Capítulo 5 4
# Capítulo — Laura
Laura narrando
— Você precisa se vingar do Perigo.
Minha voz saiu mais firme do que eu pretendia. Roberto estava sentado diante de mim, com a expressão fechada e os olhos perdidos em algum ponto da sala.
Ele não respondeu imediatamente.
Apenas apertou a mandíbula.
— Eu vou fazer isso — disse finalmente. — Eu já falei que vou. E, quando eu prometo alguma coisa, eu cumpro.
Cruzei os braços.
— Então faça logo.
Ele levantou os olhos para mim.
— Laura...
— Não, Roberto. Você precisa entender que não podemos ficar esperando. — Dei alguns passos pela sala, inquieta. — Ele matou Kaio. Matou o seu melhor amigo e matou o meu pai. Você sabe muito bem o que aquele homem fez.
Meu peito apertou ao lembrar do meu pai.
A imagem dele ainda aparecia na minha cabeça quando eu fechava os olhos.
Eu nunca esqueceria o que fizeram com ele.
Nunca.
— Perigo é um filho da puta — continuei. — Ele precisa pagar por tudo.
Roberto se levantou.
— Você precisa manter a calma.
— Como quer que eu mantenha a calma?
— Porque, se você agir sem pensar, nosso caminho pode terminar em morte.
Parei diante dele.
— Talvez seja exatamente isso que ele mereça.
— Não podemos agir como ele.
Roberto ajeitou a gravata e respirou fundo.
— Eu estou assumindo novamente o meu posto de delegado. Quando isso acontecer, vou começar as operações. Vou colocar pressão sobre eles por todos os lados.
Um sorriso apareceu em meus lábios.
— E você acha que isso será suficiente?
— Não acho. Tenho certeza.
Ele se aproximou.
— Eu prometo que Perigo não vai se safar.
Olhei dentro dos olhos dele.
— Você promete?
— Eu prometo.
Aproximei-me ainda mais e coloquei a mão sobre sua gravata, ajeitando-a lentamente.
— Então vamos acabar com todos eles.
— Vamos.
— E vingar todas as mortes do nosso lado.
Roberto segurou minha mão.
— É isso que vamos fazer.
Sorri.
— É tudo o que eu quero.
Minha voz ficou mais baixa.
— Preciso disso para conseguir ter paz e continuar minha vida.
Roberto levou a mão até o meu rosto.
— Fique tranquila, minha princesa.
Ele beijou minha testa.
— Eu vou vingar a morte do meu amigo e do seu pai. Todos eles vão se arrepender de tudo o que fizeram.
Assenti.
Por fora, eu parecia tranquila.
Por dentro, porém, a raiva continuava queimando.
Eu precisava que Perigo pagasse.
Precisava que alguém destruísse tudo aquilo que ele havia construído.
E Roberto era a minha melhor chance.
Ele tinha autoridade, contatos e, principalmente, ódio suficiente para fazer qualquer coisa.
Só havia um problema.
— Eu só não quero que machuque JN.
Roberto estreitou os olhos.
— Você ainda gosta dele?
Abri um pequeno sorriso.
— Não.
Ele continuou me encarando.
— Então por que se importa?
— Eu não disse que me importo. Só não quero que você machuque ele.
Roberto ficou em silêncio por alguns segundos.
— Está bem.
Assenti.
Ele se aproximou novamente.
Dessa vez, seus lábios encontraram os meus.
O beijo durou apenas alguns segundos.
Por fora, não demonstrei nada.
Por dentro, senti nojo.
Mas não afastei Roberto.
Eu precisava dele.
Aquele homem era o meu trunfo.
Meu verdadeiro "galo de ouro".
Ele era o único que poderia conseguir aquilo que eu queria.
Vingança.
Quando nos afastamos, peguei minhas coisas.
Enquanto vestia minha roupa, Roberto observava cada movimento meu.
— Venha para minha casa hoje.
Parei.
— Sua casa?
— Sim.
— E sua esposa?
Ele deu de ombros.
— O que tem ela?
— Você realmente acha que é uma boa ideia me levar para lá enquanto Marcela está em casa?
Roberto abriu um sorriso de canto.
— Marcela?
O jeito como ele pronunciou o nome dela me incomodou.
— Ela não tem com o que se preocupar. Muito menos com o que falar.
Ele se aproximou da janela.
— Quem manda naquela casa sou eu.
Fiquei alguns segundos em silêncio.
— Eu não vou.
Roberto olhou para mim.
— Por quê?
— Não quero problemas.
— Você não deveria se preocupar com Marcela.
Meu olhar se estreitou.
— Você pode deixar ela para ficar comigo.
Ele franziu a testa.
— O que está dizendo?
— Estou dizendo que não entendo por que você continua perdendo tempo com ela.
Roberto ficou sério.
— Marcela não é perda de tempo.
Meu sorriso desapareceu.
— Não?
— Não.
Ele falou aquilo com tanta convicção que senti uma pontada de ciúme.
— Ela é a mulher certa para estar ao meu lado.
Meu coração apertou.
— E eu não sou?
Roberto ficou me olhando.
Por alguns segundos, não respondeu.
Depois se aproximou.
— Você é especial.
Especial.
Era essa a palavra que ele sempre usava.
Especial.
Mas eu não queria ser especial.
Eu queria ser a escolhida.
Queria ocupar o lugar de Marcela.
Queria que Roberto olhasse para mim da mesma maneira que olhava para ela.
Respirei fundo.
— Especial...
Ele sorriu.
— Sim.
Desviei o olhar.
— Está bem.
Peguei minha bolsa e caminhei até a porta.
— Nos vemos depois.
— Laura.
Parei.
— Sim?
— Não faça nada contra Marcela.
Virei lentamente para ele.
— Eu não faria isso.
Ele me encarou por alguns segundos, como se tentasse descobrir se eu estava mentindo.
Sorri.
— Pode confiar em mim.
Saí.
Assim que entrei no carro, meu sorriso desapareceu.
Eu estava furiosa.
Apertei o volante com força enquanto pensava em tudo o que havia acabado de ouvir.
Marcela era a mulher certa para estar ao lado dele.
Aquelas palavras não saíam da minha cabeça.
Quem aquela garota pensava que era?
Eu havia perdido meu pai.
Eu tinha perdido pessoas que amava.
Eu estava vivendo todos os dias com uma sede de vingança que me consumia.
E, ainda assim, aquela mulher tinha conseguido ocupar um espaço na vida de Roberto que eu queria para mim.
Não.
Eu não aceitaria.
Pensei nela.
Marcela parecia frágil, inocente e completamente perdida naquele mundo.
Mas eu sabia que não podia subestimá-la.
Talvez fosse exatamente por isso que Roberto estivesse tão interessado nela.
Apertei os lábios.
— Você vai sair do meu caminho — murmurei.
Ainda não sabia como.
Talvez eu precisasse esperar.
Talvez precisasse descobrir os pontos fracos dela.
Ou talvez fosse necessário fazer Roberto perceber que Marcela não era a mulher que ele imaginava.
Eu ainda não tinha decidido.
Mas uma coisa eu sabia.
Eu não perderia Roberto por causa dela.
Se Marcela fosse o obstáculo entre mim e tudo aquilo que eu queria...
Eu encontraria uma maneira de tirá-la do caminho.
E faria isso sem que ninguém percebesse que fui eu.
