a ergueu nos braços e a deitou sobre a cama. Aproximou-se novamente, beijando-lhe a orelha e descendo lentamente pelo pescoço. Quando encontrou seus seios, tocou-os delicadamente com os lábios. A barba bem-feita roçava sua pele macia, provocando arrepios. Continuou distribuindo beijos por sua pele suave e delicadamente perfumada. Estava tomado pelo desejo, mas sabia que precisava ter paciência.
Quando suas mãos alcançaram o ventre dela, Eveline arqueou o corpo instintivamente. Vladimir levantou os olhos e a viu mordendo o lábio inferior, enquanto suas mãos apertavam o lençol.
Ding... dong!
Os dois pararam imediatamente e se olharam.
Era a campainha.
Ding... dong!
Vladimir soltou um suspiro irritado.
— Fique aqui.
— Você estava esperando alguém? — perguntou Eveline, tentando cobrir-se com as mãos.
— Não. Nunca recebo visitas. Seja quem for, vou mandar embora. Não se preocupe.
Ele se levantou, passou a mão pelos cabelos e vestiu rapidamente uma camiseta que estava sobre uma poltrona do quarto.
A campainha continuava tocando.
Assim que abriu a porta, a mulher entrou sem esperar convite.
— Que demora! Estava no banho?
— O que você faz aqui, Sandra?
— Queria muito falar com você. Liguei várias vezes, mas você não atendeu.
— Talvez porque eu estivesse ocupado. O que há de tão urgente?
— Tenho um projeto. Vamos jantar para discuti-lo?
— Já jantei. Estou exausto. Leve o projeto para o escritório e marque um horário. Conversaremos lá. — respondeu, caminhando em direção à porta para que ela entendesse que era hora de sair.
— Quero mostrar agora. É incrível! — insistiu ela, percebendo que ele queria dispensá-la. Seu corpo aqueceu ao observar os músculos das costas dele marcados sob a camiseta.
— Vamos para o escritório.
Percebendo que Sandra não iria embora sem insistir, Vladimir resolveu dar ao menos uma olhada no projeto.
Do quarto, Eveline ouvia a voz da mulher, mas não conseguia entender o que diziam. Vestiu-se rapidamente e espiou pela porta, vendo os dois entrarem em uma sala e fecharem a porta logo em seguida. Aproveitou a oportunidade, pegou as sandálias nas mãos e saiu silenciosamente.
Desceu pelo elevador social, calçou as sandálias enquanto descia e pediu um carro por aplicativo. Durante o trajeto até seu pequeno flat, um pensamento não saía de sua cabeça.
"Será que aquela mulher era a namorada de Vladimir?"
Seu estômago embrulhou.
Será que havia se tornado amante de alguém?
Pouco depois respirou fundo e tentou se acalmar. Ela não fazia ideia de que ele pudesse ter uma namorada. Ao chegar em casa, tomou um banho, deitou-se e, completamente exausta, adormeceu.
Enquanto isso, Vladimir analisava o projeto com certa urgência. Eveline estava no quarto à sua espera, ou pelo menos era o que ele imaginava. A visita inesperada de Sandra o deixara profundamente irritado.
Sandra percebeu que ele parecia mais impaciente do que de costume.
— Está acontecendo alguma coisa?
— Eu estava indo tomar banho. Ainda preciso analisar um projeto importante. O seu projeto é bom. Deixe-o aqui. Amanhã darei uma olhada com mais calma. Hoje estou exausto. — respondeu, reunindo os papéis sobre a mesa.
— Posso preparar um lanche para você e depois fazer uma massagem. Você parece tenso. — disse, passando os dedos sobre o peito dele.
Vladimir soltou um suspiro cansado.
— Não há necessidade. Já jantei. Apenas vá para casa. Já está tarde e eu preciso descansar. — respondeu, afastando delicadamente a mão dela.
Sandra ainda relutou em ir embora, mas percebeu que Vladimir não mudaria de ideia. Não queria irritá-lo, então resolveu ceder.
— Está bem. Eu vou. Amanhã conversamos. Quem sabe possamos almoçar juntos? O que acha? — perguntou, pegando a bolsa que estava sobre a poltrona.
— Hum. — Ele apenas assentiu enquanto abria a porta do escritório.
Convencido de que Eveline permanecia no quarto, acompanhou Sandra até a saída.
— Então... até amanhã...
Já no corredor, Sandra ainda tentou prolongar a conversa, mas o viu fazer menção de fechar a porta logo após lhe desejar boa-noite.
"O que aconteceu com ele hoje?", pensou enquanto encarava a porta fechada.
Vladimir sempre fora um homem sério, mas educado e atencioso com ela. Naquela noite, porém, parecia preocupado.
No fim, Sandra ponderou que talvez tivesse exagerado. Chegara ao apartamento sem avisar. Vladimir não costumava receber visitas em casa e era extremamente reservado. Ela mesma só estivera ali umas três vezes, sempre em jantares com amigos ou familiares.
Assim que fechou a porta, Vladimir sentiu como se um peso tivesse saído de seus ombros. Porém, ao parar diante da porta do quarto, uma estranha apreensão tomou conta dele. Embora não tivesse qualquer compromisso com Eveline, a situação agora era delicada. Não pretendia mentir, mas também não fazia ideia de como ela reagiria.
Respirou fundo e abriu a porta.
O quarto estava silencioso.
Entrou, foi até o banheiro e também o encontrou vazio.
— Que horas aquela garota foi embora? — perguntou a si mesmo, profundamente irritado.
