Capítulo 4 4. YANAH
Eu não sabia ao certo se estava com medo, raiva ou se eu queria esganar um. Penso novamente em Alina: como vai ser para ela pagar o honorário desse homem? Já não passamos muito bem com ela ganhando bem, imagina agora pagando ele para tentar me soltar.
Estou perdida no tempo, não sei que horas são. Ouço passos novamente e em silêncio o policial abre a cela.
— Saia, o seu advogado está te esperando. — O policial fala sério.
Saio apressada, nunca passei por adrenalina maior na minha vida, e ao sair lá fora Otton me espera com a minha mochila nas mãos.
— Aqui estão as suas coisas — Otton fala respirando fundo.
Se eu não seguro rápido a minha bolsa, teria caído no chão. Otton sai sem olhar para trás e eu o sigo enquanto ele anda rapidamente até o estacionamento.
— Como conseguiu me soltar? – Ele não reage - É sempre assim mal-educado? Não responde o que pergunto. — Faço perguntas insistentemente, mas nunca vi homem mais chato.
— Entra no carro, a sua irmã está te esperando, se tem alguém preocupado com você, é ela. — Otton fala, arrogante, entrando no carro.
Entro no carro também. Se tem uma coisa que eu odeio é fazer uma pergunta e não responderem.
— Garota você está solta mediante ao pagamento da fiança. Ouve atentamente o que vou falar: qualquer outro vacilo seu, vai presa novamente em regime fechado, e por enquanto vai precisar prestar serviços comunitários.
— Eu só queria saber o porquê de tanto ódio no modo de você falar! Sua vinda aqui atrapalhou a sua transa com alguém na hora em que ia gozar? Porque todo esse ódio só pode ser por isso, ódio faz mal para o coração.
— Estou no inferno, só pode! Vamos embora, deixe que eu te leve em casa antes que eu perca o meu resto de paciência que se esgotou desde a minha vinda para cá. Eu devia voltar à delegacia e mandar te prender novamente, só que agora jogando a chave fora. — Otton fala isso com mais raiva ainda.
— Você não faria isso, advogado! — Falo debochando.
Otton põe o cinto de segurança e uma loucura passa pela minha cabeça embriagada pelo seu perfume. De uma vez sento sobre o seu colo no banco do motorista colando corpo com corpo, fixo os meus olhos no dele e Otton me olha assustado.
— Enlouqueceu de vez, garota, o que está fazendo? — Otton pergunta ficando sem ação.
Retiro o cinto dele, seguro na sua nuca encarando a sua boca vermelhinha carnuda e o beijo sem a sua permissão. A minha língua invade a sua boca quente, Otton corresponde ao nosso beijo mudando de ângulo enquanto eu rebolo no seu colo o excitando, já sentindo o seu membro crescer dentro das calças. As grandes mãos de Otton apertam a minha bunda, eu já estou quente e amando essa minha loucura quando Otton bruscamente me tira de cima do seu colo.
— O que você fez, sua louca? Vou ter que pedir a sua internação. — Otton fala todo desconcertado, quase sem fôlego e com o cabelo bagunçado.
— Bem que você gostou da louca aqui! Correspondeu ao beijo, e que beijo, deu até calor. Poucos os homens conseguiram tirar o meu fôlego e você conseguiu. — Falo sem ar.
— Maldita hora que vim te soltar... se soubesse que é uma louca, jamais teria te soltado. — Otton fala bravo.
— Você fica lindo assim, bravo. — Falo isso para tirar ele do sério.
Otton sai do carro para realizar uma ligação, e não demora muito um carro se aproxima e Otton vem até a mim.
— Venha, o meu motorista vai te levar para casa. — Otton fala com raiva.
Resolvo obedecer a ele caladinha, pois com a influência que Otton tem ele poderia me prender novamente. Uma coisa eu sei é que nesse mundo pobre não tem vez na mão de gente rica. Sem olhar para trás entro no carro que ele mandou e durante o caminho olho o luxo que é esse carro, penso na loucura que foi o meu dia, de tanto ser chamada de louca acabei incorporando uma. Sem pensar nas consequências que essa minha loucura poderia gerar, inclusive na demissão da minha irmã... depois de tudo o que aconteceu a minha cabeça ficou uma loucura. O motorista me deixa na frente da minha casa e agora é só me preparar para ouvir.
