Capítulo V
***Nas profundezas do cofre da memória,
Residem fragmentos de um pensamento perturbado,
Um quebra-cabeça incompleto,
Peças perdidas de uma infância doce.
Antes inteiro e inocente, agora rasgado,
Memórias espalhadas, desoladas,
Como vidro quebrado, perfuram a mente,
As peças faltantes difíceis de encontrar.
Sussurros cautelosos no vento,
Nos lembram da dor interior,
Cada peça quebrada uma lição aprendida,
Um conto de advertência, devidamente ganho.
Ainda assim, através da escuridão, raios de luz,
Nos guiando em direção à visão da cura,
Com paciência e determinação, remendamos,
As peças quebradas que o tempo rasgou.
Então, tome cuidado e pise com cautela,
Pois os tesouros da infância são raros,
Guarde cada momento, segure-os firmemente,
Preserve a inocência, dia e noite.
O coração de Lily afundou quando o telefone tocou novamente. Ela sabia que era Knox, seu namorado controlador que sempre parecia estar checando onde ela estava. Ela hesitou por um momento antes de atender.
"Oi, Knox," disse ela, tentando manter a voz leve.
"Estou tentando falar com você o dia todo," disse Knox, com a voz tensa. "Onde você estava?"
"Eu estava na biblioteca, trabalhando em um projeto com o Alexander," Lily disse, olhando para o homem sentado à sua frente.
O tom de Knox suavizou um pouco. "Desculpe por ser tão insistente, amor. Eu só me preocupo com você."
Lily forçou um sorriso. "Eu sei que você se preocupa. Ei, escuta, posso te ligar daqui a pouco? Estou meio ocupada agora."
"Claro, sem problema," disse Knox. "Só tome cuidado, tá?"
"Vou tomar," prometeu Lily antes de desligar.
Ela se voltou para o homem à sua frente, sentindo uma mistura de decepção e alívio. "Desculpe por isso," disse ela, tentando recuperar a compostura. "Receio que não posso sair com você."
O homem não pareceu abalado. "Sem problemas. Talvez outra hora." Ele lhe deu um sorriso e se levantou, saindo com um ar de confiança.
Lily o observou ir embora, sentindo uma estranha mistura de atração e inquietação. Ela não podia negar que ele era bonito e charmoso, mas havia algo nele que a deixava cautelosa.
Enquanto juntava suas coisas e saía da biblioteca, não conseguia se livrar da sensação de que algo estava errado.
E quando chegou em casa e verificou suas mensagens, encontrou um texto de um número desconhecido.
Ao verificar suas mensagens, ela descobriu um texto perturbador de um número desconhecido que dizia simplesmente: "Eu vou te ver em breve."
A mensagem fez um arrepio percorrer a espinha de Lily. Ela não reconheceu o número, mas a mensagem era sinistra, fazendo-a se sentir inquieta. Ela tentou afastar o pensamento e se concentrar na reunião de projeto com Alexander que estava por vir.
Mas quando se encontraram no dia seguinte, Alexander parecia diferente. Ele estava distante e distraído, mal prestando atenção no que deveriam estar trabalhando. Lily não pôde deixar de sentir que algo o estava incomodando.
"Está tudo bem?" ela finalmente perguntou, incapaz de suportar a tensão.
Alexander suspirou, passando a mão pelo cabelo. "Não, na verdade não."
Lily esperou, dando-lhe uma chance de explicar, mas ele rapidamente mudou de assunto.
"Acabei de ouvir sobre um novo café que abriu na rua. Você já foi lá?"
Lily franziu a testa, percebendo que Alexander estava evitando o assunto. "Não, eu não fui. O que isso tem a ver com alguma coisa?"
Alexander deu de ombros, mexendo distraidamente em um fio solto de sua camisa.
"Nada, eu acho. Só pensei que poderia ser um bom lugar para ir e trabalhar um pouco."
Lily não acreditou nele nem por um segundo. Ela sabia que algo estava acontecendo, mas não queria pressioná-lo demais.
Em vez disso, tentou se concentrar no projeto e fazer o máximo de trabalho possível.
Mas enquanto trabalhavam, Lily não conseguia se livrar da sensação de que estavam sendo observados. Ela se sentia inquieta, como se alguém estivesse à espreita nas sombras, observando cada movimento deles.
"Você está bem?" Alexander perguntou, notando seu desconforto.
"Não, na verdade não," Lily admitiu. "Sinto que alguém está nos observando."
Alexander olhou ao redor nervosamente, mas não viu nada fora do comum. "Talvez seja só sua imaginação," ele disse, tentando tranquilizá-la.
Mas Lily não conseguia se livrar da sensação. Ela sentia que estavam sendo seguidos, como se alguém estivesse sempre à espreita, fora de vista. Isso a deixava paranoica e nervosa, e ela não conseguia se concentrar em mais nada.
Finalmente, decidiram encerrar o dia e ir para casa. Enquanto saíam do café, Lily não conseguia se livrar da sensação de que estavam sendo seguidos. Ela continuava olhando por cima do ombro, mas não via nada fora do comum.
Caminharam em silêncio por um tempo, ambos perdidos em seus próprios pensamentos. Mas então, do nada, uma mão se estendeu e agarrou o braço de Lily.
Ela gritou, tentando se soltar, mas a mão era muito forte. Ela se virou para enfrentar seu agressor, mas não conseguia ver nada na escuridão.
"Me solta!" ela gritou, lutando para se libertar.
Mas a pessoa não soltou. Em vez disso, puxou-a para perto, seu hálito quente fazendo cócegas em seu pescoço. Lily podia sentir o cheiro de álcool e cigarros.
"Shh, calma," a pessoa sussurrou. "Eu não vou te machucar."
Lily tentou empurrar a pessoa, mas ela era muito forte. Sentiu uma mão cobrir sua boca, abafando seus gritos.
Alexander se virou ao som da luta de Lily, seus olhos se arregalando ao vê-la sendo segurada contra sua vontade. Sem pensar, ele avançou, derrubando o agressor no chão.
A pessoa lutou contra Alexander, mas ele a segurou, gritando para Lily correr. Ela tropeçou para trás, ainda em choque pelo ataque.
Eventualmente, o agressor conseguiu se soltar, fugindo na escuridão. Alexander ajudou Lily a se levantar, seu coração disparado.
"Você está bem?" ele perguntou, suas mãos tremendo.
O coração de Lily batia rapidamente em seu peito.
Suas mãos tremiam e seu corpo parecia que ia desabar sob o peso do choque e do terror. Seus olhos se arregalaram de medo e confusão, agora parecendo grandes demais para seu rosto, e ela olhou para Alexander como se ele fosse um monstro diante dela.
Ele ainda estendia a mão, mas sua cabeça deu um espasmo violento para o lado.
Lily podia ver que seus olhos não eram mais verde-musgo, mas de uma cor prateada, refletindo o sol acima deles.
Eles estavam firmes, sem emoção.
O arrepio que percorreu a espinha de Lily era de um medo primitivo, de instinto onde deveria haver lógica. Ela já tinha visto esse olhar antes - era de um passado, quando ela ainda era pequena.
