Capítulo 1 Capitulo 1

Aquela louca vontade de gritar ao mundo o que sinto inunda minha mente, mas me controlo. É o último dia de aula. Por um lado, bom, por outro, um pesadelo. Acontece que estou perdidamente apaixonada há um ano por Benjamin, ou apenas Ben, como todos o chamam. E o pior é que ele sabe graças a uma "amiga" minha. Agora ele se gaba pra todo mundo e passa a aula inteira me provocando. Todos os dias.

Amo amar ele. Ele é espontâneo, uma pessoa ótima de se amar. Pena que tem o ego enorme. Não entendo o porquê de ele se orgulhar por eu amar ele, mas sempre que pode, se exibe para os amigos. Nem me importo mais com as pessoas vindo me perguntar se é verdade. Apenas confirmo e continuo minha vida. O único problema é que não aguento mais sofrer pro ele não gostar de mim da mesma forma. Eu ja fiz de tudo para conquista-lo, mas é impossível. Minha melhor amiga sempre me ajuda, mas ainda assim é doloroso vê-lo conversando com outras garotas e até beijando.

-Estela, me empresta esse lápis?-Sophia, minha melhor amiga diz já pegando o lápis sem minha permissão.

Estamos dentro de sala na aula de recuperação de matemática. Eu não precisava vir hoje, mas queria me despedir dos meus amigos e olhar para Ben uma última vez esse ano. Ele está com a turma dele no fundo tentando aprender algo. Amo quando ele está concentrado. Enruga a testa e estreita os olhos. Um fofo.

Algo atinge minha bochecha e eu olho na direção de quem jogou.

-Tem um negócio aí escorrendo da sua boca...Credo, Estela, para de olhar para ele como se fosse um pedaço de carne, nos homens temos sentimentos também.-Aleph diz e todos que ouviram, riem.

Aleph é o típico garoto popular, gostosão e burro, para variar. Ele não gosta muito de mim, percebi isso após um ano de tormento. Nos consideramos amigos, pois temos o mesmo grupo de amigos. Ele é melhor amigo do meu melhor amigo.

-Vai pra merda, Aleph.-Falo diretamente para ele com um sínico e habitual sorriso. Habitual pois é rotina para mim trocar farpas com Aleph.

Ele dá seu típico sorriso sedutor que faria qualquer garota abrir as pernas. Qualquer garota menos eu. O desgraçado nasceu com os dentes perfeitos e tem uma boca carnuda, por que logo ele tinha que nasce com um sorriso bonito assim? Uma injustiça, pois o cara se acha.

Olho pro Ben de novo e ele continua concentrado.

-Então, o que vocês vão usar na despedida? -Gabi pergunta.

No sábado, nossa sala irá fazer uma festa para comemorar o fim do ano letivo. O que é meio errado, pois pra maioria, o ano letivo só vai acabar no final de Dezembro. Aleph é um desses.

-Roupas.-Falo ainda olhando pro Ben.

Recebo um tapa na cabeça. Pela mão pesada, só pode ser do Gusta, melhor amigo do Aleph e meu melhor amigo. O filho de uma boa mãe que une meu grupo com o do Aleph.

-Para de babar, Estela, daqui a pouco estamos nos afogando na sua saliva gosmenta.-Gusta diz fazendo cena como se estivesse se afogando. A razão de Gusta e Aleph serem melhores amigos é simples. Um idiota simpatiza com o outro.

Aleph e ele sempre implicam comigo por causa de Ben. Gusta eu perdôo, ele só quer me ver feliz e implicar é o seu jeito de me dizer que estou sendo idiota.

Sim eu sei que sou idiota. Apenas cheguei num ponto que não me importo mais. Minha vida é assim. Eu parei de tentar algo diferente há muito tempo.

Gabi faz cara de nojo e volta a falar com a Maitê e a Fani, com Gusta no seu pé do ouvido.

Quem aguenta um namorado grudento desse?

Eu me sinto um pouco excluída com elas. Não gostamos das mesmas coisas, todas essas coisas de meninas, maquiagem, sapatos, roupas e um garoto em cada esquina. Gosto de me vestir bem, de me arrumar, só não faço disso algo constante na minha vida, Sophia sempre diz para eu não confiar nelas. No fundo, ela tem razão. Foi Maitê que espalhou sobre meus sentimentos por Ben.

Sophia não estuda na minha sala, só está aqui hoje, pois conseguiu convencer a professora que precisava de aulas extras. Ela é assim, 7, 8 e até mesmo um 9 é tortura pra ela. Nos conhecemos desde que me entendo por gente. Nossos pais, meus, dela e de Gusta, são amigos desde a época do colégio. Crescemos todos juntos, todos moramos perto um dos outros. Sophia é alguns meses mais velha que eu e eu sou alguns meses mais velha que gusta. A pouca diferença de idade ajudou na nossa aproximação de hoje.

Logo chega o intervalo e saímos todos de sala. Sophia não tem mais aulas hoje, então vai pra casa. Eu, como já comentei, vou ficar para me despedir dos meus amigos. Fico na cola de Gabi e Gusta. Nosso Colégio não tem essa de panelinhas, mas sempre tem a turma dos populares. No caso, são Ben, Gusta, Aleph, Felipe, Gabi e Maju.

Felipe é um garoto do último ano. Ele é até legal, mas é muito fechado, não cheguei a conversar com ele. Maju é a garota mais bonita do primeiro ano, segundo os garotos.

Não gosto muito de ficar com essa turma, mas Gabi sempre me arrasta por causa do Ben. Meus intervalos perfeitos é apenas eu e Sophia sentadas na mesa mais afastada da cantina devorando umas 5 merendas de uma vez e fazendo muita palhaçada.

Pegamos uma mesa para nós e eu sento ao lado do Gusta. Fora as brigas e implicâncias que temos um com o outro, somos amigos civilizados. Gabi não tem ciúmes de mim e Gusta, ela sabe que somos amigos de longa data e ele me ajudou em um dos piores momentos que sofri por Ben.

Acontece que eu já me humilhei demais pra ele. O ensino médio não ajuda nessa parte, como diria meu primo Júlio, o adolescente deveria deixar de existir. Acontece que esse pessoal minimiza, pisa e ri dos sentimentos das pessoas.

-Buh! -Gusta me assusta.

Eu estava tão distraída que dei um pulo.

-A cara dela! -Aleph diz rindo e eu o fulmino com o olhar.

Não sei ao certo quando começou, mas eu sempre tive uma raiva incontrolável de Aleph. Eu nem sei o porquê, ele chegou na escola na oitava série, mas sempre estudou em outra sala. Eu o via de longe e o achava um grande babaca. Nesse ano ele veio estudar na minha sala e apesar de não conversamos muito, minha opinião não mudou.

-Ei cara, não devia falar assim com ela, já que você vai pedir aquilo.-Felipe diz.

Olho curiosa pra eles. Não tem nada que Aleph me peça, que eu aceite.

-O que?-Pergunto.

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